sábado, 21 de junho de 2014

Desigualdade nos territórios influencia o ambiente escolar


O que fazer quando uma criança acorda doente? Se você mora nas regiões periféricas de São Paulo, a resposta provavelmente será “levar para a escola”.

Trata-se de uma prática comum nas áreas vulneráveis da capital paulista. Em vez de encaminhar a criança ou o jovem para uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um hospital, os responsáveis – como se fosse um dia normal – a levam para a escola, onde será feita a ponte com o sistema de saúde público, garantindo assim um atendimento mais rápido.

“Devido à distribuição desigual de equipamentos sociais, a escola está isolada nesses territórios”, assegura o professor e coordenador de pesquisas do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), Antônio Augusto Gomes Batista. “Nessas escolas, professores e diretores têm tarefas que vão muito além da educação.”

Como exemplo, ele cita as cheias recorrentes no Jardim Pantanal, na zona leste da cidade. “Quando chove e vem a enchente, a escola é totalmente ocupada pela população do entorno”, relata. Ele lembra que essa invasão do espaço escolar pelos problemas da comunidade acontece quase diariamente. “Isso impede que ela faça o que deveria: transmitir conhecimento.”

Educação infantil

Batista é um dos responsáveis pela pesquisa Desigualdades socioespaciais e concorrência entre professores por escolas, promovida pelo Cenpec e apresentada na última sexta-feira (13/6) durante o Seminário Desigualdade e Educação, realizado na Faculdade de Educação da USP. O trabalho analisa como, em São Paulo, as desigualdades entre os territórios impactam a educação ofertada por escolas públicas.

A começar pela educação infantil, já que são raras as creches paulistanas nas áreas de alta vulnerabilidade social, consideradas pela pesquisa de acordo com o IPVS (Índice Paulista de Vulnerabilidade Social). “A creche é sem dúvida um preditor importante do sucesso das crianças na alfabetização e no Ensino Fundamental. Sem essa experiência, o mundo da escola se torna muito novo e desconhecido para crianças de quatro ou cinco anos, ainda mais quando seus grupos familiares também estão pouco acostumados a ela”, afirma Batista.

Corpo discente
A pesquisa sustenta também que, em seu processo de seleção de matrículas, as escolas situadas nessas áreas competem por alunos considerados disciplinados e “calminhos”. “Muitas escolas não querem filhos de famílias desestruturadas.”

O pesquisador ainda cita situações onde ocorrem expulsões veladas de estudantes problemáticos, os chamados “alunos impossíveis”. “Há uma evidente depuração do corpo discente, fazendo crer que há mais preocupação com a disciplina do que com resultados de aprendizagem”, analisa Batista.

Ascensão horizontal

Além da seleção de alunos, a pesquisa estudou também a competição entre as escolas na escolha de docentes. Nos territórios de vulnerabilidade alta, existe dificuldade para reter esses profissionais, gerando uma grande rotatividade de professores, coordenadores e até mesmo diretores. “Nossa hipótese era de que o bom funcionamento de algumas escolas depende do mau funcionamento de outras – não necessariamente [ligado] à má gestão, mas à perda de recursos humanos, como alunos e professores”, pontua.

Para descobrir se as desigualdades socioespaciais pesavam nas escolhas dos profissionais da educação, foram estudados os concursos de remoção (prestados pelos docentes que desejam transferência escolar) de 2005 a 2011, em 23 escolas municipais de São Miguel Paulista. O resultado mostrou que, nesse período, o bairro – onde 20% da população vive em áreas de alta vulnerabilidade social – perdeu 72 professores para escolas localizadas em áreas mais centrais da cidade.

É o que Batista chama de ascensão horizontal. Diferentemente da vertical, quando um professor pode se tornar coordenador, diretor e supervisor, a ascensão horizontal acontece quando um docente deixa escolas em ambientes vulneráveis para trabalhar em lugares com menor índice de problemas externos. “Desse modo, o professor sai de uma escola difícil, onde trabalhava de maneira desgastante e atendia ‘alunos impossíveis’, e muda-se para um ambiente mais estruturado.”

Alocação de docentes

De acordo com o pesquisador, o trabalho tem a intenção de romper esse ciclo vicioso, onde a própria vulnerabilidade do território se torna um elemento produtor de desigualdade. “Essa pesquisa pode avançar no debate sobre políticas de alocação de docentes em escolas e dos incentivos que professores que trabalham em áreas mais vulneráveis precisam receber para que sejam nela fixados e criem uma identidade com o ambiente escolar.”

