sábado, 19 de novembro de 2011

PAÇO IMPERIAL É REABERTO DEPOIS DE SEIS MESES DE REFORMA

da Agência Brasil

Depois de seis meses fechado para obras, o Paço Imperial, um dos prédios de maior importância histórica do Rio de Janeiro, reabriu suas portas ao público hoje (18). A reforma executada com recursos de R$ 2,9 milhões do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi a mais ampla feita no local desde os anos 1980, quando o Paço teve restituído o perfil arquitetônico do século 19.

Os diferentes usos que o local teve a partir da Proclamação da República – o Paço chegou a abrigar por quase 90 anos a sede dos Correios – haviam descaracterizado o prédio de onde o Brasil foi governado da Colônia ao Império, passando pelo Reino Unido com Portugal, de 1808 a 1822.

“A reforma foi fundamental para dar estrutura ao prédio para o papel que ele hoje desempenha, que é o de um centro cultural”, explica o arquiteto Lauro Cavalcanti, diretor do Paço Imperial. O projeto dessa segunda reforma coube ao arquiteto Glauco Campello, também autor da primeira reforma, realizada entre 1982 e 1985.

Vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Paço foi o primeiro prédio tombado do Brasil transformado em espaço de exposições de arte contemporânea. Há mais de duas décadas consolidado como local de marcantes exposições temporárias, o Paço reabre com a mostra 1911-2011 – Arte Brasileira e Depois, na Coleção Itaú.

Com curadoria do crítico de arte Teixeira Coelho, diretor do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a exposição apresenta 180 obras de 139 artistas, que constituem um recorte da produção realizada no país, nos últimos 100 anos. A coleção começou a tomar forma no início do grupo Itaú, há mais de 60 anos.

Além de atender às exigências para a exibição da arte contemporânea, a reforma também contemplou as necessidades de outras atividades culturais, como a Sala dos Archeiros, destinada a apresentações teatrais, shows e recitais de música. “A sala ganhou um ar-condicionado extremamente silencioso e novo tratamento acústico”, conta Cavalcanti, lembrando a importância do local para a música nos últimos anos. “Foi lá que nasceu a ideia da gravadora Biscoito Fino, durante a série Compasso do Paço”.

Outra grande preocupação da reforma foi a disponibilidade de informações para os visitantes sobre a história do prédio. As salas passaram a ter uma melhor sinalização, tornando evidentes pelo lado interno, por exemplo, a sacada da qual dom Pedro I comunicou sua permanência no Brasil (o “Dia do Fico”) e a sacada de onde a princesa Isabel mostrou ao povo a Lei Áurea. A área onde desde a primeira reforma funcionava o cinema abrigará, a partir de dezembro, uma exposição permanente, com informações históricas sobre dom João VI, dom Pedro I e dom Pedro II.

“Visitar o Paço é reviver momentos importantes não só da história, mas também das mudanças da sociedade brasileira. Para os cariocas, é muito significativo visitar um local de onde, pela primeira vez e única na história, uma nação europeia foi governada a partir das Américas, como foi o caso de Portugal durante o reinado de dom João VI”, destaca o diretor do Paço Imperial.

Com entrada franca, a exposição da Coleção Itaú fica em cartaz até 12 de fevereiro de 2012 e pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 12h às 18h. A programação do próximo ano, já praticamente definida, terá mostras do fotógrafo Mario Testino, de 15 de março a 20 de maio; obras da Coleção Lelia Coelho Frota (junho/julho); e uma exposição comemorativa dos 80 anos do cartunista Ziraldo, de novembro a fevereiro de 2013. O Paço Imperial fica na Praça XV de Novembro, no centro do Rio de Janeiro.

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PLANO VIVER SEM LIMITE VAI QUALIFICAR 150 MIL PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

da Agência Brasil

O plano Viver sem Limite vai oferecer até 150 mil vagas para a qualificação profissional das pessoas com deficiência. Com previsão de R$ 7,6 bilhões em investimentos até 2014, o plano lançado hoje (17) pelo governo federal busca ampliar a integração da pessoa com deficiência na sociedade.

As ações do Viver sem Limite, nome dado ao Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, estão distribuídas em quatro eixos: educação, saúde, inclusão social e acessibilidade. “Estamos aqui hoje também para reforçar e ampliar um dos compromissos mais profundos do nosso governo que é a luta contra a desigualdade e a favor da oportunidade para todos”, disse a presidenta Dilma Rousseff, ao iniciar o discurso.

