sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A ternura:a seiva do amor


Por Leonardo Boff

São misteriosos os caminhos que vão do coração de um homem na direção do coração da mulher  e do coração da mulher na direção do coração homem. Igualmente misteriosas são as travessias do coração de dois homens e respectivamente de duas mulheres que se encontram e declaram seus mútuos afetos.  Desse ir e vir nasce o enamoramento, o amor e por fim o casamento   ou a união estável. Como temos a ver com liberdades, os parceiros se encontram inevitavelmente expostos a eventos imponderáveis.

A própria existência nunca é fixada uma vez por todas. Vive em permanente dialogação com o meio.Essa troca não deixa ninguém imune. Cada um vive exposto. Fidelidades mútuas são postas à prova. No matrimônio, passada a paixão, inicia a vida cotidiana com sua rotina cinzenta. Ocorrem desencontros na convivência a dois. irrompem paixões vulcânicas pelo fascínio de outra pessoa.  Não raro o êxtase é seguido de decepção. Há voltas, perdões, renovação de promessas e reconciliações. Sempre sobram, no entanto,  feridas que, mesmo cicatrizadas, lembram que um dia sangraram.

O amor é uma chama viva que arde mas que pode bruxulear e lentamente se cobrir de cinzas e até se apagar. Não é que as pessoas se odeiam. Elas ficaram indiferentes umas às outras. É a morte do amor. O verso 11 do Cântico Espiritual do místico São João da Cruz, que são canções de amor entre a alma a Deus, diz com fina observação: “a doença de amor não se cura sem a presença e a figura”. Não basta o amor platônico, virtual ou à distância. O amor exige presença. Quer a figura concreta que é mais mais que o pele-a-pele mas o cara-a-cara e o coração sentindo o palpitar do coração do outro.

Bem diz o místico poeta: o amor é uma doença que, nas minhas palavras,  só se cura com aqulo que eu chamaria de ternura essencial. A ternura é a seiva do amor. Se quiseres guardar, fortalecer, dar sustentabilidade ao amor seja terno para com o teu companheiro oua tua companheira. Sem o azeite da ternura não se alimenta a chama sagrada do amor. Ela se apaga.

Que é a ternura? De saída, descartemos as concepções psicologizantes e superficiais que identificam a ternura como mera emoção e excitação do sentimento face ao outro. A concentração só no sentimento gera o sentimentalismo. O sentimentalismo é um produto da subjetividade mal integrada. É o sujeito que se dobra sobre si mesmo e celebra as suas sensações que o outro provocou nele.Não sai de si mesmo.

Ao contrário, a ternura irrompe quando a pessoa se descentra de si mesma, sai na direção do outro, sente o outro como outro, participa de sua existência, se deixa tocar pela sua história de vida. O outro marca o sujeito. Esse demora-se no outro não pelas sensações que lhe produz, mas por amor, pelo apreço de sua pessoa  e pela valorização de  sua vida e luta. “Eu te amo não porque és bela; és bela porque te amo”.

A ternura é o afeto que devotamos às pessoas nelas mesmas. É o cuidado sem obsessão. Ternura não é efeminação e renúncia de rigor. É um afeto que, à sua maneira, nos abre ao conhecimento do outro. O Papa Francisco no Rio falando aos bispos latinoamericanos presentes cobrou-lhes “a revolução da ternura” como condição para um encontro pastoral verdadeiro.

Na verdade, só conhecemos bem quando nutrimos afeto e nos sentimos envolvidos com a pessoa com quem queremos estabelecer comunhão. A ternura pode e deve conviver com o extremo empenho por uma causa, como foi exemplarmente demonstrado pelo  revolucionário absoluto Che Guevara (1928-1968). Dele guardamos a sentença inspiradora: ”hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás”. A ternura inclui a criatividade e a auto-realização da pessoa junto e através da pessoa amada.  

A relação de ternura  não envolve angústia porque é livre de busca  de vantagens e de dominação. O enternecimento é a força própria do coração, é o desejo profundo de compartir caminhos.  A angústia do outro é  minha angústica, seu sucesso é  meu sucesso e sua salvação ou perdição  é  minha salvação  e minha perdição e, no fundo, não só minha mas de todos.