 
 
CEPRO – Um Projeto de Cidadania, Educação e Cultura em Rio das Ostras.
Alameda Casimiro de Abreu, 292, Bairro Nova Esperança - centro
Rio das Ostras
Tel.: (22) 2771-8256 e Cel.:(22)9966-9436
E-mail: cepro.rj@gmail.com  
Twitter: http://www.twitter.com/CEPRO_RJ

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Cada um tem seu tempo e depois entra em silêncio

Por Leonardo Boff

Há um livro curioso do Primeiro Testamento, o Eclesiastes (em hebraico Coélet), que não menciona a eleição do povo de Deus, nem a aliança divina, sequer a relação pessoal com Deus. Representa a fé judaica inculturada na visão grega da vida. Possui um olhar agudo sobre a realidade assim como se apresenta e nutre a reverência para com todos os seres.  Há uma passagem assaz conhecida que fala do tempo: "Há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e  tempo de colher, tempo de rir e tempo de chorar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz" e por aí vai (c. 3,2-8). Há muitas formas de tempo. Precisamos nos libertar de um tipo de tempo dominante, aquele dos relógios.  Todos somos reféns deste tipo de tempo mecânico. Conhecem-se relógios — o primeiro foi o relógio do sol, já há 16 séculos. Supõe-se que foram os asiáticos que, por primeiro, inventram o relógio. Em 725 da nossa era, um monge budista maquinou um relógio mecânico que à base de baldes de água fazia uma rotaçãocompleta em 24 horas. No Ocidente atribui-se a outro monge, um beneditino, depois papa Silvestre II (950-1003), a invenção do  relógio mecânico atual. 

Hoje, ninguém anda sem algum tipo de relógio mecânico, que mede o tempo a partir das rotações da Terra ao redor do Sol. Mas essa visão mecânica do tempo do relógio estreitou nossa percepção dos muitos tempos que existem, como referidos pelo Eclesiastes acima. Foram os cosmólogos modernos que nos despertaram para os vários tempos. Tudo no processo da evolução possui o seu timing. Não respeitando certo timing, tudo muda, e nós mesmos não estaríamos aqui para falar do tempo. 

Assim, por exemplo, imediatamente após a primeira singularidade, o Big Bang,  a explosão imensa (mas silenciosa, pois não havia ainda o espaço para recolher o estrondo) ocorreu a primeira expressão do tempo.

 Se a força gravitacional, aquela que faz expandir e ao mesmo tempo segurar as energias e  as partículas originárias (a mais importante das quatro existentes) fosse por milionésimos de segundo mais forte do que se apresentou, retrairia tudo para si e causaria explosões sobre explosões e tornaria o universo impossível. Se fosse, por milionésima parte de segundo, um pouco mais forte, os gazes se expandiriam de tal forma que não ocasionariam a sua condensação e  não teriam surgido as estrelas, os elementos todos que compõem o universo, nem haveria o Sol, a Terra e a nossa existência humana. 

Mas ocorreu aquele tempo necessário para o equilíbrio entre a expansão e a contenção que acabou  abrindo um tempo  para surgir tudo o que veio posteriormente. Houve um exato tempo em que se formaram as grandes estrelas vermelhas, dentro das quais se forjaram todos os tijolinhos que compõem todos os seres. Se esse tempo exato fosse desperdiçado, nada mais teria acontecido. 

Houve um tempo exatíssimo em que naquele dado momento deveriam surgir as galáxias. Se tivesse faltado aquele tempo, não surgiriam os cem bilhões de galáxias, os bilhões e bilhões de estrelas, em seguida os planetas como a Terra. Num exatíssimo momento de alta complexidade de sua evolução, irrompeu a vida.

 Perdido esse tempo, a vida não estaria aqui irradiando. Tudo apontava para a irrupção da vida lá na frente.

 O celebrado físico Freeman Dayson diz: "Quanto mais examino o universo e estudo os detalhes de sua arquitetura, mais vejo a evidência de que o universo de alguma forma pressentia que nós estávamos a caminho". 

Há pois tempos e tempos, e não apenas o tempo escravizante e mecânico do relógio. A Igreja guardou o sentido da diversidade dos tempos.  Para cada tempo  do ano, se Natal, se Quaresma ou Páscoa, há a sua cor específica. 

