terça-feira, 21 de agosto de 2012

Quando o lixo deixa de ser problema


Não há nada mais primitivo do que um país enterrar seu lixo. Há muitos anos, países como Holanda, Noruega, Dinamarca e Alemanha têm programas de aterro zero. Todo o resíduo urbano é tratado com coleta seletiva, reciclagem e disposição final ambientalmente adequada, sendo a maioria reaproveitada como recuperação energética, sem destinar resíduos a aterros. No Brasil, ainda estamos longe dessa situação, mas há avanços significativos nessa direção.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305) estabelece diretrizes para minimizar os aterros e banir os lixões até 2014. No Brasil, segundo cálculo da Confederação Nacional dos Municípios, existem aproximadamente 4,7 mil cidades que utilizam apenas lixões como destinação dos resíduos urbanos. Cerca de 70% dos resíduos sólidos urbanos do país são destinados a lixões e aterros controlados, a maneira inadequada de destinação final.

Há exemplos do impacto negativo dos aterros no Brasil. É o caso do Aquífero Guarani, considerado a maior reserva subterrânea de água doce do mundo. Aproximadamente 70% do Aquífero, o equivalente a 1,2 milhão de quilômetros quadrados, está no subsolo do Brasil, na região centro-sudeste, ocupando desde Goiás até o Rio Grande do Sul, além de passar, também, pelo Paraguai, Uruguai e Argentina. A reserva do Aquífero é estimada em 45 mil quilômetros cúbicos de água. Quantos aterros inadequados existem sobre essa reserva de água? Qual é o grau de contaminação existente? Como minimizar os impactos dos aterros no Aquífero Guarani e nos grandes centros metropolitanos?

Existem alternativas que contribuem para a eliminação de grande quantidade de resíduos sólidos, principalmente os industriais, reduzindo consideravelmente o lixo destinado aos aterros. Além de oferecer ganhos para o meio ambiente, essas alternativas representam economia de gastos para o poder público e, portanto, para o contribuinte. A reciclagem de resíduos sólidos é necessária para reduzir o volume de resíduos para destinação final e está contemplada no Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis, do Ministério do Meio Ambiente, em consonância com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

A recuperação energética, que utiliza resíduos após a reciclagem, constitui a maneira mais eficiente para a destinação final ambientalmente adequada. O coprocessamento de resíduos urbanos em fornos de fabricação de cimento tem sido utilizado em larga escala em países desenvolvidos. No Brasil, a atividade é regulamentada e está contemplada na Política Nacional de Resíduos Sólidos como a alternativa promissora para contribuir para a melhor destinação final, evitando enterrar o lixo, principalmente sobre o Aquífero Guarani e evitando o comprometimento e contaminação dessa reserva natural, principalmente para nossas gerações futuras.

O coprocessamento consiste na destruição térmica de resíduos durante o processo de produção do cimento, com a substituição parcial da matéria-prima ou do combustível. Essa prática tem dado à indústria cimenteira um novo e relevante papel no âmbito da promoção da sustentabilidade e do equilíbrio ambiental. Adotado pela indústria no início da década de 1990, é, em muitos casos, a solução mais eficiente e econômica para a gestão de resíduos, sem representar risco à qualidade do cimento portland e ao meio ambiente. Somente em 2011, foram coprocessadas no Brasil 1,16 milhão de toneladas de resíduos (industriais, pneus, solos contaminados, lama de tratamento, entre outros), por meio dessa tecnologia.

No período de 1991 a 2011 foram coprocessados oito milhões de toneladas de resíduos. Só no ano passado, 220 mil toneladas de pneus usados foram coprocessados em fornos de cimento, o equivalente a 45 milhões de unidades, que, enfileiradas, iriam do Rio de Janeiro a Tóquio. Um único forno, com capacidade de produção diária de mil toneladas de clínquer, pode consumir até cinco mil pneus por dia.

Além de pneus, os fornos eliminam resíduos de diversas indústrias, principalmente dos setores químico, petroquímico, metalúrgico, de alumínio, automobilístico e de papel e celulose. Os produtos mais comuns são borrachas, solventes, tintas e óleos usados, borras de petróleo e de alumínio, e ainda solos contaminados e lodos de centrais de tratamento de esgoto.

O coprocessamento representa uma ferramenta de gestão ambiental na destinação de resíduos sólidos urbanos. Esta contribuição da indústria se torna mais significativa quando verifica-se que o Brasil descarta diariamente quase 200 mil toneladas de resíduos sólidos – menos de 2% desse volume é reciclado e quase 40% são lançados no ambiente de forma inadequada.

 Mario William Esper é gerente de relações institucionais da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland).

Fonte: Envolverde


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