quarta-feira, 22 de abril de 2009

E o amanhã?




“As sociedades modernas sinalizam o futuro e querem edificá-los. Mas pode-se perguntar: com o indivíduo cada vez mais massificado, mais conformista, ele ainda é capaz de desempenhar este papel?
Desde o início da modernidade, a idéia de que o homem é um ser que cria sua própria condição fez parte do arsenal teórico da filosofia política. Michel Focault diz que o homem é um projeto recente e que “tende a desaparecer da história como um rosto desenhado na areia do mar”. Ao ver as tecnologias que nós mesmos criamos e que hoje imperam na nossa vida podem contribuir para isso? As condições que nós criamos para o mundo em que vivemos acabarão nos denominando?
E o que esperar do futuro? As diversas promessas de um futuro melhor são sempre apresentadas. E hoje, nos leva a pensar...
Veja só, a promessa exige longo prazo. Quando você promete alguma coisa, está incluída a idéia de dúvida, você se vai conseguir cumprir ou não. Então precisa do tempo longo para saber se cumpriu a promessa.
Hoje só se fala do futuro para justificar o que é o presente, não existe mais a idéia do tempo longo e o que vai acontecer.
E o mal-estar vem muito dessa dissolução da idéia de futuro. E como a gente fala de futuro?
Fala em mercados futuros, o futuro virou mais um valor de troca. Então quando se fala: ”os jovens não têm expectativa de futuro”. Porque esse capitalismo produz uma cultura e uma educação cuja atividade cerebral é próxima a zero.
E aí querem que a juventude faça o quê? Vira delinqüente ou entediado.
O tempo que lhe é imposto como forma por excelência da vida é o consumo de bens materiais. Sem nenhum ideal de espírito.
Rousseau, no século XVIII, é que começa a delinear o tom defensivo que caracteriza toda a política a favor da defesa do meio ambiente desde então. Ou seja: o espetáculo da construção da história parece totalmente entregue às forças transformadoras da razão instrumental.
E tais forças tendem a respeitar, como é notório, qualquer limite, qualquer forma de autocontrole. Elas são constituídas por um exemplo de fatores que se estende do individualismo capitalista à suficiência por assim dizer fatalista das inovações tecnológicas.
E é em face dessa verdadeira avalanche, cega aos limites entre a transformação e depredação, que deve-se educar-se a consciência crítica; daí o seu caráter defensivo.
A continuidade da generalização do modelo de organização econômica dos países ricos não levará a homogênea universalização do bem estar global. Pelo contrário, conforme explicou Celso Furtado, a reprodução mimétrica do padrão de crescimento dos ricos entre as nações periféricas resulta na internalização aprofundada do subdesenvolvimento, com a necessária marginalização das parcelas carentes da população.
Em outras palavras: a consciência crítica debate-se dentro do paradoxo: ela se quer atuante, mas chega tarde demais, e essa talvez seja a condição de seu próprio vigor.
Nem é preciso lembrar, como por exemplo, esse escândalo maior que é a situação da Floresta Amazônica.
Por tudo isso tem que ensinar a estimular o pensamento. O Português, por exemplo, nos parâmetros curriculares nacionais consta assim: ”o ensino da língua portuguesa visa criar cidadãos responsáveis.” Pronto. Quer dizer, não tem literatura. Aí a criança é analfabeta secundária por quê? Por que não aprendeu a ler através da literatura. Então na hora que você pega um texto mais complexo, não dá Para entender. Essa idéia de que a educação tem que atender a sociedade é a incivilidade absoluta. Você dá um pouquinho rápido e só. Nós não temos todo o tempo da educação, que é o tempo de aprender a lidar com o tédio. Agora, essa escola é o tédio, ela não ensina a lidar com o tédio. Por que o tempo não existe, você tem que passar rápido para outra coisa.
E a pergunta que não quer calar: E o amanhã?

Profª Guilhermina Rocha
Especialista em Educação e Historiadora
Presidente do CEPRO
Colunista do Jornal Razão - Rio das Ostras
Email: guilherminarocha@oi.com.br

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