Geralmente, vivemos os tempos das quatro estações com as transformações que ocorrem na natureza. Na nossa infância interiorana, os tempos eram bem definidos: janeiro-abril - tempo das uvas, dos figos, das melancias,dos melões; tempo de maio, o plantio do  trigo; e outubro-novembro, tempo de sua colheita. 
Nós, crianças, esperávamos com ansiedade dois tempos sociais, nos quais a vila toda se reunia para uma grande confraternização: a festa da polenta e a dos passarinhos. Como as matas eram virgens, abundava todo tipo de pássaros, que eram caçados especialmente para a festa. A outra era a buchada, comida com pão e vinho, em longas mesas, seguida de cucas e geleias. 

Estes tempos e outros conferiam distintos sentidos para a vida. Havia a espera do tempo, sua vivência e sua recordação. 

O universo inteiro tem o seu tempo, que se concretiza em dois movimentos que se dão também em nós: nossos pulmões e nossos corações  se expandem e se contraem. O mesmo faz o universo mediante a gravidade: ao mesmo tempo que se dilata ele é segurado, mantendo um equilíbrio sutil que faz tudo funcionar harmoniosamente. Quando perde esse equilíbrio, é sinal que prepara um salto para a frente e para cima rumo a uma nova ordem que também se expande e se contrai. 

Cada um de nós tem seu tempo biológico, determinado não pelo relógio mecânico mas pelo equilíbrio de nossas energias. Quando chegam ao seu clímax, que  pode ser com 10, 15, 50, 90 anos, se fecha o nosso ciclo e entramos no silêncio do mistério. Dizem que é aí que habita Deus, nos esperando com os braços abertos como um Pai e Mãe, cheio de saudades. 
 
 
CEPRO – Um Projeto de Cidadania, Educação e Cultura em Rio das Ostras.
Alameda Casimiro de Abreu, 292, Bairro Nova Esperança - centro
Rio das Ostras
Tel.: (22) 2771-8256 e Cel.:(22)9966-9436
E-mail: cepro.rj@gmail.com  
Twitter: http://www.twitter.com/CEPRO_RJ

 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Os satélites e a degradação na Amazônia

Estrada aberta para extração de madeira. Foto: Greenpeace/Marizilda Cruppe 

A campanha Chega de madeira ilegal mostrou como os sistemas de controle e fiscalização da exploração madeireira adotados na Amazônia brasileira são falhos e permitem fraudes que resultam na contaminação do mercado com madeira de origem desconhecida e ilegal.

Identificar na floresta quais são os locais de exploração ilegal é fundamental para frear a contaminação da produção sustentável de madeira e impedir o desmatamento na sua origem. Porém, a exploração ilegal que busca os melhores exemplares de cada espécie, semelhante a um garimpo, é mais difícil de ser detectada, já que ela mantém algumas árvores que têm valor comercial baixo, e não provoca aquela destruição generalizada que é conhecida como corte raso.

Durante a pesquisa sobre madeira ilegal, o Greenpeace analisou imagens do satélite Radarsat-2, fornecidas pela MacDonald Dettwiler and Associates Ltd (MDA), com o objetivo de detectar e mapear mudanças na cobertura florestal relacionadas à exploração de madeira.

As expedições terrestres e sobrevoos  realizados nas aéreas apontadas pelo Radarsat-2 confirmaram os alertas gerados e mostraram que a utilização de imagens desse satélite para o monitoramento da exploração madeireira pode contribuir com a fiscalização dos Planos de Manejo Florestais e como sistema de alerta para identificar locais de exploração ilegal.

O Radarsat-2 se diferencia dos demais por estar equipado com um sensor de radar em que não existem interferências significativas de condições atmosféricas, ou seja, que mesmo com nuvens consegue gerar imagens de alta qualidade.

As imagens de satélite utilizadas pelo Deter – o sistema oficial de detecção em tempo real do desmatamento do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) –, por exemplo,  não conseguem identificar os desmatamentos em áreas cobertas por nuvens.

Para se ter uma idéia, no estado do Pará, que na medição mais recente do Deter apresentou um alerta expressivo no desmatamento, 86% da área do estado estava impossibilitada de qualquer análise por conta da cobertura de nuvens. Já no Amazonas, a cobertura de nuvens atingia 89% do estado.

Além disso, os satélites comuns também não conseguem identificar desmatamentos menores do que 26 hectares, o que é um problema, pois houve uma mudança na dinâmica do desmatamento: no lugar de grandes áreas, como acontecia antigamente, hoje ele costuma ocorrer em áreas pequenas e em faixas intercaladas de florestas, buscando justamente burlar a detecção pelos satélites.

