segunda-feira, 29 de abril de 2013

Libert-ação: ação que cria a liberdade

Por Leonardo Boff

Liberdade é mais que uma faculdade do ser humano: a de poder escolher ou o livre arbítrio. A liberdade pertence à essência do ser humano. Mesmo sem poder escolher, o escravo não deixa de ser, em sua essência, um ser livre. Pode resistir, negar e até se rebelar e aceitar ser morto. Essa liberdade ninguém lhe pode tirar.

Entre muitas definições, penso que esta é, para mim, a mais correta: liberdade é capacidade de autodeterminação.

Todos nascem dentro de um conjunto de determinações: de etnia, de classe social, num mundo já construído e sempre por construir. É a nossa determinação. Ninguém é livre de alguma dependência. Ela pode ser uma opressão como o trabalho escravo ou o baixo salário. Ao lutar contra, exerce um tipo de liberdade: liberdade de, desta situação. É a luta por sua in-dependência e autonomia. Ele se auto-determina: assume a determinação mas para superá-la e ser livre de, livre dela.

Mas existe ainda um outro sentido de liberdade como auto-determinação: é aquela força interior e própria (auto) que lhe permite ser livre para, para construir sua própria vida, paraajudar a transformar as condições de trabalho e para criar outro tipo de sociedade onde seja menos difícil ser livre de e para. Aqui se mostra a singularidade do ser humano, construtor de si mesmo, para além das determinações que o cercam. A liberdade é uma libert-ação, vale dizer, uma ação autônoma que cria a liberdade que estava cativa ou ausente.

Estes dois tipos de liberdade ganham uma expressão pessoal, social e global.

Em nível pessoal a liberdade é o dom mais precioso que temos depois da vida: poder se expressar, ir e vir, construir sua visão das coisas, organizar a vida como gosta, o trabalho e a família e eleger seus representantes políticos. A opressão maior é ser privado desta liberdade.

Em nível social ela mostra bem as duas faces: liberdade como independência e como autonomia. Os países da América Latina e do Caribe ficaram independentes dos colonizadores. Mas isso não significou ainda autonomia e libertação. Ficaram dependentes das elites nacionais que mantiveram as relações de dominação. Com a resistência, protestação e organização dos oprimidos, gestou-se um processo de libertação que, vitorioso, deu autonomia às classes populares, uma liberdade para organizarem outro tipo de política que beneficiasse os que sempre foram excluídos. Isso ocorreu na América Latina a partir do fim das ditaduras militares que representavam os interesses das elites nacionais articuladas com as internacionais.

Está em curso um processo de libert-ação para, que não se concluiu ainda mas que fez avançar a democracia nascida de baixo, republicana e de cunho popular.

Hoje precisamos também de uma dupla libertação: daglobalização econômico-financeira que explora mundialmente a natureza e os países periféricos, dominada por um grupo de grandes corporações, mais fortes que a maioria dos Estados. E uma libertação para uma governança global desta globalização que enfrente os problemas globais como o aquecimento, a escassez de água e a fome de milhões e milhões. Ou haverá uma governança colegiada global ou há o risco de uma bifurcação na humanidade, entre os que comem e os que não comem ou padecem grandes necessidades.

Por fim, hoje se impõe urgentemente um tipo especial de liberadade de e de liberdade para. Vivemos a era geológica do antropoceno. Isto significa: o grande risco paratodos não é um meteoro rasante, mas a atividade irresponsável e ecoassassina por parte dos seres humanos (ántropos). O sistema de produção imperante capitalista, está devastando a Terra e criou as condições de destruir toda a nossa civilização. Ou mudamos ou vamos ao encontro de um abismo. Precisamos de uma liberdade destesistema ecocida e biocida que tudo põe em risco para acumular e consumir mais e mais. 

Precisamos também de uma liberdade para: paraensaiarmos alternativas que garantam a produção do necessário e do decente pra nós e para toda a comunidade de vida. Isso está sendo buscado e ensaiado pelo bien vivir das culturas andinas, pela ecoagricultura, pela agricultura familiar orgânica, pelo índice de felicidade da sociedade e outras formas que respeitam os ciclos da vida. Queremos uma biocivilização.

Como cristãos precisamos também libertar a fé cristã de visões fundamentalistas, de estruturas eclesiásticas autoritárias e machistas para chegarmos a uma liberdade para as mulheres serem sacerdotes, para os leigos poderem decidir junto com o clero os destinos de sua comunidade, para os que têm outra opção sexual. Precisamos de uma Igreja que, junto com outros caminhos espirituais, ajude a educar a humanidade para o respeito dos limites da Terra e para a veneração da Mãe Terra que tudo nos dá. Esperamos que o Papa Francisco honre a herança de São Francisco de Assis que viveu uma grande liberdade das tradições e para novas formas de relação para com a natureza e com os pobres.

A luta pela liberdade nunca termina, porque ela nunca é dada; mas, conquistada por um processo de libert-ação sem fim.