“Acreditamos que vamos otimizar recursos, trabalhar por resultados e assegurar nosso objetivo com esse plano que é uma vida melhor com dignidade e respeito para as pessoas com deficiência”, destacou a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, no Palácio do Planalto. Durante a cerimônia, foi anunciada a criação da Secretaria Nacional de Acessibilidade e Programa Urbanos, no Ministério das Cidades.

Na educação, o plano prevê investimento de R$ 1,8 bilhão em ações como a adaptação de 42 mil escolas públicas e instituições federais de ensino. Também serão adquiridos 2,6 mil ônibus acessíveis para o transporte de 60 mil alunos. A contratação de 648 professores de libras é outra ação do plano, assim como a implantação de mais salas com recursos multifuncionais.

Na área de saúde, que terá R$ 1,4 bilhão em recursos, o número de exames do teste do pezinho será ampliado e, a partir de 2012, duas novas anormalidades poderão ser detectadas por esse procedimento.

 
A rede de produção e acesso à órtese e prótese será ampliada, e o Sistema Único de Saúde (SUS) destinará recursos para adaptação e manutenção de cadeiras de rodas. "Muitas vezes, as pessoas adquirem as cadeiras, mas não têm a condição de ajustá-las e de fazer a manutenção quando estragam", explicou o secretário nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Secretaria de Direitos Humanos, Antônio José Ferreira.

Na área de promoção da inclusão social, serão implantados centros de Referência para apoiar as pessoas com deficiência em situação de risco, como as que vivem em extrema pobreza. A previsão orçamentária para essa área chega a R$ 72,2 milhões.
 
 
O eixo acessibilidade terá à disposição R$ 4,1 bilhões para criar cinco centros de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-Guias em cada uma das regiões do país. Atualmente, só existem dois instrutores qualificados no Brasil. Além disso, assim como o anunciado no Minha Casa, Minha Vida 2, o plano reafirma que 100% das unidades serão projetadas com possibilidade de adaptação para receber pessoas com deficiência.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 mostram que 23,91% da população brasileira tem algum tipo de deficiência.

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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

ELOGIO DO BOTECO

Por Leonardo Boff

Em razão do meu "ciganismo intelectual” falando em muitos lugares e ambientes sobre um sem número de temas que vão da espiritualidade, à responsabilidade socioambiental e até sobre a possibilidade do fim de nossa espécie, os organizadores, por deferência, costumam me convidar para um bom restaurante da cidade. Lógico, guardo a boa tradição franciscana e celebro os pratos com comentários laudatórios. Mas me sobra sempre pequeno amargor na boca, impedindo que o comer seja uma celebração. Lembro que a maioria das pessoas amigas não pode desfrutar destas comidas e especialmente os milhões e milhões de famintos do mundo. Parece-me que lhes estou roubando a comida da boca. Como celebrar a generosidade dos amigos e da Mãe Terra, se, nas palavras de Gandhi, "a fome é um insulto e a forma de violência mais assassina que existe?”.

É neste contexto que me vem à mente como consolo os botecos. Gosto de frequentá-los, pois aí posso comer sem má consciência. Eles se encontram em todo mundo, também nas comunidades pobres nas quais, por anos, trabalhei. Ai se vive uma real democracia: o boteco ou o pé sujo (o boteco de pessoas com menos poder aquisitivo) acolhe todo mundo. Pode-se encontrar lá tomando seu chope um professor universitário ao lado de um peão da construção civil, um ator de teatro na mesa com um malandro, até com um bêbado tomando seu traguinho. É só chegar, ir sentando e logo gritar: "me traga um chope estupidamente gelado”.

O boteco é mais que seu visual, com azulejos de cores fortes, com o santo protetor na parede, geralmente um Santo Antônio com o Menino Jesus, o símbolo do time de estimação e as propagandas coloridas de bebidas. O boteco é um estado de espírito, o lugar do encontro com os amigos e os vizinhos, da conversa fiada, da discussão sobre o último jogo de futebol, dos comentários da novela preferida, da crítica aos políticos e dos palavrões bem merecidos contra os corruptos. Todos logo se enturmam num espírito comunitário em estado nascente. Aqui ninguém é rico ou pobre. É simplesmente gente que se expressa como gente, usando a gíria popular. Há muito humor, piadas e bravatas. Às vezes, como em Minas, se improvisa até uma cantoria que alguém acompanha ao violão.
Ninguém repara nas condições gerais do balcão ou das mesinhas. O importante é que o copo esteja bem lavado e sem gordura senão estraga o colarinho cremoso do chope que deve ter uns três dedos. Ninguém se incomoda com o chão e o estado do banheiro.