Blaise Pascal(1623-1662), filósofo e matemático francês do século XVII, introduziu uma distinção importante que nos ajuda a entender  a ternura: o esprit de finesse  do  esprit de géometrie.

         O esprit de finesse é o espírito de finura, de sensibilidade, de cuidado e de ternura. O espírito não só pensa e raciocina. Vai além porque acrescenta ao raciocínio sensibilidade, intuição e capacidade de sentir em profundidade. Do espírito de finura nasce o mundo das excelências, das grandes sonhos, dos valores e dos compromissos para os quais vale dispender energias e tempo.

esprit de géometrie é o espírito calculatório e obreirista, interessado na eficácia e no poder. Mas onde há concentração de poder aí não há ternura nem amor. Por isso pessoas autoritárias são duras e sem ternura e, às vezes,  sem piedade. Mas é o modo-de-ser que imperou na modernidade. Ela colocou num canto, sob muitas suspeitas, tudo o que tem a ver com o afeto e a ternura.

Daí se deriva também o vazio aterrador de nossa cultura “geométrica” com sua pletora de sensações mas sem experiências profundas; com um acúmulo fantástico de saber mas com parca sabedoria, com demasiado vigor da musculação, do sexualismo, dos artefatos de destruição mostrados nos serial killer mas sem ternura e cuidado de uns para com os outros,  para com a Terra, para com seus filhos e filhas, para com o futuro comum de todos.

O amor é a vida são frágeis. Sua força invencível vem da ternura com a qual os cercamos e sempre os alimentamos.
 
 
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Será a escola uma utopia?

O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), com o apoio da Fundação Victor Civita, de maio a dezembro de 2012 realizou uma pesquisa para compreender como os adolescentes (1) de famílias de baixa renda encaravam a escola. O resultado está no relatório “O que pensam os jovens de baixa renda sobre a escola” e revelou que eles não veem sentido em muitos dos conteúdos ensinados em sala e reclamam que os professores não usam a tecnologia durante o ensino.

Concluiu-se que as escolas de ensino médio não estão preparadas para lidar com essa juventude em permanente processo de transformação, com estilos próprios, que sente a necessidade de manifestar sua identidade, que busca reconhecimento e autonomia e que dá grande importância à dimensão lúdica: divertir-se, brincar, zoar.

Este ponto fez-me lembrar do aprender brincando, de estudar sim, mas se divertir também, por que não? Existe a possibilidade de a escola não ser tão “chata”. Inúmeras pesquisas e ferramentas a respeito do uso de jogos como recursos para a aprendizagem já existem à disposição dos professores. A WebQuest pode ser usada para engajar os alunos nas tarefas e até mesmo uma simples produção de vídeo com auxílio de um celular com câmera são formas de “brincar” com os assuntos que estão sendo apreendidos.

Contudo, os jovens entrevistados reclamaram da falta de uso de tecnologia pelos professores. Daí vem uma afirmação que tento desmistificar sempre: muitos professores ainda acham que aluno de baixa renda, proveniente de uma comunidade mais carente, estudante de escola pública sem laboratório de informática não conhece computador, nem Internet, nem celular com Internet.

Agora não sou mais eu a dizer isso, mas na pesquisa, essa sobre a qual estamos falando, “todos” (sim, todos) os jovens participantes utilizam a Internet e têm perfil no Facebook – Sim, esses jovens que conhecem a tecnologia são de baixa renda -, porém, menos de 50% deles usam Internet na escola. Em alguns casos, os professores nem conhecem ou não sabem como funcionam essas novas tecnologias.

O que se pode concluir a partir dos resultados é que a escola acaba por distanciar os adolescentes por não ser um ambiente para partilha, para interação, para a criação, principalmente. As disciplinas curriculares, no formato atual, dão ao estudante a sensação de que os conteúdos são inúteis; eles sentem que não precisam aprender [decorar] tudo aquilo.

O fato, que todos sabem e é redundante repetir, mas vou repetir, é que o conhecimento não se constrói somente quando o jovem entra na sala de aula, senta quieto na carteira e ouve o que o professor vai dizer. Até chegar nesse ponto ele já pode ter ouvido de diversas formas a mesma coisa porque hoje ele tem acesso à tecnologia e à informação de uma maneira mais rápida e fácil do que era antigamente, mas ele não pode falar a respeito antes que tenha a vez. A indisciplina ainda é colocada como fator determinante para não organizar trabalhos em grupo, por exemplo, que seria o momento ideal para a criatividade aflorar.