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A revalorização do trabalho

Marcelo Barros
Monge beneditino e escritor
 
 Até os anos 70 ou 80, o 1º de maio era comemorado, no mundo todo, com passeatas e concentrações que reuniam, em cada cidade, milhares de trabalhadores. Hoje, quase não se veem mais essas manifestações e as poucas que ocorrem se reduzem a shows com artistas populares promovidos por sindicatos que fazem isso mais por tradição do que por espírito associativo. A maioria das pessoas percebe que tudo isso mudou e ninguém mais vê movimentos de trabalhadores. Antes, eles se reuniam para exigir melhores salários e condições de vida mais dignas. Hoje, diante da crise do desemprego estrutural, às vezes, são os próprios trabalhadores que propõem redução de trabalho para evitar demissões em massa.
 
Na Europa, no início dos anos 80, analistas sociais escreviam que se a taxa de desemprego chegasse a 8%, a sociedade não aceitaria e haveria uma convulsão social grave. Hoje há países como a Grécia, a Espanha e mesmo a Itália, onde a parcela de desocupados chega a quase 30% e não acontece nada. Na sociedade atual, quem perde o emprego sabe que não se trata de uma situação passageira e que daqui a alguns dias ou semanas ou meses, conseguirá outro. O desemprego é estrutural. As empresas são consideradas sadias e lucrativas quanto menos empregados contratarem. E o mais grave de tudo isso é que essa situação é vista por muitos como normal ou ao menos como inevitável. A maioria dos meios de comunicação apregoa o neoliberalismo como um dogma e a exclusão social da imensa maioria das pessoas como um sacrifício inevitável e positivo do progresso.

De fato, a forma mais atual do Capitalismo considera como seus três grandes inimigos, o Estado, a natureza e o trabalho. Mesmo as Igrejas e religiões não reagem a isso e muita gente que se considera espiritual se deixa cooptar por esse desumano modo de ser e viver. Mesmo em países nos quais o governo se diz popular ou até socialista, a regra é privatizar tudo o que é possível. Fala-se em desenvolvimento sustentável e em economia verde, mas contanto que o lucro dos patrões seja garantido. Como a sociedade é da informação, o trabalho concreto é visto como coisa do passado.

Como os profetas e profetizas da justiça e da paz são sempre minorias, mas nunca deixam de atuar, o 1º de maio continua sendo uma data simbólica. Em algumas cidades, movimentos de trabalhadores promovem encontros e reflexões sobre as péssimas condições de segurança e a precarização do mundo do trabalho, as ameaças de privatização dos hospitais públicos e o desafio da saúde dos trabalhadores, assim como outros desafios que o povo empobrecido enfrenta no Brasil.

Quem é cristão recorda que o evangelho chama Jesus de carpinteiro ou artesão, termo usado na época para qualquer trabalhador braçal. Assim, os homens e mulheres que hoje assumem a missão de participar da caminhada coletiva do mundo do trabalho sabem que ao lutar pacificamente para transformar esse mundo estão sendo testemunhas de que o reinado divino está vindo e Deus está presente na luta do povo pela justiça e pela paz.
 
Fonte: Adital
 
 
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Professores unem a teoria à prática para melhor alfabetizar


Métodos didáticos modernos defendem que a alfabetização vá além dos processos tradicionais que se baseiam na codificação e decodificação de letras, fonemas, sílabas, palavras e textos. A alfabetização deve ser pautada na leitura, mas na leitura de textos próximos da realidade cultural da criança.

“É preciso alfabetizar com os usos reais da linguagem que está próxima à vida concreta do aluno”, observa Marcelo Fabiano Rodrigues Pereira, da secretaria de educação do Distrito Federal. Responsável pela formação de 25 professores do último ano do ciclo de alfabetização, ele participa do curso de formação continuada para a implantação do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, oferecido pela Universidade de Brasília (UnB).

O objetivo do pacto, firmado por todas as unidades da Federação e por 5.393 municípios, é assegurar que todas as crianças brasileiras tenham proficiência em língua portuguesa e em matemática até os 8 anos de idade. Em todo o Brasil, 38 universidades públicas parceiras no pacto vão oferecer cursos de formação a 16.814 docentes orientadores, que atuarão com os professores em classes de alfabetização. A UnB pretende formar 4 mil professores das redes públicas de ensino do Distrito Federal e do Tocantins.

O pacto, segundo Pereira, evidencia os direitos de aprendizagem para as crianças de 6 a 8 anos. “Antes, essas metas não estavam claras. O pacto amarra isso, deixa esses direitos de aprendizagem muito bem estabelecidos”, afirma. “Houve uma uniformização das metas do ciclo. Agora, um aluno de outra escola ou de outra cidade deve chegar com a mesma carga de conhecimento.”

Desafio — A alfabetização é um desafio para os professores de turmas do primeiro ao terceiro ano do ensino fundamental e uma das prioridades da atual política educacional no Brasil. Em média, 15,2% dos alunos até oito anos de idade não estão alfabetizados. Essa taxa é ainda mais elevada em estados como Alagoas (35%) e Maranhão (34%).

