quinta-feira, 30 de maio de 2013

Economia política pensada a partir dos trabalhadores


A palavra economia tem seu significado constituído a partir de Aristóteles e quer dizer "economia da casa", ou seja, a economia é uma forma de interpretar e atuar sobre o mundo. Por isso, saber o que se passa nesse campo é fundamental para constituir propostas sobre como viver. O sistema capitalista, que atualmente comanda a forma de organizar a vida da maioria dos países do mundo, tem sua própria visão de economia.

Como é um sistema profundamente desigual, cria uma imensa comunidade de vítimas. Isso pode ser visto no cotidiano, no qual uns tem muito e outros estão sem acesso a praticamente tudo. O desemprego, a falta de saúde, educação, moradia, segurança, tudo isso é uma das faces do sistema baseado no capitalismo. A outra face diz respeito a uma pequena parte da população que se apropria das riquezas e vive sem qualquer problema.

No Brasil é muito comum que os economistas - na sua maioria - , os partidos políticos, os sindicalistas, os jornalistas e a maioria das lideranças populares pensem a economia como a expressão dos interesses da classe dominante. No geral, as explicações ideológicas sobre como funciona o mundo capitalista, que são disseminadas pelos meios monopólicos de comunicação, tornam a desigualdade criada pelo capitalismo como uma coisa normal. Ser pobre passa a ser culpa do indivíduo. É a pessoa que não se esforça, que não tem sorte ou que não sabe trabalhar. A classe dominante, que suga as riquezas da maioria, é inocentada a partir, inclusive, da própria universidade que lança todos os dias na vida uma série de pesquisadores e especialistas que tem por objetivo divulgar essa ideologia. São os "teólogos de aluguel" dessa "religião" que se tornou o mercado capitalista, conforme denuncia o filósofo brasileiro Álvaro Vieira Pinto. O professor Nildo Ouriques também adverte: a economia é também a expressão dos interesses dos trabalhadores, das pessoas comuns que sofrem os efeitos do sistema capitalista, no geral, como vítimas.

O Encontro da Associação Mundial de Economia Política, que acontece na UFSC de 24 a 26 de maio, pretende discutir essa "organização da casa" a partir da perspectiva dos trabalhadores, dos humilhados, dos oprimidos, dos que produzem a riqueza e não usufruem dela. Pretende revelar, a partir de dados reais, que na origem da riqueza de alguns está a exploração da maioria. E que as crises cíclicas do capital acabam por fazer com que também uma pequena parcela de gente acumule ainda mais riqueza. É da natureza do capitalismo expropriar a maioria para o regalo de poucos. Um exemplo disso se vê agora na Europa, onde mais de 44 milhões de pessoas estão desempregadas, enquanto alguns triplicam suas fortunas em função da crise. Nos Estados Unidos são mais de 46 milhões de pessoas que não tem acesso à saúde e os países da América Latina não tem motivo nenhum para se orgulhar do capitalismo dependente ao qual estão submetidos, com ilusórias bolhas de crescimento, que também só enriquecem alguns.

"Há que limpar as estrebarias", ironiza Álvaro Vieira Pinto, ao lembrar que é papel dos intelectuais críticos desfazer essa ilusão de que a pobreza é coisa natural. Há que conhecer a história, desvelar os mecanismos que movimentam a exploração e rebater os "arquitetos da alienação" com informações concretas acerca da realidade.

Pois isso é o que os economistas críticos pretendem realizar nesse encontro que acontece pela primeira vez na América do Sul. No geral, as atividades se concentram na Europa ou na Ásia, tendo saído para a América Latina apenas em 2012, quando a Universidade Nacional Autônoma do México recebeu o encontro. Agora, na UFSC, não apenas os economistas poderão participar das conferências e discussões. A reunião Anual da Associação de Economia Política estará aberta a estudantes, professores, sindicalistas e lideranças populares. Porque a UFSC e o Iela entendem que esse não é um tema para especialistas. É discussão para qualquer um que queira "organizar a casa", nesse caso, a nossa sociedade dependente e desigual.

A organização local está a cargo do professor de Economia da UFSC e membro do IELA, Nildo Ouriques, e todas as atividades são com entrada livre, sem custo. Durante as conferências da WAPE haverá tradução simultânea.