O mais incrível é que quando questionados sobre as suas expectativas quanto à escola, os jovens da entrevista não querem algo de extraordinário. Pedem apenas um espaço bem cuidado e seguro, professores presentes, conteúdos que façam sentido, relações sociais estimulantes e acesso à Internet.
Que as escolas precisam se adaptar e usar tecnologia, todos já sabemos. Bem como sabemos que a culpa não é só do professor, mas de todo um sistema de ensino que não é renovado há anos, portanto, não acompanhou o ritmo da sociedade. No entanto, é preciso perder o medo de não saber, de admitir que não sabe.

Eu lembro que no início do meu trabalho como coordenadora de Programa Jornal e Educação algumas pessoas, desfavoráveis ao uso desse recurso em sala de aula, quando conheciam as minhas oficinas de formação indagavam: “Você acha que os professores não sabem ler? Você acha que precisa ensinar os professores a lerem jornal?” Eu percebia aí um receio em ter um meio de comunicação frequentando as aulas e a falta de percepção a respeito da leitura de jornal, que não é um simples texto em um papel, bem como não é uma atividade para a disciplina de Língua Portuguesa (como ainda pensam muitos “gestores” de escolas). E até hoje percebo a indiferença de muitos, que menosprezam o trabalho com mídia na educação.

Ler textos jornalísticos em sala de aula é dar ao aluno a oportunidade de descontruir a mídia, é encarar a sociedade da informação, é questionar o que estão dizendo que eu preciso saber. É claro que os professores sabem ler o texto no papel jornal, mas saberiam ler a mídia com a toda a sua estrutura pensada para conquistar os olhos do leitor? Explicar o que é uma Manchete para quem não é da área de jornalismo é extremamente difícil, querer que as pessoas entendam que notícia é uma coisa e reportagem é outra é uma missão quase impossível.

Daí alguém está lendo este texto e diz: “E daí, o que vai mudar na minha vida saber disso. É tudo jornal!”. E eu respondo: Vão mudar os seus olhos, os seus ouvidos e a sua mente quando se deparar com uma matéria de televisão que tenta enganá-lo e direcioná-lo a ter uma opinião que pode não ser a sua, como acontece neste vídeo.

Depois de assistir, vai pensar: por que não ajudar os jovens (os meus filhos) nessa leitura? Eles sabem usar a Internet, mas, muitas vezes, não sabem receber a informação e refletir sobre ela.

O que eu defendo é que quanto mais cedo o aluno encontrar na escola uma extensão da sua vida, aquela em que ele vive, na qual se alimenta, chora, ri, sente, sofre, ao invés de uma caixa fechada com frestas que geram a vontade de sair e conviver com o que há fora, mais autonomia ele terá para decidir o seu papel na sociedade.

Ele precisa conhecer a mídia, ler a mídia com “todos” os professores conversando com ele sobre isso, e com todos os professores agindo realmente em comunidade. A comunidade escolar só é construída se há pessoas atuando em conjunto naquele espaço.

Se o aluno, desde os primeiros anos escolares, consegue fazer uma leitura de jornal impresso, compreendendo a construção do fato (porque fatos são construídos, notícias são construídas a partir da visão que o repórter tem dos fatos), ciente de como a sua opinião é formada diante daquilo, relacionando a informação do jornal com o que está ao seu redor, ele percebe que a escola faz sentido porque ela está permitindo-lhe falar; percebe que a escola gera conhecimento, portanto, vale a pena estar ali.

Ficará mais fácil para o professor levar novos recursos tecnológicos para as suas aulas porque seus alunos já estarão preparados para encarar os meios de comunicação, e a escola poderá deixar de ser uma utopia.

(1) Os grupos focais foram compostos por jovens de 15 a 19 anos, de São Paulo e Recife, que ainda estudam ou abandonaram o ensino médio, com renda familiar inferior a 2.500 reais.

Fonte: Adital.
 