Os nomes dos botecos são os mais diversos, dependendo da região do país. Pode ser a Adega da Velha, o Bar do Sacha, o boteco do Seo Gomes, o Bar do Giba, o Botequim do Jóia, o Pavão Azul, a Confraria do Bode Cheiroso, a Casa Cheia e outros. Belo Horizonte é a cidade que mais botecos possui, realizando até, cada ano, um concurso da melhor comida de boteco.

Os pratos também são variados, geralmente, elaborados a partir de receitas caseiras e regionais: a carne de sol do Nordeste, a carne de porco e o tutu de Minas. Os nomes são engenhosos: "mexidoido chapado”, "porconóbis de sabugosa”, "costela de Adão” (costelinha de porco com mandioca), "torresminho de barriga”. Há um prato que aprecio sobremaneira, oferecido no Mercado Central de Belo Horizonte e que foi premiado num dos concursos: "bife de fígado acebolado com jiló”. Se depender de mim, este prato deverá constar no menu do banquete do Reino dos Céus, que o Pai celeste vai oferecer aos bem aventurados.

Se bem repararmos, o boteco desempenha uma função cidadã: dá aos frequentadores especialmente aos mais assíduos, o sentimento de pertença à cidade ou ao bairro. Não havendo outros lugares de entretenimento e de lazer, permite que as pessoas se encontrem, esqueçam seu status social e vivam uma igualdade, geralmente, negada no cotidiano.

Para mim, o boteco é uma metáfora da comensalidade sonhada por Jesus, lugar onde todos podem sentar à mesa e celebrar o convívio fraterno e fazer do comer, uma comunhão. E para mim, é o lugar onde posso comer sem má consciência.

Dedico este texto ao cartunista e amigo Jaguar que aprecia botecos.

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QUEM LEU O RELATÓRIO SOBRE O IDH?


Muito se falou sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Poucos leram o documento, mas criticaram o fato de o Brasil subir só uma posição no ranking global (84ª posição) de 187 países.

Alguns ignoraram a advertência do próprio Pnud de que “é enganoso comparar valores e classificações do IDH 2011 com os de relatórios publicados anteriormente. Isto porque, além da inclusão de 18 novos países e territórios, os dados e métodos sofreram ajustes e algumas mudanças”.

Em artigo publicado nesta Folha, um ex-economista do Pnud (Flavio Comim, “IDH, como uma onda no mar”, 6/11) desconsiderou o seguinte alerta da instituição em que trabalhou: o IDH 2011 “mostra que o Brasil faz parte do seleto grupo de apenas 36 dos 187 países que subiram no ranking entre 2010 e 2011, seguindo os dados recalculados para a nova base deste ano. Os outros 151 permaneceram na mesma posição ou caíram”.
O IDH reflete as alterações na renda nacional, na expectativa de vida e nos anos de estudo.

Em sua obra clássica, o economista Gunnar Myrdal sublinha o papel central da renda para o bem-estar social.
Entre 1980 e 2003, a renda per capita brasileira cresceu míseros 6%; na China, ela setuplicou; na Índia, dobrou. Isso explica “o vigor da juventude” do IDH desses países e o nosso atraso relativo.

Após 25 anos, desde 2006 voltamos a trilhar o caminho do crescimento, com reflexos positivos no mercado de trabalho e na redução da pobreza e da desigualdade.

Apesar das restrições financeiras e dos problemas estruturais da saúde, o SUS tem feito progressos.
A taxa de mortalidade infantil caiu de 47% para 16% entre 1990 e 2010 (Nordeste: de 76% para 24%). A expectativa de vida progrediu: “no caso brasileiro, essa evolução do IDH do ano passado para este ano contou com um impulso maior da dimensão saúde –medida pela expectativa de vida–, responsável por 40% da alta”, afirma o Pnud.

Na educação, universalizamos o acesso: 98% das crianças de seis a 14 anos estão na escola. O desafio presente é melhorar a qualidade.

A educação infantil poderá contribuir para isso. O filho do rico entra no ensino fundamental alfabetizado pela pré-escola. O filho do pobre deveria ter o mesmo direito.