O Iela fará uma sessão latino-americana, que começa na sexta-feira (24) de manhã, para discutir a importância de Karl Marx para o pensamento crítico e a Dívida Externa como tema decisivo da economia política em nosso continente.

Elaine Tavares é jornalista.
Fonte: Brasil de fato 



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Cidades criam ações para transporte sustentável


Participantes do grupo C40 como Rio de Janeiro, São Paulo, Bogotá e Madri desenvolvem estratégias de carros e ônibus elétricos e híbridos para reduzir emissões de dióxido de carbono e diminuir poluição das cidades.

O que as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Bogotá, Santiago do Chile e Madri têm em comum? Além de serem grandes cidades conhecidas mundialmente por suas oportunidades profissionais e variedade turística, elas agora também compartilham iniciativas que buscam tornar o transporte mais sustentável, mitigando as emissões de CO2 e a poluição.

Os projetos desenvolvidos por essas cidades fazem parte de ações do C40, grupo de grandes cidades mundiais que discute alternativas para combater as mudanças climáticas. Atualmente, cerca de 60 cidades participam do C40, entre elas Cairo (Egito), Pequim (China), Sydney (Austrália), Berlim (Alemanha), Paris (França), Nova York (EUA) e Buenos Aires (Argentina). Do Brasil, fazem parte as cidades de Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo.

Entre as estratégias desenvolvidas pelo grupo estão a construção de edifícios verdes, a criação de ciclovias e estímulo a meios de transporte alternativos, desenvolvimento de iniciativas para redução de emissões e de consumo de eletricidade e água, concepção de projetos de eficiência energética, gestão de resíduos etc.

Atualmente, alguns dos projetos que mais têm chamado a atenção são os de transporte sustentável, que visam reduzir as emissões de carbono e diminuir a poluição das cidades. Um desses é o Programa de Teste de Ônibus Híbrido e Elétrico (HEBTP), realizado em parceria com Iniciativa Climática Clinton (CCI) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e que no último mês publicou um relatório com o parecer dos testes.

Segundo o documento do HEBTP, que avaliou a iniciativa nas cidades latino-americanas de Bogotá, Rio de Janeiro, Santiago do Chile e São Paulo, as tecnologias híbridas produzem volumes até 35% menores de emissões de gases do efeito estufa (GEEs) e de poluentes, e os ônibus são cerca de 30% mais eficientes em combustível do que os comuns, movidos a diesel.

Já os ônibus elétricos não produzem emissões e oferecem uma redução de 77% no consumo energético em relação ao uso de combustíveis fósseis. O texto também aponta que a nova tecnologia proporciona a redução de poluentes e outros problemas relacionados ao transporte público, como poluição sonora, o que traz não só benefícios ambientais, mas também sociais.

Além disso, o relatório indica que as tecnologias elétricas e híbridas são mais baratas em longo prazo. Isso porque apesar de os custos iniciais de compra dos ônibus de baixo carbono serem altos – 50% a 60% a mais para híbridos e 125% a 150% a mais para elétricos –, os gastos do ciclo de vida total, calculados para uma projeção de dez anos de operação, são iguais ou menores do que os valores dos ônibus convencionais à diesel. Os custos de manutenção de um ônibus elétrico, por exemplo, são cerca de 50% menores do que os de um convencional.

O documento enfatiza que esses números são excepcionalmente relevantes se considerarmos que o setor de transporte na América Latina é o maior emissor de CO2 por consumo energético, e é responsável por 35% das emissões totais do continente. Os valores são muito maiores do que a média mundial, na qual a participação desse setor nas emissões fica em 24%.

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“Os resultados das provas com ônibus híbridos e elétricos [...] demonstraram os benefícios econômicos e ambientais da utilização de veículos limpos. Nossa legislação municipal já exige o uso de 100% de veículos limpos em 2018 e acabamos de incorporar esses objetivos a nosso plano de governo. Vamos trabalhar duro para melhorar o transporte público na cidade”, colocou Fernando Haddad, prefeito de São Paulo.

