domingo, 22 de janeiro de 2012

A soberania alimentar e seus desafios


As monoculturas em larga escala para a produção de alimentos foram introduzidas, acompanhadas pelos “pacotes tecnológicos” da “revolução verde” que, ao longo dos anos, têm envenenado e empobrecido a biodiversidade. Isto tem afetado em especial as mulheres, por elas, em muitas comunidades ao redor do mundo, serem as principais responsáveis por cuidar da saúde, do abastecimento de água e da produção de alimentos, atividades muito atreladas à conservação da biodiversidade.

Enquanto muito da diversidade foi perdida, foram introduzidas e avançaram monoculturas geneticamente modificadas, como a soja, milho, eucalipto, etc., aprofundando os impactos sobre a biodiversidade. Nas suas definições, organismos oficiais, como a FAO, apoiam e fortalecem o modelo monocultural, chamando, por exemplo, uma monocultura de eucalipto transgênica de “floresta” e, com isso, desconsiderando por completo a biodiversidade imensa de uma verdadeira floresta.

O modelo de monoculturas em larga escala tem sempre alegado a sua suposta “produtividade” que, no entanto, não conseguiu evitar que cerca de um bilhão de pessoas no mundo continuem passando fome. Vale esclarecer que esta “produtividade” está sendo contestada seriamente, inclusive pela ciência. O mais longo estudo nos Estados Unidos sobre o assunto comprovou que a agricultura sem insumos químicos é muito superior ao modelo convencional em termos de colheita e viabilidade(1). E mais: é fato que os camponeses, mesmo com todas as pressões vividas, continuam responsáveis pela produção da maior parte da comida consumida pela população mundial.

E foram justamente camponeses e camponesas, organizados na Via Campesina, que no início da década de 1990, desenvolveram o conceito de soberania alimentar. Este é um conceito amplo, que engloba enfoques especiais para enfrentar e estimular alternativas às políticas neoliberais que sustentam o paradigma de desenvolvimento dominante, fundamentado no comércio agrícola internacional liberalizado, na segurança alimentar baseada no comércio e produção industrial agrícola e de alimentos. Essas políticas, canalizadas em grande medida pelo “marco” internacional dado pela Organização Mundial do Comércio, pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Mundial e demais organismos da política econômico-financeira internacional, têm sido responsáveis, dentre outras coisas, pela contínua expulsão de camponesas e camponeses de suas terras. Também têm sido responsáveis pelo crescente controle de algumas empresas transnacionais sobre a cadeia produtiva, da produção das sementes até a venda dos grãos, o que tem provocado uma redução da soberania alimentar.

Dentro dessa mesma lógica, há algumas décadas, está em curso um processo de apropriação e privatização de sementes no mundo por poucas empresas transnacionais ocidentais, o que se chama “patenteamento”. Hoje em dia, muitos camponeses se veem obrigados a comprar sementes, pagando royalties às empresas “donas” das mesmas, que enriquecem enquanto os camponeses perdem sua autonomia para reproduzir a vida na terra. E para as empresas é estratégico ter o controle sobre todas as sementes para continuar a garantir o fornecimento para os agricultores.

Mais recentemente, surgiu o conceito dos chamados “serviços ambientais”, para os quais elementos da biodiversidade como a água, a regulação do clima e a conservação do solo passam a ser comercializados, até mesmo nas bolsas de valores, abrindo margem para a “especulação com a natureza”. O fato é que seu valor necessariamente vai depender da oferta, o que resulta na lógica perversa de quanto mais destruição, mais poderá render um “serviço ambiental”. E tudo isto é chamado de “economia verde”.

O que significa isso para as populações locais e, sobretudo, para a biodiversidade e a soberania alimentar? Significa mais pressão sobre os recursos naturais, sobre a biodiversidade, das quais essas populações dependem, o que resultará em mais expulsão de milhares de pessoas. E se, por acaso, sua permanência for aceita, a população não poderá mais interferir nos recursos, na biodiversidade. Isto é um desrespeito à sua cultura e reduz a soberania alimentar quando, por exemplo, elas são proibidas de fazer suas roças de subsistência, o que já está ocorrendo em diversas partes do mundo. Com isso, perdem controle sobre o território, perdem sua autonomia.

Por isso, é muito importante que as comunidades hoje em dia busquem entender plenamente as propostas chamadas “verdes” que são feitas a elas, desde o mecanismo de carbono florestal – REDD+ –, até a venda de serviços ambientais. Geralmente, são apresentadas como coisas boas que beneficiariam a comunidade e melhorariam o meio ambiente. Na realidade, são mecanismos que, por sua própria lógica, tendem a piorar o meio ambiente global, e pelo controle que querem exercer sobre o território das populações indígenas, tradicionais e rurais, afetarão profundamente a soberania alimentar de milhões de pessoas no mundo que querem conservar seus modos de vida.