Na última década, a proporção de crianças de zero a cinco anos que está na escola aumentou de 23% para 38%. A escolaridade média é baixa (7,4 anos), mas, desde 1999, a proporção de pessoas de 18 a 24 anos (PEA) com 11 anos de estudo subiu de 22% para 41%.

Em suma, a questão social no Brasil é uma chaga secular. Mudanças são processos lentos que exigem continuidade e investimentos – e, de fato, gastamos pouco em saúde e em educação. Porém, não vagamos “como uma onda no mar”, como afirma o especialista.

Eduardo Fagnani é professor doutor do Instituto de Economia da Unicamp.

Fonte : Folha de São Paulo


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A ECONOMIA CRESCE, A PROTEÇÃO AMBIENTAL CAI


Vi comemorações semelhantes a uma vitória em Copa do Mundo à divulgação, nesta quarta (9/11), pelo IBGE, de que a safra brasileira de grãos deve chegar a 159,7 milhões de toneladas este ano – 6,8% superior à safra já recorde de 2010. A área a ser colhida em 2011 (48,6 milhões de hectares) cresceu 4,6% se comparada à de 2010 – a da soja aumentou 3,2% e a do milho, 3,5%.

Ao mesmo tempo, o Departamento de Agricultura do Tio Sam anunciou que as exportações brasileiras de soja devem chegar a 38 milhões de toneladas na safra 2011-2012. Isto combinado à diminuição da produtividade nos Estados Unidos, trará o Brasil de volta à liderança mundial nas exportações de grãos. Durma com essa, ianques!

Mas tudo tem seu preço.

Um relatório da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) apontou que o desmatamento para plantio de soja na Amazônia cresceu 85% neste ano com relação a 2010. Ou seja, no período 2010-2011, a área desmatada para soja foi de 11.653 hectares (ha) entre 375 mil ha monitorados em 53 municípios enquanto, no período 2009-2010, o corte foi de 6.295 ha em uma área monitorada 24% menor. Vale ressaltar que cidades campeãs de desmatamento no Mato Grosso são também grandes produtoras de soja, como Feliz Natal.

Ao mesmo tempo, análise da ONG ICV sobre os Dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), do Imazon, indicaram uma tendência de alta de 22% do desmatamento e de 225% na degradação florestal entre agosto/2010 e março/2011, com relação ao mesmo período do ano anterior. No mês de abril, operações de fiscalização realizadas pelo Ibama revelaram o reaparecimento de casos de megadesmatamentos (acima de mil hectares), que praticamente haviam desaparecido em Mato Grosso nos últimos três anos. O que estaria acontecendo agora é uma corrida para derrubar áreas o quanto antes, visando a aproveitar-se da anistia do desmatamento ilegal, prometida pela proposta de alteração do Código Florestal.

O projeto de novo Código Florestal tornou-se polêmico por propor um corte na proteção ambiental do país. Anistia para quem cometeu infrações ambientais, isenção de pequenas propriedades de refazerem as reservas desmatadas, redução da faixa mínima de mata ciliar que deve ser preservada à beira de cursos d’água, estão entre as medidas. Proíbe novos desmatamentos por um prazo de cinco anos, algo difícil de cumprir uma vez que a política do fato consumado já mostrou que é o forte por aqui.

No momento, o projeto está sendo discutido no Senado Federal, após ter sido aprovado na Câmara. A última traquinagem da bancada ruralista, como informa o sempre alerta Claudio Ângelo, da Folha de S.Paulo, foi uma pressão que fez o governo recuar em mais um ponto: a recuperação de áreas de preservação permanente (APPs) em margens de rios – o que deve tirar a obrigatoriedade de recompor a área desmatada em pequenas e médias propriedades. Era isso ou os ruralistas mudariam regras já definidas. Lá em cima, isto é batizado como negociação política. Aqui em baixo, o povo chama de chantagem mesmo.

Há alguns anos, venho escrevendo que o Ministério do Meio Ambiente tem menos controle sobre o desmatamento na região amazônica do que a Chicago Board of Trade, nos Estados Unidos, onde se define o preço mundial da soja. O grão passou um longo período com preço baixo no mercado internacional, o que freou sua expansão sobre a Amazônia e o Cerrado. Agora está nas alturas – e, portanto, ouve-se o ronco das motosserras. Muitas vezes, com financiamento público, ou seja, seus, meus, nossos impostos. E a possibilidade do novo Código Florestal perdoar todos os pecados, faz com que o pessoal corra atrás de pecar ainda mais.

