segunda-feira, 12 de maio de 2014

De novo, os transgênicos na mesa das discussões


É preciso prestar atenção. Em meio a notícias das últimas semanas sobre a possibilidade de aumentar muito, principalmente para a China, as exportações brasileiras de grãos, especialmente de soja, chegam também informações sobre o recrudescimento das controvérsias e das decisões judiciais sobre transgênicos em muitos países – e que podem afetar mercados.

Pode-se começar pela França, que acaba de proibir ali o cultivo de milho geneticamente modificado, por decisão da mais alta corte de Justiça do país, confirmada também pelo Senado, depois de haver passado pela Câmara Baixa (noticias.br.ms.com/economia, 6/5). Da mesma forma, o Conselho de Estado rejeitou pedido de produtores do milho modificado para que a proibição de plantio fosse revogada. E o Ministério da Agricultura há dois meses já proibira o plantio da única variedade de milho transgênico resistente a insetos liberada na União Europeia (UE). O caso ainda vai ser julgado pela UE, mas os países-membros podem tomar decisões em seus territórios.

Do outro lado do mundo, artigo publicado pela Academia Militar de Ciências da China está causando alvoroço ao dizer que há evidências de danos à saúde de 1,3 bilhão de chineses pela soja importada – e isso pode levar ao banimento total das compras do produto no exterior (www.realfarmacy.com/chinese-ministry-newspaper), “principalmente nos Estados Unidos e no Brasil”. Não por acaso, o país rejeitou há pouco (AS-PTA, 28/3) nada menos do que 887 mil toneladas de sementes transgênicas de uma variedade de milho. E também lá o governo central divulga estudo segundo o qual um quinto das terras agrícolas no país está contaminado – e em processo de degradação – por metais tóxicos que podem provir de produtos químicos e outros insumos usados.

No Sri Lanka foi proibido o uso de glifosato em culturas transgênicas, por estar “relacionado com milhares de mortes de trabalhadores rurais”. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulga (14/3) que encontrou resíduos de transgênicos em 198 casos, principalmente com arroz, milho e mamão.

Até nos Estados Unidos a questão ressurge, em Vermont, Oregon, que pode vir a ser (2/5) o primeiro Estado a exigir rotulagem de transgênicos, com lei já aprovada no Legislativo local e à espera de sanção pelo governador. Em outros 30 Estados há discussões a respeito, inclusive com parlamentares pedindo que a questão da rotulagem seja decidida em nível federal (The Wall Street Journal, 29/4). Mesmo com toda a reação, os transgênicos em cinco países representam 90% da produção, segundo a cientista Mae-Wan Ho (Eco 21, fevereiro de 2014).

É possível que a questão volte a incendiar-se por aqui. Uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) obtida pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação impede que entre em vigor – até o julgamento final pelo STF – decisão do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, de agosto de 2012, que exige a rotulagem de transgênicos, seja qual for o porcentual no produto. No Distrito Federal, o Ministério Público pede à Justiça que suspenda o uso de glifosato e de 2,4D e de seus princípios ativos (AS-PTA, 28/3).

São questões que envolvem altos interesses. Apenas nove fabricantes multinacionais de produtos transgênicos tiveram faturamento de US$ 8,9 bilhões em 2011/2012 (eram US$ 2,5 bilhões em 2000). No Brasil, para este ano, está prevista extensão de lavouras transgênicas a vários pontos, inclusive ao Tocantins, autorizado oficialmente ao plantio de algodão, para combater a praga Helicoverpa armigera. No País todo, o algodão geneticamente modificado chegará, na safra 2013/2014, a 710 mil hectares, ou 65% da área total destinada ao cultivo da pluma (O Popular, 2/5). Na safra anterior, foram 49,4% da área total. Razão invocada para a expansão: a variedade modificada sofre menos com a estiagem. E, além disso, o custo é considerado compatível com as possibilidades: R$ 1 mil por hectare. O preço médio do mercado internacional está entre US$ 0,80 e US$ 0,85 por libra-peso.