“Os resultados do HEBTP são muito promissores e vamos continuar trabalhando com o C40-CCI para demonstrar que se pode criar um caso de negócios para a introdução dessas tecnologias. O uso das tecnologias baixas em carbono para os ônibus na cidade do Rio de Janeiro é parte de uma estratégia global para melhorar a mobilidade da cidade e seu desempenho em sustentabilidade”, acrescentou Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.

A análise, entretanto, ressalta que esse não é o primeiro projeto a tentar implantar ônibus híbridos e elétricos no transporte urbano público. De acordo com o relatório, “cidades do C40 tais como Chicago, Curitiba, Londres, México, Nova York, São Francisco, Seattle, Xangai, Tóquio e Toronto foram pioneiras no uso de ônibus híbridos e estão colaborando com os fabricantes para que estes entendam suas necessidades e para melhorar as tecnologias”.

Curitiba, por exemplo, foi pioneira nacional na produção de ônibus elétricos pra transporte coletivo, e atualmente 30 veículos híbridos operam na cidade. A operação dos ônibus começou em setembro de 2012, e atualmente eles percorrem cinco linhas, atendendo mais de 20 mil passageiros por dia.

Como os ônibus testados pelo HEBTP, os veículos de Curitiba apresentam redução de 35% no consumo de combustível, 35% menos emissões de CO2, 80% menos óxido de nitrogênio (80%) e 89% menos fumaça.

E não são apenas os veículos do transporte público que estão ganhando alternativas mais sustentáveis nos municípios. Em Madri, uma das cidades mais visitadas por turistas de todo o mundo, a rede de hotéis NH, conhecida por ser líder em turismo sustentável, criou um acordo com a Respiro Car Sharing, do ramo de aluguel de carros, para implantar o serviço de car sharing com veículos elétricos em hotéis da cadeia.

A parceria ampliará um serviço já existente de car sharing desenvolvido pelas duas empresas desde janeiro. A diferença é que agora os veículos utilizados serão o modelo Nissan LEAF, o primeiro carro 100% elétrico fabricado em grande escala.

O car sharing se apresenta como uma alternativa sustentável pois prevê o compartilhamento de um único veiculo por mais de um usuário. Segundo a Respiro, cada carro multiusuário supõe a retirada de circulação de pelo menos 15 veículos privados, reduzindo o impacto na cidade. Quando o carro é elétrico, os benefícios ambientais seriam ainda maiores. Além disso, cada usuário, por não possuir um carro, economizaria uma média de €2 a €5 mil por ano.

“A transição para a mobilidade elétrica demorará mais ou menos, mais sem dúvida é o futuro da mobilidade no entorno urbano, e a grande alternativa aos veículos de combustão”, observou Juan Luis Plá de la Rosa, chefe de departamento de transporte do Instituto para a Diversificação e Poupança de Energia (IDAE), ao site Ecosectores.

“Após a experiência em Madri esperamos poder transpor o modelo de car sharing para Barcelona e outras cidades da Espanha, assim como complementar esse serviço com o do aluguel de bicicletas elétricas de que já dispõem vários hotéis de nossa cadeia na Europa”, concluiu Hugo Rovira, diretor geral dos Hotéis NH Espanha.

Fonte: CarbonoBrasil.


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Pequenos produtores formam redes solidárias para atingir mercado global

da Agência Brasil
 
Uma feira que começou hoje (30) e vai até amanhã (31), nas areias de Copacabana, é um exemplo do que pode ocorrer quando produtores se reúnem e formam redes, nacionais e internacionais. O Salão Mundial do Comércio Justo e Solidário faz parte da 1ª Semana Mundial do Comércio Justo e Solidário, que começou no último dia 26, com o apoio da Secretaria Nacional de Economia Solidária, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e da  prefeitura do Rio de Janeiro.

“No mundo inteiro, os pequenos produtores estão tentando apresentar à sociedade uma nova forma de desenvolvimento, ter uma nova economia, que valorize mais o ser humano e o meio ambiente. É uma forma de ter produtos mais justos com o Planeta e com a população. Hoje. é mais fácil atuar em rede. A tecnologia consegue diminuir a distância e, com isso, é possível conversar e se organizar mais globalmente”, explicou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Solidário, Vinícius Assumpção.