 
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Mais eólica e mais solar sem medo


Novo relatório da IEA (Agência Internacional de Energia) mostra que já é possível ter elevadas porcentagens de energia eólica e solar – contribuindo com até mais de 30% da produção de eletricidade de um país – sem problemas de segurança energética e sem custos elevados. Hoje, a participação destas fontes na matriz brasileira não chega a 1%,  no entanto, o cenário [R]evolução Energética prevê 40% para 2050.

A energia eólica e a solar fotovoltaica são cruciais para atender as futuras demandas de energia sem ter que usar fontes sujas e poluentes como combustíveis fósseis. O uso dessas duas fontes renováveis cresceu amplamente nos últimos anos e a expectativa é a de que essa tendência continue por décadas.

A novidade do estudo é que este desmistifica o medo em relação às elevadas participações de energias renováveis intermitentes, assim chamadas porque não geram energia o tempo todo uma vez que dependem de fatores como o sol e o vento.

O relatório mostra que integrar os primeiros 5% a 10% de geração intermitente não coloca desafios técnicos e econômicos desde que existam três condições: não estarem geograficamente concentradas, possuir boa previsibilidade do funcionamento das fontes e estabilização do grid. Já para ir além de 30% de participação, é necessário alterar o sistema elétrico e quanto mais estável este é menos alterações serão necessárias.

Em países como Brasil, Índia e China , a energia eólica e a solar podem ser soluções economicamente viáveis para incrementar o aumento de demanda por energia. A integração da atual rede de eletricidade com essas fontes intermitentes pode, e deve, ser uma prioridade. “As economias emergentes têm uma oportunidade diante delas. Elas podem dar um salto no século XXI e serem beneficiadas”, afirmou Maria van der Hoeven, diretora executiva da IEA.

Fonte: greenpeace.org.br 


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Com 1,71 milhão de toneladas, ONU reduz emissões de CO2


Estudo traz os dados de 2012, que foram menores do que o ano anterior; foram avaliadas 64 agências e escritórios da ONU, com 225 mil funcionários pelo mundo; maior parte das emissões foi emitida por aviões.
As Nações Unidas divulgaram um balanço de suas emissões de dióxido de carbono em 2012. Naquele ano, a organização lançou 1,71 milhão de toneladas de CO2, 2% a menos do que o emitido em 2011. A quantidade equivale aos gases gerados por 86 mil casas nos Estados Unidos.

A publicação da ONU avalia o próprio impacto da organização na mudança climática e faz parte do seu compromisso em se transformar numa entidade de “clima neutro”.

Via Aérea

Foram avaliadas as emissões de CO2 por 64 escritórios e agências da ONU, que têm cerca de 225 mil funcionários pelo mundo. Assim como em outros anos, metade dos gases, ou 866 mil toneladas, tiveram origem em viagens de avião.

Este é um dos desafios para a organização, já que muitas missões de paz utilizam o transporte aéreo e parte da entrega de ajuda humanitária é feita por via aérea, por exemplo.

Economia

O documento traz progressos feitos em 2012. A União Internacional das Telecomunicações, por exemplo, economizou US$ 9 milhões e 27 milhões de kg de CO2 usando um sistema remoto e interativo para reuniões.

Já a Agência de Assistência aos Refugiados Palestinos implementou uma medida de eficiência energética e conseguiu reduzir suas pegadas de carbono, além de economizar US$ 70 mil em combustível.

O Secretário-Geral Ban Ki-moon agradeceu o compromisso dos funcionários em melhorar a performance da ONU e ressaltou que a organização está comprometida a continuar reduzindo suas emissões de CO2.

Fonte: Rádio ONU.


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Instituições científicas cobram ações para lidar com mudanças climáticas


Nessa quinta-feira (27), dois respeitados centros científicos, a Sociedade Real de Londres e a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, divulgaram uma publicação na qual afirmam que “agora é mais certo do que nunca, baseado em muitas linhas de evidência, que os seres humanos estão mudando o clima da Terra”.

O documento, Climate Change: Evidence and Causes (Mudanças Climáticas: Evidências e Causas), aponta que as alterações no clima são uma das questões que definem a nossa época, e que, apesar de já serem inevitáveis, mais esforços são necessários para reduzir as emissões de gases do efeito estufa para evitar impactos severos nos ecossistemas e na vida humana.

