domingo, 8 de março de 2009

Também queremos nadar num rio grande


“A minha liberdade não deve procurar captar o ser, mas desvendá-lo”.
Simone Beauvoir

Há um tempo escrevi na Coluna um texto centrado em uma palavra: Participação. Sirvo-me dele novamente para falar da quase mágica expressão e do Oito de Março – o nosso Dia Internacional da Mulher.
Nos últimos 20, 30 anos a dita cuja foi usada aqui e ali, muitas vezes de forma leviana. Desde os chamados anos de chumbo, pós-64, o clamor da sociedade civil pelo retorno do “estado de direito” fez da participação uma reivindicação constante. E foi bonito de ver a sociedade participar de fato. Hoje, já em outro contexto, não é diferente. Escutamos por todo canto alguém convocando a massa a participar.
Se formos trabalhar no campo da vontade, a gente vai perceber que a coisa não é tão fácil assim de acontecer. Participar não deve ser um ato desprovido do querer, do saber e do poder. “Querer” pressupõe vontade, disposição, compromisso. “Saber” implica ter conhecimento, habilidade, competência. “Poder”, por sua vez tem a ver com potência, ação, resultados. Portanto, participação compreende formação, informação e mobilização. É produto e processo, ao mesmo tempo.
A participação tem sido tema constante da agenda social. Há tempos, movimentos sociais envolvem milhares de brasileiros. E a gente, que não é bobo, ainda lembra de cuca fresquinha das “Diretas-Já!”, das denúncias do “Grupo Tortura Nunca Mais” etc. Naquela época, ressurgia no país com toda a força os movimentos sociais. Havia um objetivo comum: superar a ditadura civil-militar e devolver a democracia, sem adjetivos.
A construção de um novo modelo de desenvolvimento para o nosso país passa pela concepção de educação e pelo projeto educacional que se quer implementar. E passa também por um projeto que não seja excludente, no qual a participação feminina seja evidente e forte.
Queremos neste momento caminhar junto, participar da grande jornada ao lado de nossos companheiros. Temos muito o que conquistar ainda: igualdade salarial, a democratização do acesso a educação e a saúde em todo país, a implementação de fato de leis de proteção a mulher, sem falar de iniciativas fundamentais para mulheres de baixa renda como creche para seus filhos.
O enfrentamento consequente dos problemas educacionais deve criar as condições necessárias para as transformações que resultem em novas políticas e na materialização das medidas fundamentais para superação da herança recebida ao longo dos últimos anos. Principalmente em relação a educação.
Quanto mais acesso a menina tiver a escola, mas cidadã ela será quando se tornar uma mulher. E com isso saberá se defender
Estamos falando de atendimento aos direitos sociais e a universalização da educação em todos os níveis e modalidades. Esse desafio requer a priorização da educação nos planos de governo e o aumento das verbas para a educação.
Recriar a escola, extinguindo os pilares que sustentam a exclusão: de gênero, étnica e a exploração de classe. Alertamos que nós mulheres lutamos não apenas contra a opressão machista, e reivindicamos igualdade entre os sexos, combatendo o sexismo, exigindo espaço social e político, mas fundamentalmente combatendo o capitalismo que sobrevive da fome e da pobreza de mais da metade da população mundial.
Com base nessas considerações, podemos confirmar que precisamos exercitar a nossa cidadania. Em nossa cidade, por exemplo, nas reuniões das associações de moradores, nos sindicatos, na Câmara de Vereadores, na Prefeitura e principalmente nos espaços de elaboração política como as Conferências, Conselhos, Seminários, Fóruns, sejam eles no âmbito local, estadual ou federal. Queremos participar.
Alguém, que não me lembro no momento, um dia comentou “Quero nadar num rio grande, com acesso a tudo”. Há algo mais bonito que isso? Nós também queremos.

Participe!

Profª Guilhermina Rocha
Especialista em Educação e Historiadora
Colunista do Jornal Razão - Rio das Ostras
Avenida das Flores, nº 394 – Bairro Residencial Praia Âncora
Rio das Ostras – RJ
Telefone: (22) 2760-6238 / (22) 9834-7409

CEPRO – Um projeto de cidadania, educação e cultura em Rio das Ostras

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