Embora na área científica pululem controvérsias sobre o tema das culturas geneticamente modificadas, na prática rural estas têm seguido até aqui de vento em popa, com os argumentos de rentabilidade maior, perdas menores e mercado externo em expansão. Internamente, além do questionamento sobre o direito do consumidor de saber o que está comprando – com a rotulagem obrigatória, defendida pelo Ministério Público e pelos órgãos de defesa do consumidor -, avolumam-se as críticas à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que ainda não leva em conta tratados internacionais assinados pelo Brasil que pedem a observância ao princípio da precaução. Da mesma forma, despreza ela as posições dos Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente e de seus representantes na comissão, que pedem estudos prévios de impacto em cada caso – seja para proteger os biomas envolvidos na questão, seja por causa da proteção ao consumidor.

Desde o primeiro governo Lula esses temas têm estado em discussão, mas a proteção dos plantios de geneticamente modificados tem vencido sistematicamente – mesmo que à custa de dissensões políticas internas ou da necessidade de reformular a composição da CTNBio.

É preciso considerar, ainda, que a administração federal parece acreditar cada vez mais na possibilidade de enfrentar as questões do déficit comercial na balança com o avanço das exportações de produtos primários. É uma posição que, isolada de outros fatores, ao longo da História, tem nos levado a muitos impasses. Seja como for, é um caminho que não se deve sobrepor aos direitos dos cidadãos.

Não bastasse isso tudo, ainda temos um novo caso de doença da vaca louca em Goiás, gerando embargos a nossas carnes no exterior; e o primeiro caso de cabra clonada, transgênica, no Ceará. Até o velho sanfoneiro Luiz Gonzaga deve estar se revirando no além com tanta preocupação.

Washington Novaes é jornalista.



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sexta-feira, 9 de maio de 2014

De bike ao trabalho


Nesta sexta, dia 09/05, o Bike Anjo está realizando o Dia de Bike ao Trabalho: um evento anual realizado em várias partes do mundo para mostrar que a bicicleta é uma opção viável de transporte para o trabalho.

O Greenpeace está apoiando a iniciativa junto com mais 60 parceiros, e para que você possa participar de qualquer lugar do Brasil, fizemos um bilhetinho para colocar nos carros que se esqueceram de ficar em casa nessa data.

Além de lembrar do Dia de Bike ao Trabalho, o Greenpeace mostra como o investimento nos estádios da Copa poderiam ser utilizados para infraestrutura de mobilidade, em especial cicloviária. Com o aumento de 263% dos custos previstos para as obras nos estádios, seria possível construir uma ciclovia de São Paulo até Manaus.

Façam o download, imprimam frente e verso, recortem e espalhem a mensagem nos retrovisores dos veículos! É só clicar aqui.
 
Fonte: greenpeace.org.br
 
 
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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Mobilidade: o legado que não veio


Levantamento do Greenpeace mostra que os gastos com estádios da Copa dispararam, enquanto investimentos em projetos de mobilidade urbana minguaram
Investimentos em mobilidade despencaram, enquanto custos dos estádios incharam.

Dos mais de 60 projetos de mobilidade urbana prometidos entre 2010 e 2013 para as cidades que vão sediar a Copa do Mundo, mais de um terço foi riscado da lista, sobrando 42 empreendimentos. Isso significa que quase R$ 3 bilhões deixaram de ser investidos no setor em obras para o início do Mundial. Já os recursos destinados aos estádios seguiram caminho oposto: dos R$ 5,6 bilhões previstos inicialmente, o número saltou para mais de R$ 8 bilhões. O levantamento foi feito pelo Greenpeace, com informações públicas disponibilizadas pelo governo federal no Portal da Copa.

Os dados foram retirados da Matriz de Responsabilidade, um documento assinado em janeiro de 2010 por governadores e prefeitos das 12 cidades-sede. Nele, se comprometeram com planos de investimento e ações que iriam melhorar a infraestrutura das cidades em vários aspectos, como segurança, telecomunicações e mobilidade urbana. A última atualização do documento oficial é de novembro de 2013.