O texto também ressalta que os governos não podem adotar uma atitude passiva em relação às mudanças climáticas. “Cidadãos e governos [...] podem esperar que mudanças ocorram e aceitar as perdas, danos e sofrimento que surgirem. [Ou] eles podem se adaptar às mudanças reais e esperadas tanto quanto possível”, afirma o documento.

As instituições enfatizam ainda que, apesar da desaceleração do aquecimento global ocorrida nos últimos 15 anos, não se pode negar a veracidade das mudanças climáticas, até porque há explicações para essa desaceleração e outras evidências que comprovam as transformações no clima.

O que costuma se chamar de ‘hiato’ ou ‘pausa’ no aquecimento global é o fato de que, nos últimos 15 anos, o aumento das temperaturas desacelerou. Simulações sugerem que o aquecimento deveria ter continuado em um ritmo médio de 0,21ºC por década entre 1998 e 2012, mas o que se observou é que o fenômeno durante esse período foi de apenas 0,04ºC por década.

“Tendências climáticas relevantes não devem ser calculadas com períodos de menos de 30 anos. Uma desaceleração em curto prazo no aquecimento da superfície da Terra não invalida nossa compreensão de mudanças de longo prazo nas temperaturas globais decorrentes de alterações induzidas pelo ser humano nos gases do efeito estufa.”

Os acadêmicos informaram ainda que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera é a maior em pelo menos 800 mil anos e 40% mais alta o que era no século XIX. Além disso, a velocidade do aquecimento global está agora dez vezes mais acelerada do que no final da última Era do Gelo, o que representa o período mais rápido de mudanças de temperatura em escala global na história. Isso deve fazer o mundo aquecer entre 2,6ºC e 4,8ºC até o final deste século.

“As evidências são claras. Contudo, devido à natureza da ciência, nem todos os detalhes são totalmente estabelecidos ou completamente confirmados. Nem todas as questões pertinentes foram ainda respondidas.”
“Algumas áreas de intenso debate e pesquisas em curso incluem a ligação entre o calor dos oceanos e a taxa de aquecimento, estimativas de quanto aquecimento esperar no futuro e conexões entre mudanças climáticas e eventos climáticos extremos”, conclui o documento.

Ondas de calor

Ajudando a esclarecer algumas dessas dúvidas, cientistas da Austrália, Canadá e Suíça apresentaram um estudo nesta quarta-feira (26) que indica que, apesar na desaceleração do aquecimento global nos últimos anos, os extremos de calor aumentaram em quase todas as partes do mundo.

O relatório sugere que as áreas da superfície da Terra com 10, 30 ou 50 dias de extremo calor por ano aumentaram desde 1997 em relação à média anterior, algumas vezes mais do que dobrando.

Os maiores ganhos ocorreram no Ártico e nas latitudes médias. “Não apenas não há pausa na evolução dos extremos diários mais quentes na superfície, mas eles também não diminuíram em relação ao registro de observação.”

Isso é particularmente preocupante porque os extremos são o que mais importam para a agricultura, vida selvagem e seres humanos, já que podem aumentar as taxas de óbito, especialmente entre os idosos, prejudicar colheitas e tornar o fornecimento de água e energia mais difícil.

Alguns exemplos são a onda de calor na Rússia em 2010, que matou mais de 55 mil pessoas, a onda de calor na Europa em 2003, que matou 66 mil pessoas, e o recorde de temperatura de 53,3ºC no Paquistão em 2010, o mais alto da Ásia desde 1942.

Embora os pesquisadores ainda não saibam explicar exatamente por que os extremos de calor continuaram a aumentar apesar do hiato, uma hipótese é que os oceanos tenham absorvido o calor da atmosfera e reduzido o aquecimento global geral, mas a terra continuou exposta aos extremos. Segundo eles, não há evidências de que esse aumento nos extremos seja temporário.

“Não há razão para esperar que [a tendência de mais extremos de calor] vá parar”, observou a autora Sonia Seneviratne, do Instituto para Ciência Atmosférica e Climática de Zurique, à Reuters.

Fonte: CarbonoBrasil.




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