O diálogo está travado por conta da tratorada que a bancada ruralista vem aplicando para aprová-lo a todo o custo. Nesse cenário, não me admira que a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, tenha precisado de escolta para sair da sala de discussão do Código Florestal, nesta quarta, e que manifestantes tenham sido proibidos de participar da discussão no Congresso nesta semana. Há muito, este deixou de ser um debate democrático.

E o discurso de desenvolvimento sustentável e da necessidade de garantir qualidade de vida para as futuras gerações? Como diria o assessor de Bill Clinton: “É a economia, estúpido!”



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INCENTIVO À LEITURA ENTRE AS PRIORIDADES DO MINISTÉRIO DA CULTURA

da Agência Brasil

O Ministério da Cultura quer incentivar a leitura, sem deixar de lado as reformas de museus e teatros, assim como criar novos centros culturais. O ministério engloba oito órgãos que dependem diretamente de seu orçamento. São órgãos que cuidam de setores específicos da área cultural e para evitar privilégios, o ministério elencou um grande projeto em cada sistema para 2012.

No Rio de Janeiro, o Palácio Gustavo Capanema – será reformado – no local funcionou o Ministério da Educação e Cultura até a transferência para Brasília. O prédio cuja construção foi concluída em 1945 é considerado de arquitetura arrojada por causa do estilo moderno e da combinação de ferro e concreto com painéis de azulejos.

Em Recife, será construído o Museu Luiz Gonzaga (morto em 1989) chamado de o "Rei do Baião" e símbolo de criatividade e originalidade na música popular brasileira. Em Porto Alegre, será construído o Teatro Orquestra Sinfônica cuja orquestra existe desde 1950 e não dispõe de sede própria.

Os órgãos que integram o ministério são a Fundação Casa Rui Barbosa, Fundação Biblioteca Nacional, Fundação Cultural Palmares, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Fundação Nacional de Artes (Funarte), Agência Nacional de Cinema (Ancine), o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e o Fundo Nacional de Cultura.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

POPULAÇÃO SE ORGANIZA PARA IR ÀS RUAS NA III MARCHA CONTRA A CORRUPÇÃO


Amanhã (15), pelo menos 30 cidades brasileiras serão palco da 3ª Marcha contra a Corrupção. A mobilização, que teve sua primeira edição no dia sete de setembro deste ano e a segunda no dia 12 de outubro, espera desta vez levar para as ruas ainda mais pessoas. O intuito é mostrar ao poder público que a população está atenta e vigilante e que não vai mais tolerar a corrupção.

De acordo com Jovita José Rosa, diretora da secretaria executiva do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), a situação de indignação que começou no Brasil tende a aumentar. "A corrupção chegou a um nível intolerável e a população descobriu - com a luta pela Lei da Ficha Limpa - um modo de se manifestar. O sinal está sendo dado, a população não vai mais aturar a corrupção. A sociedade está de olho e cada vez mais busca se organizar”, avalia.

A primeira marcha, realizada em sete de setembro, Dia da Independência, reuniu, apenas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, Distrito Federal, mais de 35 mil pessoas. Com faixas, cartazes, apitos e narizes de palhaço a população da capital federal chamou atenção para situações vergonhosas na política como a da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), que se livrou da cassação graças à condescendência de outros deputados. Além da absolvição da deputada, os manifestantes pediram o fim do voto secreto dos parlamentares.

A marcha contra a corrupção também invadiu os desfiles de sete de setembro em Belém (Pará), São Luís (Maranhão), Recife (Pernambuco), Maceió (Alagoas), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (Espírito Santo), Belo Horizonte (Minas Gerais), Ribeirão Preto e São Carlos (São Paulo), entre outras localidades, somando um total de 35 cidades indignadas com a corrupção.

A segunda marcha, realizada no feriado de 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, também movimentou o país com manifestações em pelo menos 25 cidades. Na ocasião, os protestos se voltaram para temas como a validação da Lei da Ficha Limpa para 2012, o fim do voto secreto no Congresso Nacional e a tentativa de enfraquecimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão voltado para a fiscalização dos juízes.

Amanhã, 15 de novembro, feriado da Proclamação da República, será mais um dia para ficar na história. Pelo menos 30 cidades já confirmaram a realização da III Marcha, que reforçará o pedido pelo fim do voto secreto e pela constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa. Além destas reivindicações, algumas cidades elegeram demandas específicas, como a saída de Sarney da presidência do Senado Federal.