Mas de lá para cá, veículos de imprensa vêm noticiando que a conta dos estádios já beira os R$ 9 bilhões.
“Quando o Brasil foi anunciado como país-sede do maior evento esportivo do mundo, uma antiga promessa voltou à tona: com a Copa, viria o legado da mobilidade urbana. A um mês da bola rolar, milhões de brasileiros continuam esperando essa promessa em metrôs e ônibus abarrotados e caminhando ou pedalando por vias absolutamente precárias”, critica Barbara Rubim, coordenadora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

Os números das cidades

O legado que não veio pode ser visualizado nos dados. Em 2010, por exemplo, Porto Alegre anunciou, na Matriz de Responsabilidade, 13 projetos para melhorar sua mobilidade. Três anos depois, 11 empreendimentos já estavam fora da lista. De R$ 1 bilhão prometido, apenas R$ 16 milhões estão virando infraestrutura que vai ficar pronta até a Copa. Já os custos com o estádio Beira-Rio quase triplicaram: foram de R$ 130 milhões para R$ 330 milhões, com 85% financiados pelo governo federal.

Em Manaus, a situação é ainda pior. Dos dois empreendimentos de mobilidade urbana previstos para a cidade – num total de R$ 1,5 bilhão –, nenhum vai sair do papel até o início dos jogos. Já o estádio Arena Amazônica, construído com 40% de recursos estaduais e 60% de financiamento do BNDES, teve seus custos ampliados em 30% entre 2010 e 2013: de R$ 515 milhões, o valor foi para R$ 669,5 milhões.
Os custos para colocar de pé a Arena Fonte Nova, em Salvador, também incharam. Inicialmente orçado em R$ 591,7 milhões, o estádio já custa mais de R$ 669,5 milhões aos cofres estaduais – mais da metade levantado por financiamento federal. Já os recursos para projetos de mobilidade minguaram entre 2010 e 2013. Se no início a previsão para o setor era de R$ 567,7 milhões, hoje não passa de R$ 19,5 milhões.

“A discrepância entre os gastos com estádios e com mobilidade demonstram uma inversão de prioridades em que mais uma vez a população sai perdendo. A mobilidade nas cidades continua emperrada e nada democrática”, diz Barbara Rubim, do Greenpeace. “O país está perdendo mais uma oportunidade de atacar um de seus grandes problemas estruturais. Os resultados negativos disso superam de longe os investimentos necessários para oferecer à população transporte público de qualidade e infraestrutura adequada para ciclistas e pedestres”.
Enquanto as emissões de gases estufa do setor brasileiro de transportes crescem sem freios – foram 143% de aumento entre 1990 e 2012 – as mudanças climáticas mostram sua face. Secas no Sudeste, enchentes no Norte e outros eventos climáticos extremos ao redor do mundo causam tragédias, afetam milhões de pessoas dão incontáveis prejuízos e indicam que estamos caminhando na contramão.

“Quando a Copa passar, os problemas vão continuar. Já passou da hora de os governos saírem das promessas e encararem de frente uma demanda que está colocada muito claramente pela população. Os brasileiros não merecem ficar horas no trânsito todos os dias, esperar por metrôs e ônibus lotados e pedalar por vias precárias”, diz Barbara. “A imobilidade urbana que temos atualmente faz mal para a população e para o clima do planeta”.

Para baixar os gráficos com os dados, clique aqui.

Fonte:greenpeace.org.br


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Projeto cria reserva de desenvolvimento sustentável na Ilha Grande, no Rio


Da Agência Brasil
 
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou hoje (6) o projeto de lei que cria a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aventureiro, em Ilha Grande, região sul fluminense. O objetivo é garantir que 220 caiçaras que vivem na região há décadas, antes mesmo da criação da Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, possam manter suas atividades de pesca. O governador Luiz Fernando Pezão tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar a proposta.

O projeto trata da criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aventureiro, resultante da redução do limite da Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e da nova reserva do Parque Estadual Marinho do Aventureiro. Ela inclui uma porção terrestre e outra marinha. A finalidade é conciliar a preservação dos ecossistemas e da cultura caiçara, valorizando os modos de vida tradicionais dessa comunidade de pescadores.

A reserva foi criada em uma área que pertencia à Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, por isso só será permitida a pesca de caráter artesanal, sob controle e gestão do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e da população beneficiária da unidade.

