sábado, 25 de maio de 2013

Falta de água potável impede certificação de unidades produtivas quilombolas do Vale do Ribeira


Conhecido por sua beleza e biodiversidade de águas e nascentes, o Vale do Ribeira (SP) vêm sofrendo com a falta de água potável em algumas comunidades. Em Iporanga, por exemplo, fica a Casa do Mel do quilombo de Porto Velho que para funcionar de acordo com as normas sanitárias precisa de água de boa qualidade.

Há tempos, a comunidade de Porto Velho, em Iporanga, no Vale do Ribeira, reivindica uma solução para o abastecimento de água potável às famílias. Por conta da composição geológica do terreno, a água das nascentes é salobra e essa falta de água de qualidade têm trazido problemas de saúde para os moradores. Além disso, é em Porto Velho que funciona Casa do Mel, inaugurada em outubro de 2011, e a associação do quilombo precisa agora registrar as unidades de beneficiamento de mel e de mandioca. (veja quadro no final do texto) Para conseguir a Certificação Sanitária as unidades produtivas precisam de água de boa qualidade.

Por essa razão, a Associação Quilombola de Porto Velho reuniu-se no dia 29 de abril com parceiros – Instituto Socioambiental e Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo – e órgãos governamentais – Sabesp, Prefeitura de Iporanga, Câmara Municipal de Iporanga e Prefeitura de Itaóca, que também sofre com a falta d’água – para buscar uma solução.

O representante da Sabesp, Flávio Rocha apresentou as possibilidades de colaboração da empresa com as prefeituras na solução do problema e também as dificuldades, principalmente porque os custos de trazer água tratada e esgoto para a zona rural ainda são muito altos. Ele destacou, porém, que não é impossível pensar em uma estratégia de estender a rede de Itaóca até Porto Velho, que embora fique no município de Iporanga está territorialmente mais próximo de Itaóca.

Os prefeitos de Iporanga e Itaóca, Valmir da Silva e Rafael Rodrigues de Camargo respectivamente reconheceram o problema da água e se comprometeram a buscar uma solução. Ao fim da reunião, os presentes elaboraram uma carta destinada aos órgãos públicos do Estado de São Paulo – Casa Civil, secretário de Saneamento e Recursos Hídricos e Conselho Curador da Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania. Os prefeitos se responsabilizaram por levar a discussão à Casa Civil e Secretaria de Recursos Hídricos e buscar solução conjunta entre os dois municípios para viabilizar o abastecimento de água potável para as unidades de beneficiamento nas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira.

A Casa do Mel de Porto Velho é o resultado de um projeto da comunidade em parceria com o Instituto Socioambiental e o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), com apoio da Fundação Banco do Brasil. Em 2013, o projeto foi ampliado para atender as demandas nas atividades de manejo e comercialização do mel de mais cinco comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. Mas sem água de boa qualidade, o projeto todo estará prejudicado.





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