Exemplos de casos bem-sucedidos não faltam na feira, que reúne 150 expositores de todas as regiões brasileiras e de diversos países. Alguns vieram de muito longe, como a artesã Meera Bhathrai, do Nepal, um país de 147 mil quilômetros quadrados e cerca de 30 milhões de habitantes encravado nas montanhas entre a Índia e a China. Ela trouxe bonequinhas de pano e echarpes, fabricadas por mulheres nepalesas.

“O problema do desemprego está nos matando, nos deixando sem saída. Mas as mulheres estão usando suas habilidades e desenvolvendo trabalhos artesanais em casa. De outra forma, elas não têm outras opções na vida, pois a maioria é pobre e analfabeta. Por meio do comércio justo e solidário, temos boas condições de trabalho, ao contrário de quem trabalha para empresas multinacionais”, disse Meera.

Entre os expositores, está um representante da Palestina, Shadi Mahmoud, que trouxe alguns dos poucos artigos possíveis de serem produzidos nos territórios ocupados: chás, óleo de oliva, temperos e tâmaras. Segundo ele, o maior problema no país é a falta de emprego. “Existe muito desemprego, que está crescendo por causa da ocupação israelense, que controla todos os aspectos da nossa vida. É muito difícil fazer negócios, pois não podemos importar ou exportar sem a permissão do governo de Israel. Muitos estão saindo das cidades e voltando a trabalhar na terra para sobreviver”, contou Shadi, que mora na cidade de Ramalá, na Cisjordânia.

Da América do Sul, o peruano Agapito Marcapiña veio representando a Associação dos Pequenos Produtores Artesanais e Ecológicos (Aptec), que reúne agricultores da região andina. “Produzimos grãos e frutas naturais dos Andes. Somos pequenos produtores, reunidos há sete anos. Eu era um pequenos agricultor e agora já tenho minha própria casa. Antes, trabalhávamos para os grandes exportadores e agora fazemos nossa própria exportação de forma organizada. Antes, não nos pagavam um preço justo e agora conseguimos por meio da união”, disse Agapito.

A gaúcha Luci Machado da Silva, artesã da Copearte, uma organização fundada em uma comunidade pobre na Vila Pinto, situada no bairro Bom Jesus, trouxe roupas, lençois e artesanato fabricado pelas integrantes da cooperativa. “O que nós mais precisamos é aprender a fazer a colocação das peças no mercado. Atualmente, ganho R$ 200 por mês, que não é muito dinheiro, mas ajuda bastante a renda da família, que é cerca de R$ 1 mil”, disse Luci.

Da Favela da Maré, na zona norte do Rio, veio a cerâmica negra, peças de argila primitivas escurecidas com uma técnica especial. “Depois de cinco horas de queima, a gente adiciona pó de serragem, que abafa o fogo, e a fuligem entranha na peça, que está incandescente e dá essa cor negra”, explicou Glória da Conceição Barreto, uma das fundadoras da organização, ao lado de Maria Evangelista da Silva Pereira, também presente na feira. Juntas, elas conseguem produzir até 200 peças por mês, incluindo pequenas estatuetas estilizadas do Cristo Redentor e do Pão de Açúcar.

O conceito de comércio justo e solidário prevê a formação de redes de pequenos produtores, que juntos conseguem colocar seus produtos em grandes mercados, explicou o guatemalteco Marvin López García, representante da Coordenadora Latino-Americana e do Caribe de Pequenos Produtores de Comércio Justo (Clac): “Somos uma plataforma que representa 21 países, com 15 produtos alimentícios, no sistema de comércio justo. Temos que estar fortalecidos para atender aos requerimentos do mercado e desenvolver relações mais diretas com os exportadores. Só há futuro se os pequenos produtores trabalharem coletivamente e de forma mais organizada.”


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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Brasil é o sétimo maior consumidor de energia do mundo, afirma Banco Mundial


Quantas pessoas no mundo inteiro carecem de acesso à eletricidade e aos combustíveis domésticos seguros? Qual é a parcela de uso de energia renovável em todo o mundo? O que estamos fazendo para melhorar a eficiência energética?