Cidades como a grande São Paulo vão se organizar para além da marcha. Será realizada nesta segunda-feira (14), às 22h, a Virada contra a Corrupção. E amanhã, a partir das 14h, a Marcha. Os dois eventos acontecerão no vão livre do Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp).


Próximas manifestações

De acordo com Jovita José Rosa, no próximo dia 11 de dezembro, Brasília sediará mais uma manifestação pacífica: a Corrida Venceremos a Corrupção. O evento faz alusão ao nove de dezembro, Dia Internacional de Combate à Corrupção.

"A corrida é um momento que busca conscientizar que o que é público é nosso e precisa ser cuidado, é também um momento de resgatar o amor e o respeito à nossa nação, à nossa pátria”, diz.

Amanhã, o NASRUAS – Movimento de Congregação das Mobilizações, também vai anunciar a realização do I Congresso Contra Corrupção NASRUAS.

Para saber onde acontece a Marcha contra a Corrupção mais perto de você, acesse: http://www.mcce.org.br/node/570


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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

ZÉ GERALDO E CHICO LOBO

Fosse Chico Lobo nascido no hemisfério norte, muito provavelmente esta primeira parte seria dispensável. Todos saberiam que ele é um dos maiores artistas populares do país, violeiro, cantor e compositor mineiro, de São João Del Rey, apresentador de TV e divulgador das nossas festas e tradições. Todos conheceriam as suas canções, o seu cuidado com a renovação, gravação e resgate dos nossos ritmos. Acima de tudo isso, todos conheceriam e reconheceriam como imprescindíveis os seus pouco mais de dez discos e um DVD.

Chico Lobo é tão importante para a nossa música e cultura que acaba de lançar um disco, acertadamente chamado de Caipira do Mundo, no qual executa canções suas com uma constelação da nossa música, nenhum deles do seu universo. Estão lá, como parceiros e também participantes Zeca Baleiro, Zé Geraldo, Suzana Travassos, Chico César, Virgínia Rosa, a lendária Banda de Pau e Corda, Alice Ruiz, Arnaldo Antunes, Vitor Ramil, Vander Lee, Fausto Nilo, Sérgio Natureza, Siba, Ricardo Aleixo, Sérgio Natureza, Verônica Sabino e Maurício Pereira.

Ao contrário do que muitas vezes acontece, Chico Lobo colocou todos dentro do seu balaio. Um fã mais exaltado que imagine o cantor e compositor navegando por outros mares que não os da catira, congada, folias e afins pode ficar tranquilo. A sofisticada poesia de Alice Ruiz, por exemplo, se enquadra no universo amplo e festeiro de Chico tanto quanto a modernidade de Arnaldo Antunes, o lirismo de Vander Lee e por aí afora.

Um dos exemplos mais surpreendentes fica por conta da faixa “Dois Rios”, sucesso da banda Skank, que encerra o disco. Chico Lobo, e apenas ele com as suas violas em versão instrumental, encontra na composição de Samuel Rosa, Lô Borges e Nando Reis a toada mineira escondida. O resultado, de uma simplicidade comovente, demonstra sem palavras a força da nossa ancestralidade.
E essa talvez seja a chave deste disco e de toda a obra de Chico Lobo. Sua canção é sobretudo moderna. Sabe melhor do que ninguém colocar a tradição na ordem do nosso dia. Ouvi-lo não é ouvir algum ponto parado no tempo, mas sim perceber a ventania de todos os tempos a soprar hoje.

A ideia da produtora Rossana Decelso de realizar este disco de parcerias coloca Chico no centro da sua modesta grandeza. Uma grandeza que só atinge tal dimensão por ser compartilhada. Uma obra que vem de uma canção forjada por muitos em festa, que Chico nos devolve, agora e como sempre, em formato de celebração.

A melhor tradução fica mesmo por conta dos versos de Alice Ruiz para a linda canção “A mais difícil opção”: “Tem que saber que esse tempo é tudo o que a gente tem, é transformar em evento a festa que nunca vem. Das coisas que a vida tira tudo fica pra talvez, não existe sim nem não, de tudo o que a gente faz metade é imaginação”.


*****

Um belo dia, em meados da década de 70, o cidadão José Geraldo Juste largou o bom emprego em um banco na cidade de São Paulo e foi ser músico. Hoje, pouco mais de trinta anos depois de ter desconsiderado o conselho da maioria para ficar, o consagrado cantor e compositor Zé Geraldo pode comemorar uma vitoriosa carreira, longe dos bancos e, o que é melhor ainda, longe também do esquemão das grandes gravadoras.