De acordo com o autor da proposta, deputado Carlos Minc (PT), a Ilha Grande tem sido mais protegida, nos últimos anos. “Uma das primeiras medidas que tomei quando estava na Secretaria Estadual do Ambiente foi dobrar o Parque Estadual de Ilha Grande, de 6 mil hectares para 12 mil hectares (1 hectare equivale ao tamanho de um campo de futebol oficial), colocando várias praias limpas na região. Foi uma guerra para colocar Lopes Mendes e várias outras. Agora estão trabalhando no saneamento em quatro praias", comemorou.

O deputado propôs uma redução de 2,7% da área original, que passa a integrar a nova reserva. A preocupação de Minc é garantir que os caiçaras possam continuar com suas atividades, mesmo estando dentro de uma área biológica.

"Um pedacinho de Ilha Grande, que são reservas biológicas, feita há 30 anos, já tinha uma comunidade de 200 caiçaras que estavam lá há vários anos. Se é reserva biológica não pode ter nada, teriam que tirar os caiçaras, mas após várias audiências que tivemos com os caiçaras, com a prefeitura de Angra dos Reis e com a SPU [Secretaria do Patrimônio da União], foi votado a permanência dos caiçaras lá, até porque existe uma história de serem terras da União”,explicou.



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Seminário debate proteção a crianças e adolescentes durante a Copa


Da Agência Brasil  
 
Para marcar a abertura do Mês de Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil, celebrado este mês, o Comitê de Proteção Integral às Crianças e Adolescentes do Rio de Janeiro lançou hoje (7) a campanha "Não Desvie o Olhar", cujas ações objetivam combater a exploração sexual de crianças e adolescentes durante a Copa do Mundo. 

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti, informou que o trabalho de combate ao abuso contra crianças e adolescentes durante a Copa das Confederações serviu de exemplo para aprimorar as ações que devem ocorrer durante o Mundial deste ano. 

“Esse ato consolida a parceria entre governo federal, estadual e prefeitura do Rio de Janeiro. Estamos fazendo essas parcerias em todas as cidades-sede da Copa para a gente poder ter ações integradas para proteger, prevenir e denunciar a exploração e a violência sexual contra as nossas crianças e adolescentes”, explicou. 

Durante o Seminário de Integração das Ações de Proteção Integral de Crianças e Adolescentes para a Copa do Mundo, organizado pelo Comitê de Megaeventos do Rio de Janeiro, também foi apresentado o aplicativo Proteja Brasil, projetado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Feito para smartphones e tablets, o programa incentiva as pessoas a denunciarem violências contra crianças às autoridades responsáveis e indica telefones para denúncias e endereços de delegacias, conselhos tutelares e organizações que atuam na defensa de crianças e adolescentes. O Proteja Brasil também fornece informações sobre os diferentes tipos de violências.

“O aplicativo foi uma coisa maravilhosa que uma 'gurizada' da Bahia produziu. Você baixa no smartphone e, no aplicativo você, imediatamente, localiza no entorno de onde você está todo tipo de estrutura para acompanhar qualquer tipo de violência ou exploração contra a criança, como delegacias e conselhos tutelares”, avaliou a ministra.

O presidente da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA-RJ), Clovis de Oliveira Paradela, defendeu que o combate à violência precisa ser feito diariamente.

“Um megaevento como esse, ainda mais com a propaganda que se faz em torno do Brasil, muitos veem como oportunidade de turismo sexual. Isso aumenta ainda mais o risco das crianças e adolescentes no Brasil no que se refere à violência sexual. Nós precisamos estar atentos e melhores articulados para combater sempre esse tipo de violência”, defendeu.

Segundo Paradela, diversas ações vão ocorrer durante o Mês de Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil. “No dia 27 de maio, teremos outro seminário. Em diversas cidades, vão acontecer ações como essa para chamar a atenção da sociedade civil. Vale a pena lembrar que, no dia 18 de maio, temos o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças. Suspeitou de algum caso de abuso à adolescente, disque 100 e denuncie”, reforçou.


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CONAE Publicado cronograma das conferências estaduais da Conae A etapa estadual será realizada em todas as unidades da Federação. As datas estão disponíveis na página da Conae 2024

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