terça-feira, 8 de outubro de 2013

FAO, modernizar-se ou ser irrelevante



A atual situação internacional se caracteriza por desafios econômicos e financeiros que, de uma ou outra maneira, afetam todo o mundo. Nesse contexto preocupante, se apresenta a urgente necessidade de modernizar as instituições do Estado, as empresas privadas, independente de seu tamanho, e as organizações da sociedade civil, seja qual for o ambiente em que se desenvolvam.

Não escapam desta situação as organizações internacionais, incluídas as pertencentes ao sistema da Organização das Nações Unidas (ONU), entre elas a FAO. Modernização e eficiência são os conceitos que hoje dominam o debate.

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) tomou muito a sério esse desafio de adequar a instituição aos desafios do século 21. Desde janeiro de 2012, quando José Graziano da Silva assumiu o cargo de diretor-geral, trabalha com o propósito de dar cumprimento a duas importantes diretrizes apontadas pelos países-membros.

A primeira foi estabelecer claramente novos objetivos estratégicos que colocaram no centro da ação a importância de erradicar a fome no mundo no prazo e tempo mais breves possíveis. Neste sentido, os novos objetivos estratégicos foram aprovados pela última conferência da FAO, em junho passado, o que levou a introduzir algumas modificações na estrutura organizacional desta agência.

A segunda diretriz foi transformar a FAO em uma instituição moderna, que desse alta prioridade à eficiência e ao uso otimizado dos recursos.

Desde o início do mandato do novo diretor-geral, tem sido nossa preocupação constante realizar economia por meio da eficiência que não entorpeça o trabalho técnico e seja usada para reforçar a assistência direta que a organização proporciona aos países.

No biênio 2012-2013 foi adotado um enfoque voltado à obtenção de resultados e a tentar garantir que o trabalho da FAO tivesse um impacto real no terreno.

Quanto à melhoria da eficiência, entre janeiro de 2012 e junho de 2013 economizamos US$ 67 milhões, principalmente com a redução de gastos administrativos gerais na sede da FAO, em Roma. Isto incluiu, entre outras coisas, uma política de austeridade em matéria de viagens, de racionalização dos sistemas de aquisições e outros serviços administrativos.

Na última conferência da FAO, os países-membros deram seu pleno apoio político a Graziano e apreciaram os esforços feitos até agora, mas, ao mesmo tempo, solicitaram que sejam identificadas economias adicionais de mais US$ 37 milhões.

Os países-membros indicaram que essas economias deveriam acontecer principalmente em custos relacionados com pessoal, sem que isso afetasse a execução do programa de trabalho.

Isso significou ter que identificar algo mais de uma centena de postos de trabalho que deveriam ser abolidos, alguns deles não ocupados. Alguns funcionários aceitaram propostas de aposentadoria antecipada voluntária, o que reduziu o número de pessoas afetadas a cerca de 50, que trabalham em áreas como as infraestruturas tecnológicas, funções de apoio administrativo ou a biblioteca.

O diretor-geral da FAO se esforçou em cumprir essa tarefa encomendada pelos países, procurando reduzir o máximo possível os impactos negativos sobre o pessoal.

Foi implementada uma série de medidas como a realocação do pessoal afetado em cargos vagos existentes na organização. Adicionalmente, as propostas de aposentadoria antecipada oferecidas são muito favoráveis e foram aceitas por alguns funcionários com maior tempo de serviço.

Como é lógico, essas medidas duras referentes a uma pequena quantidade de postos de trabalho encontraram uma resistência compreensível por parte dos afetados e constatamos sinais de preocupação em nossos colegas. Obviamente, sempre procuramos delimitar as medidas adotadas e explicar a racionalidade que há por trás dessas complexas decisões.

Sabemos que é um momento muito difícil para alguns colegas nossos e que devemos fazer todo o possível para ajudá-los. É gratificante constatar que o processo de realocação já começou e que o número de casos a serem resolvidos está diminuindo. Vemos também que esses progressos acontecem com a participação plena dos representantes do pessoal.

Sabemos que o trabalho colaborativo e entusiasta do pessoal é absolutamente necessário para que a FAO possa cumprir a nobre missão que tem estabelecida por mandato. Por esse motivo, é importante dar aos afetados a ajuda necessária e que estão ao alcance da mão.

Nós, no sistema das Nações Unidas, devemos nos modernizar ou nos transformaremos em uma instituição irrelevante, burocrática e mal preparada para os tempos que vivemos.

Efetivamente, a modernização tem, muitas vezes, um alto preço em termos de colegas que são afetados por esses processos, mas é o que, no final, nos permitirá cumprir da melhor maneira nossas responsabilidades para com aqueles a quem temos que servir. Envolverde/IPS

Denis Aitken é subdiretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Fonte: IPS 



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