A festa para comemorar a data não redonda chega finalmente ao público em forma de DVD e CD, com o nome de Cidadão – trinta e poucos anos. Curiosamente, a canção-título da empreitada é, além de um dos seus maiores sucessos, uma das poucas que gravou que não é sua, mas sim do amigo Lúcio Barbosa.

A saga do pedreiro que não pode entrar nas edificações que constrói virou um hino que, assim como diversas canções de Zé Geraldo, correm o país de boca em boca, quase sem tocar nas rádios de sucesso, novelas e televisão. O artista é um fenômeno que lota estádios, praças e locais de eventos nos mais recônditos rincões. Na sua frente há sempre uma multidão com seus sucessos na ponta da língua.

Zé Geraldo viaja com uma banda excelente. De forma compacta e eficiente, os músicos conseguem traduzir com perfeição tanto os elementos do rock quanto da canção rural e caipira presentes em suas composições. Seu som parece fazer parte de um elo perdido entre a modernidade pretendida e a virtualmente encontrada. Um formato que tem alguns poucos pares que o artista convida a participar da sua festa.

Entre os novos, ele chama o cantor mineiro Landau; Chico Teixeira, excelente compositor e violonista, filho do amigo Renato Teixeira e sua filha, a ótima cantora Nô Stopa. Da velha guarda, Zé Geraldo trouxe Xangai .

A festa, no entanto, fica mesmo por conta da apresentação básica do artista principal e toda a emoção que se derrama pela plateia. Zé Geraldo carrega em suas composições, além de uma beleza leve, agreste, uma sinceridade desconcertante que, num momento festivo e de recordações, tende a crescer e explodir. O público retribui feliz e agradecido, cantando todo o tempo as velhas canções junto da rouca e certeira voz do compositor.

Cidadão – trinta e poucos anos resume de forma emocionada o que se passou com o cantor e compositor desde o dia em que deixou o emprego de chefe do departamento de pessoal de um banco em São Paulo até hoje. Uma trajetória de coragem e, sobretudo, honestidade consigo mesmo e com o seu público. Esta e várias histórias podem ser vistas e ouvidas também nos extras do DVD, com vários depoimentos e uma linda roda de viola na sua casa, na Serra da Cantareira.

Fonte: revista fórum

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CIDADE TAMBÉM TEM FLORESTA



Já com o Código Florestal em mãos, a Comissão de Meio Ambiente do Senado realizou a primeira audiência pública para debater a incorporação do novo projeto também nas cidades. Atentos, os relatores do texto, Jorge Viana e Luiz Henrique, ouviram novamente especialistas dizerem que deve ser feito um texto que atenda à “salvaguarda da vida humana”, contemplando campo e cidade, não apenas grandes produtores rurais.
“Florestas em áreas urbanas protegem a vida humana, pois reduzem sensivelmente o risco de desastres ambientais. E a maior parte delas ocorre em áreas de ocupação em encostas, passíveis de deslizamentos. Se isso for incorporado pelo Código será um fator muito relevante na contenção da expansão brasileira urbana em áreas de risco”, disse Carlos Nobre, Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Os pesquisadores demonstraram que os parâmetros para áreas urbanas têm que ser diferenciados e contemplados no Código. Desde que o projeto estava na Câmara, esse aspecto já vinha sendo debatido, e foi solenemente ignorado. “Áreas de Preservação Permanente (APPs), por exemplo, não podem abrigar atividades pecuárias, pois assim não cumprem sua função”, disse Tasso Azevedo, consultor do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Segundo ele, “a essência desse Código, que está cada vez mais perto de ser aprovado, é fruto de uma demanda de um setor da economia, mas não se constitui como uma lei para a proteção das florestas. Ela visa a melhorar o funcionamento desse setor específico, o rural, da forma como eles entendem que se dá essa melhoria, ou seja, de forma extensiva e não intensificando a produção nas mesmas áreas, como a ciência já demonstrou ser possível.”

Fonte:  agência Senado e greenpeace


CEPRO – Um Projeto de Cidadania, Educação e Cultura em Rio das Ostras.
Avenida das Flores, n° 394 - Bairro Residencial Praia Âncora
Rio das Ostras
Tel.: (22) 2760-6238 e Cel.:(22)9966-9436
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CERCA 4% DOS BRASILEIROS TÊM DISLEXIA


De acordo com especialista, desconhecimento sobre este transtorno de aprendizagem faz que casos sejam confundidos com má alfabetização.