O Deter continua sendo importante para que os órgãos federais de fiscalização saibam onde o desmatamento está ocorrendo e assim consigam agir mais rapidamente. No entanto, essas limitações acabam sendo um impeditivo para uma maior efetividade das ações de combate à degradação causada para exploração ilegal de madeira, que é o primeiro passo para a destruição total da floresta.

Desde 2010 que o Ministério do Meio Ambiente parou de monitorar a degradação. Apesar da existência de tecnologia, até agora as imagens de satélites equipados com radar não têm sido utilizadas pelos órgãos de fiscalização. É hora de dar um salto para enfrentar o forte ressurgimento do “garimpo” florestal, que cada vez mais vai longe dentro da floresta em busca de espécies raras, como o Ipê, comprometendo a floresta.

Fonte: greeenpeace.org.br


CEPRO – Um Projeto de Cidadania, Educação e Cultura em Rio das Ostras.
Alameda Casimiro de Abreu, 292, Bairro Nova Esperança - centro
Rio das Ostras
Tel.: (22) 2771-8256 e Cel.:(22)9966-9436
E-mail: cepro.rj@gmail.com  
Twitter: http://www.twitter.com/CEPRO_RJ

 
 

Brasil entra em campo

Ativistas protestam em Bonn e pedem comprometimento de ministros de Meio Ambiente com energias renováveis e redução de gases do efeito estufa (©Bern Arnold/Greenpeace)

O evento mais esperado do ano – obviamente, depois das reuniões dos Órgãos Subsidiários de Implementação da Conferência do Clima da ONU em Bonn, na Alemanha – finalmente chegou. Ontem tivemos a abertura da Copa do Mundo e a primeira vitória do Brasil em campo.

É inegável que este é um momento em que grande parte dos olhos do mundo se voltam para o Brasil e para uma das mais conhecidas seleções. No entanto, não é apenas o que rola em campo que interessa. Em Bonn, os negociadores que vem discutindo o tema das mudanças climáticas desde a semana passada desejam saber o que o país tem feito para controlar suas emissões de gases do efeito estufa.

Historicamente, o desmatamento foi a principal fonte de emissões, mas o cenário brasileiro mudou. Setores como energia e agropecuária estão aumentando sua participação no total de emissões, demonstrando que não basta se comprometer com apenas uma das fontes, mas, sim, que o Brasil precisa de metas ambiciosas para diminuir as emissões em todos os setores.

Voltando ao futebol: assim como apenas um jogador excepcional não fará o Brasil ganhar a Copa do Mundo, não basta diminuir o desmatamento na última década para se tornar um ‘campeão do clima’. Entre 1990 e 2012, as emissões do setor de energia além de terem mais do que dobrado também foram as que mais cresceram. E enquanto isso, o país continua privilegiando fontes fósseis e sujas de energia que recebem a maior parte dos investimentos no setor ao invés de direcionar seus esforços para um futuro limpo e renovável.

O trabalho para combater o desmatamento precisa continuar sendo feito, mas ao mesmo tempo em que outras medidas são tomadas em todos os setores. Como a sétima maior economia do mundo, o Brasil pode e deve assumir um compromisso ambicioso e liderar as discussões sobre as mudanças climáticas.

Fonte: greenpeace.org.br


CEPRO – Um Projeto de Cidadania, Educação e Cultura em Rio das Ostras.
Alameda Casimiro de Abreu, 292, Bairro Nova Esperança - centro
Rio das Ostras
Tel.: (22) 2771-8256 e Cel.:(22)9966-9436
E-mail: cepro.rj@gmail.com  
Twitter: http://www.twitter.com/CEPRO_RJ

 
 

O Brasil e a conservação das florestas e povos tradicionais


Um dos mecanismos mais complexos de se compreender nas negociações climáticas é o de proteção das florestas (chamado de REDD e REDD+). Embora difícil de entender, a questão é central para o Brasil, não apenas por causa da Amazônia e dos demais biomas, que fazem de nós o país mais rico em biodiversidade do mundo, mas também por estabelecer benefícios através de mecanismos de compensação aos países que reduzem suas emissões por desmatamento, além de fortalecer a conservação e a gestão sustentável das florestas.