O Relatório Estrutura de Acompanhamento Global da Energia Sustentável para Todos, publicado no Fórum de Energia, em Viena (Áustria), no dia 28 de maio, responde a essas perguntas e pode indicar rumos para as políticas brasileiras, que é o sétimo maior consumidor de energia do mundo, segundo o documento. O país está atrás da China, EUA, Rússia, Índia, Japão e Alemanha.

O estudo apresenta dados nacionais e globais, que indicam o tamanho dos desafios para que os países cumpram os três objetivos da iniciativa Energia Sustentável para Todos (SE4ALL). São eles: proporcionar acesso universal à energia moderna, dobrar o uso de energia renovável e duplicar a taxa de melhoria da eficiência energética – tudo isso até 2030.

Atualmente, no mundo, cerca de 1,2 bilhão de pessoas (quase a população da Índia) não têm acesso à eletricidade e 2,8 bilhões dependem da lenha ou de outra fonte de biomassa para combustível doméstico, que quando estão na fase sólida poluem o ambiente e prejudicam a saúde, o que contribui para cerca de 4 milhões de mortes prematuras, na maioria de mulheres e crianças.

O relatório identificou os países de alto impacto que oferecem o maior potencial de progressos rápidos. Vinte países na Ásia e na África representam cerca de dois terços de todas as pessoas sem acesso à eletricidade e três quartos dos usuários de combustíveis domésticos sólidos. Outros 20 países de alto impacto – entre eles, o Brasil – são responsáveis por 80% do consumo de energia e deverão liderar o caminho para duplicar a parcela de fontes renováveis a 36% da mescla global de energia e dobrar a melhoria da eficiência energética.

Um exemplo de progresso entre esses países é a China: o país mais populoso do mundo é o maior consumidor de energia, mas está também liderando o mundo em expansão da energia renovável e na taxa de melhoria da eficiência energética.

O relatório concluiu que, para o alcance das metas, serão necessárias medidas políticas, que devem incluir incentivos fiscais, financeiros e econômicos, fim dos subsídios a combustíveis fósseis e definição do preço do carbono. A comunidade global também terá de investir em melhorias energéticas, apontou o documento, que estima os atuais investimentos em energia: cerca de 409 bilhões de dólares por ano. O valor deve dobrar para alcançar as três metas.

Segundo o Banco Mundial, seriam necessários entre 600 e 800 bilhões de dólares adicionais, incluindo pelo menos 45 bilhões de dólares para expansão da eletricidade, 4,4 bilhões de dólares para combustíveis destinados à culinária moderna, 394 bilhões para eficiência energética e 174 bilhões para energia renovável.

Qual é o ritmo de expansão do acesso à energia?

Embora 1,7 bilhão de pessoas tenham conseguido acesso à eletricidade entre 1990 e 2010, a taxa estava ligeiramente à frente com relação ao crescimento da população (em 1,6 bilhão) no mesmo período. O ritmo dessa expansão terá que dobrar para atingir a meta de 100% até 2030. Chegar a esse ponto exigirá um investimento adicional por ano de 45 bilhões de dólares em acesso, cinco vezes o nível anual.

Do ponto de vista do aquecimento global, no entanto, o custo dessa expansão é baixo: levar a eletricidade às pessoas aumentaria as emissões globais de dióxido de carbono em menos de 1%.

SE4ALL e relatório

A Energia Sustentável para Todos, uma coalizão global de governos, setor privado, sociedade civil e organizações internacionais, pretende alcançar a meta dobrando o volume de energia renovável na mescla global de energia, passando da parcela atual de 18% para 36% até o ano limite. A iniciativa também procura dobrar a taxa de melhoria da eficiência energética.

O SE4ALL foi lançado em 2011 pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que atualmente preside o conselho consultivo juntamente com o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim.
A Estrutura de Acompanhamento Global é um marco nesse esforço, afirmou Rachel Kyte, vice-presidente do Banco Mundial para a área de Desenvolvimento Sustentável e membro da iniciativa Energia Sustentável para Todos. “A estrutura oferece parâmetros para cumprir as metas globais de energia”, afirmou ela. “Todos poderão medir o progresso com relação a essas informações de base. E sabemos que isso é importante, porque o que se mede é o que será feito.”

Fonte: EcoD.



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