O pacto será implementado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O repasse financeiro da União visa a apoiar a formação continuada dos professores alfabetizadores e orientadores de estudo, que receberão bolsas para participar do curso. Estão previstos também recursos financeiros para o reconhecimento dos resultados alcançados pelas escolas e pelos profissionais da educação no desenvolvimento das ações do pacto.

“A nossa lógica pedagógica incorporava o fracasso escolar. Professores chegavam a colocar em seus planos a meta de aprovação de 80% dos alunos”, comenta a professora Leila Chalub Martins, coordenadora do pacto na UnB. “O compromisso do professor deve ser com a aprovação de 100%.” ressalta.

Para Leila, é fundamental que haja espaço de discussão com esse professor. “Ele não pode se sentir só na sala de aula. Seu trabalho precisa ser acompanhado, aprimorado.”

Internet — Em Colmeia (TO), a 230 quilômetros de Palmas, Inês de Fátima Teixeira Gomes tem oito anos de experiência com alunos do primeiro ano. Ela está otimista com o curso de formação. “É sempre bom aprender um pouco mais para ensinar melhor”, diz a professora. Ela leciona no Colégio Estadual Ari Ribeiro Valadão Filho.

Este ano, Inês resolveu inovar na alfabetização dos 15 alunos de 6 anos de idade. Duas vezes por semana, ela os leva ao laboratório de informática para aulas em que são adotados softwares educativos e textos on-line. “Eles estão encantados, e o processo de alfabetização ficou mais atraente para as crianças, que são carentes e têm poucos livros em casa”, conta Inês.

Releitura — Paola Soares Aragão, do Centro de Formação de Professores da UnB, acredita que os cursos abrem a oportunidade de uma releitura sobre a alfabetização brasileira. “Quando a universidade, que sempre formou professores fora da realidade da prática de sala de aula, se debruçou sobre os problemas de alfabetização? Comprometer a universidade com esse papel, é lembrar que ela também tem essa responsabilidade”, destaca. “Antes, a universidade só criticava.”

Como os cursos do pacto são contínuos, ao longo de dois anos, as universidades e as redes estaduais e municipais de ensino acabam integrando-se num processo articulado e interdependente. “A universidade fica obrigada a monitorar, a acompanhar esse processo de alfabetização, e as redes são obrigadas a executá-lo”, afirma Paola. “São os momentos para troca de experiência, de interação.”

A professora Cláudia do Vale é responsável por um grupo de 28 alfabetizadores que estão em sala de aula de escolas públicas do Paranoá, uma das regiões administrativas do Distrito Federal. “A grande dificuldade é o letramento dos alunos, a produção de textos, a leitura e a interpretação”, explica. “O aluno precisa saber o que está lendo e saber discutir, mas o professor enfrenta muitas dificuldades.”

Entre as dificuldades, ela cita a superlotação das salas de aula e a falta de comprometimento da família com o processo de aprendizagem. “O pacto traz a possibilidade de unir teoria e prática”, afirma. “Os professores estão esperançosos porque têm consciência de que não estão mais sós.”


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Unesco: “Toda criança precisa de um professor”


Este é o tema da campanha da Semana de Ação Global sobre Educação para Todos; segundo a agência da ONU, sem educadores a escola é apenas um prédio.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura lança a partir deste domingo, 21, até 27 de abril, a Semana de Ação Global sobre Educação para Todos.

O tema da campanha deste ano da Unesco é “Toda Criança Precisa de um Professor”. O foco está no papel vital do professor para alcançar as metas de educação.

A Semana de Ação Global é uma campanha da sociedade civil organizada anualmente para promover o direito das crianças a uma educação de qualidade.

Influência

A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, afirmou que os professores representam a maior influência e a força mais poderosa em relação ao acesso, igualdade e qualidade no setor de educação.

Para Bokova, o mundo não alcançará as metas da ONU de “Educação para Todos” sem os professores.

Prioridades

Entre as principais prioridades da Unesco, estão o treinamento, seleção, status, manutenção e as condições de trabalho dos professores. Para a agência da ONU, sem educadores a escola é apenas um prédio.

Ainda segundo a organização, o professor é o elemento-chave da “Primeira Iniciativa de Educação Global do Secretário-Geral e também parte indispensável da agenda de desenvolvimento global pós 2015.

Desafios

Bokova afirmou que existem vários desafios. Na Tailândia, por exemplo, o sistema educacional enfrenta problemas com salas de aula superlotadas e crianças que falam idiomas diferentes.

Os professores enfrentam também discriminação e trabalham em áreas de risco, onde estão ocorrendo conflitos armados.

Mas a Unesco afirma que o desafio principal da profissão está em números. São necessários 6,8 milhões de professores para que se possa alcançar a meta de educação primária para todas as crianças até 2015.

Fonte: Rádio ONU.

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