A dislexia é um transtorno de aprendizagem específico e persistente da leitura e da escrita. Tem origem neurofuncional e é caracterizado pelo baixo desempenho na capacidade de ler e escrever, mesmo com adequada instrução formal recebida, normalidade do nível intelectual e ausência de déficits sensoriais.

Estima-se que 4% da população brasileira tenha este transtorno, mas a falta de informação sobre o assunto torna o diagnóstico um desafio. Na realidade, como explica Ana Luiza Navas, presidente do Instituto ABCD e professora do Curso de Fonoaudiologia da Santa Casa de São Paulo, são problemas básicos como a falta de estimulação e a má qualidade do ensino nas escolas públicas que tiram a dislexia de pauta. “Muitas crianças são mal alfabetizadas ou têm perda auditiva, baixa de visão e tudo isso se confunde. Por isso existe tanta falta de informação, pois no meio de tantos problemas pelos quais passa nossa educação, a dislexia é o ‘menor’ deles”, diz.

De 31 de outubro a 6 de novembro é realizada no Reino Unido e em outros países da Europa a semana da divulgação sobre a dislexia, que visa a promover a disseminação de conhecimento sobre o assunto. Por aqui, a semana foi tema de uma palestra durante o 19º Congresso Brasileiro e o 8º Internacional de Fonoaudiologia, nos quais Ana Luiza falou sobre a atuação das organizações não governamentais neste setor e o papel do fonoaudiólogo.

De acordo com ela, em nosso país, o fonoaudiólogo é o profissional que mais tem se apropriado deste assunto. “Não é unânime, mas tradicionalmente a questão da dislexia e alterações de aprendizagem têm sido foco de interesse do fono. Ele tem um importante papel na equipe multidisciplinar que faz o diagnóstico da dislexia, ao lado do psicopedagogo e do neuropediatra. Cada um deles sozinho não consegue fechar o diagnóstico”, completa.


Tratamento é educacional e não há remédio

Com o diagnóstico fechado, tem início o tratamento. Nele, a criança irá desenvolver adaptações pedagógicas, com o apoio de atendimento especializado. “É importante ressaltar que o tratamento não prevê o uso de medicamentos. A dislexia se confunde muito com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Quando existe a comorbidade, a criança pode usar o medicamento para melhora do nível de atenção ou hiperatividade, mas só o uso de medicamento não melhora em nada a escrita ou a leitura”, ressalta.


Dislexia existe?

Justamente por se confundir com outros transtornos, alguns profissionais defendem que a dislexia não existe. Mas, para Ana Luiza, a afirmação não tem fundamento. “Não tem como refutar a evidência científica: no mundo inteiro existem legislações específicas para pessoas com dislexia. Há uma base genética importante na herança desse quadro. Pesquisadores estão convergindo para encontrar um grupo de genes comuns responsáveis pela dislexia. Existe um campo vastíssimo de investigação científica nessa área.”

Com base nessas evidências, países como Inglaterra, Finlândia e Estados Unidos investem hoje na intervenção precoce: filhos de pais com dislexia recebem acompanhamento educacional desde o início da alfabetização, mesmo antes de demonstrarem qualquer sinal que indique o transtorno.

“Há um programa nacional na Inglaterra em que as crianças passam por exames visuais, auditivos, entre outros, antes de entrar na alfabetização. E assim que começam a apresentar os primeiros sinais, recebem acompanhamento. Desta forma, a dislexia é identificada muito precocemente.”

Por lá, as empresas são obrigadas por lei a terem programas para recebimento de funcionários com dislexia. “As empresas devem ter recursos tecnológicos para ajudar o adulto com dislexia a se adaptar ao dia a dia da empresa.”


Sobre o Instituto

O Instituto ABCD tem por objetivo o fortalecimento de organizações que trabalham no diagnóstico e tratamento da dislexia no Brasil. “Ele foi idealizado para suprir necessidade de divulgação da informação científica e ajudar tecnicamente para que as organizações possam atender melhor e ajudar a fazer essa formação – tanto de professores como de profissionais da área da saúde”. Mais informações sobre a semana podem ser obtidas no site da instituição.

*Fonte: O que eu tenho e envolverde.

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