Tendo sua criação sido em Bali, em 2007, desde a Conferência de Cancún, em 2011, estão sendo discutidos quais são exatamente as diretrizes das salvaguardas socioambientais para o desenvolvimento e implementação do mecanismo, que garantem benefícios às comunidades tradicionais e indígenas – os verdadeiros responsáveis pela proteção e conservação das florestas e ecossistemas. Em Varsóvia, na conferência que reuniu os países em novembro do ano passado, foi criada uma plataforma que estabelece os pré requisitos para o pagamento por resultados nesta área através da mensuração, relato e verificação das reduções de emissões. Após garantir um dos únicos resultados concretos da conferência de Varsóvia, o Brasil apresentou hoje ao Secretariado da UNFCCC um dos pré requisitos necessários para acessar os recursos. Por ser o primeiro país a utilizar a nova plataforma após seu estabelecimento no ano passado, a entrega da submissão foi realizada diante de aclamações e aplausos no hall da conferência.

Porém, embora tenha sido estabelecido em Cancún que as diretrizes das salvaguardas, ou seja, como elas aconteceriam na prática para que pudessem ser avaliadas no relatório de cada país que submetesse uma aplicação para o fundo, nos últimos três anos de negociação não houve conclusão sobre o tema. Portanto, embora os países, começando pelo Brasil que fez esta submissão hoje, devam reportar como estão respeitando as salvaguardas, não há nada que indique quais são os aspectos que devem constar neste relatório. Além das salvaguardas, também estão em questão e sendo bloqueados nas negociações os benefícios além do carbono, ou seja, aqueles garantidos pela conservação de florestas que não estão diretamente relacionados às emissões de carbono.

Mas por que o Brasil bloquearia negociações que garantem direitos e benefícios aos povos tradicionais? Nosso país já tem implementadas medidas nacionais de salvaguardas, financiadas pelo Fundo Amazônia e negociadas junto à FUNAI (Fundação Nacional do Índio). Já existe mais de um sistema de salvaguardas no Brasil e, se um novo for acordado com regras internacionais, o responsável pelo financiamento internacional será responsável por decidir pela aprovação ou não das medidas que, em realidade, já estão sendo implementadas com apoio da FUNAI.

Segundo a delegação brasileira, essa discussão cabe a outros fóruns que não o de mudanças climáticas, como o Fórum de Florestas, a Convenção de Biodiversidade, o Acordo Não Vinculante sobre Florestas ou a Convenção de Desertificação. O Brasil reduziu suas emissões, de 2005 a 2010, em praticamente o equivalente ao que um país como o Japão emite em um ano. O país está à disposição para ajudar outros que queiram implementar a nível nacional as salvaguardas, por exemplo, colocando à disposição imagens do INP3818189337_f4512f9b91_bE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para que cada nação possa criar seu sistema de monitoramento das florestas, além de capacitação dos profissionais envolvidos. A COMIFAC (Comissão das Florestas da África Central) já está recebendo este apoio e poderá usufruir das imagens captadas pelo sistema brasileiro diretamente em suas antenas. “Se querem fazer avançar o sistema de salvaguardas, apoiem os países a nível nacional, ou eles não conseguirão receber pagamento por resultado”, comentou Felipe Ferreira, do Ministério de Relações Exteriores.

Que as comunidades tradicionais e povos indígenas do Brasil estão recebendo seus devidos benefícios de acordo com a política nacional é uma boa notícia, apesar de não ser mais do que a obrigação do governo, mas me pergunto sobre as comunidades e povos de outros países que estão conservando florestas tão importantes quanto a amazônica ao redor do mundo, será que eles vão continuar sem receber seus merecidos retornos por estarem fazendo um bem para todos nós?

Raquel Rosenberg é coordenadora da Engjamundo, ONG que tem a missão de fornecer à juventude brasileira ferramentas para engajamento nas negociações globais.
 
 
CEPRO – Um Projeto de Cidadania, Educação e Cultura em Rio das Ostras.
Alameda Casimiro de Abreu, 292, Bairro Nova Esperança - centro
Rio das Ostras
Tel.: (22) 2771-8256 e Cel.:(22)9966-9436
E-mail: cepro.rj@gmail.com  
Twitter: http://www.twitter.com/CEPRO_RJ

CONAE Publicado cronograma das conferências estaduais da Conae A etapa estadual será realizada em todas as unidades da Federação. As datas estão disponíveis na página da Conae 2024

  A  maioria das  u nidades da Federação já agendou as datas para o lançamento e a realização das conferências estaduais, que antecedem a  C...