Fonte: Outras Palavras

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Programação de verão do Teatro Popular continua no final de semana


Dando continuidade às atrações culturais da alta temporada na cidade, a programação de Verão da Fundação Rio das Ostras de Cultura segue no Teatro Popular de sexta-feira a domingo. No dia 20, sexta, o público confere as apresentações do musical Broadway – Momentos. Dias 21 e 22, sábado e domingo, é a vez da peça Alonso Quixano, baseada no romance “O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha”, de Miguel de Cervantes.

O musical Broadway – Momentos é apresentado nas vozes de Natália Benites, Felipe Viana e Luís Cláudio Lorenz, alunos e professor do Centro de Formação Artística de Música, Dança e Teatro que sobem ao palco para um show que irá encantar a todos Dom Quixote

A peça Alonso Quixano estreia no sábado, dia 21, e continua no domingo, dia 22, sempre a partir das 20h. O espetáculo narra a história de Dom Quixote e suas aventuras fantasiosas ao lado de seu fiel escudeiro Sancho Pança, em uma sátira aos romances de cavalaria, tão populares, mas decadentes no início do século XVII.

O projeto é uma parceria entre a “Cia. Pegasus de Teatro” e o “Grupo de Pesquisa Teatral Além da Onda” (formado por alunos do Centro de Formação Artística de Rio das Ostras).

A proposta é explorar algo além das aventuras de Quixote, desvendando a psique de Alonso Quixano, pois, de tão fascinado pela leitura dos romances de cavalaria, acabou por pensar ser um Cavaleiro Andante. Os personagens se multiplicam em cena, Alonso Quixano se transforma em Dom Quixote, e os outros três integrantes da casa vão se tornando os outros personagens do sonho do velho fidalgo. A ama de Alonso, sua sobrinha Antônia, e mais um menino agregado, embarcam na viagem do mesmo para vencê-lo e resgatá-lo de sua fantasia.

Todos os sonhos do protagonista são construídos e desconstruídos dentro do seu quarto, dando novos significados às coisas compostas no cenário, além de contar com a presença de bonecos em cena que contribuem para um imaginário lúdico. Apesar do drama vivido pelo protagonista, por conta de suas delirantes posturas, o belo se manifesta em toda a trama, pois os sonhos e os devaneios são apresentados como a força que impulsiona o ser humano em sua busca pela felicidade.



Serviço:

BROADWAY- MOMENTOS
Sexta-feira, dia 20, às 20h
Ingressos: R$15 e R$7

ALONSO QUIXANO (DOM QUIXOTE)
Dias 21 e 22 às 20h
Ingressos: R$20 R$10 meia/antecipado

O Teatro Popular fica na Avenida Amazonas, s/n – Centro
Fonte: Secom

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Cidades Verdes


Será realizada nos dias 26 e 27 de janeiro de 2012, no auditório da FIRJAN ( Av. Graça Aranha, 01/ 2º andar) , a 2ª Conferência Cidades Verdes , este ano enfocando dois temas: “Grandes Eventos, Legado e Sustentabilidade” e “Prevenindo e Remediando Catástrofes na Era do Aquecimento Global”.

Realizada pelo Instituto OndAzul, a Conferência é patrocinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, com apoio da Firjan, MetrôRio e da empresa Carvalho Hosken. O prefeito Eduardo Paes fará a abertura.

A Conferência Cidades Verdes está sendo realizada pela segunda vez e contará com palestras e debates de especialistas em diversos setores da sustentabilidade, como por exemplo, o Deputado Federal Alfredo Sirkis, Presidente da Subcomissão Rio +20, Luiz Fernando Pezão, Vice-Governador e Coordenador dos Projetos de Obras de Infraestrutura do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Besserman, Presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura, Eduardo Jorge, Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente da cidade de São Paulo e Dan Epstein, Diretor de Sustentabilidade e Regeneração Urbana dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, entre outros nomes da maior relevância.



INSTITUTO ONDAZUL

O OndAzul foi criada em outubro de 1990, por Gilberto Gil em conjunto com um grupo de ambientalistas comprometidos com a preservação das águas.

Hoje, após completar vinte e um anos, o OndAzul percorreu diversos caminhos, avançando em várias frentes e liderando lutas em defesa das praias e de outros ambientes aquáticos.

Os esforços realizados durante esse período permitiram a realização de diversas ações voltadas para a construção de sociedades ambientalmente sustentáveis, através da realização de projetos de recuperação de áreas degradadas, e da mobilização de comunidades em torno das questões que envolvem resíduos sólidos, gestão comunitária, proteção de mares e mananciais de águas doces, em conjunto com o estimulo a ações que visem à preservação de patrimônios culturais.

Entre os principais projetos realizados pelo Instituto OndAzul podemos destacar o Recult, pioneiro trabalho de reciclagem de garrfas PET na comunidade de Vigário Geral e o Projeto Mangue Vivo, ainda em andamento, que já reflorestou cerca de 15 hectares da vegetação nativa às margens da poluída Baía de Guanabara.

Durante o evento será lançado o novo site do Instituto OndAzul mais interativo e com maior conteúdo para pesquisas.



PROGRAMA

Conferência Cidades Verdes II – Grandes eventos, legado e sustentabilidade.

Data: 26.01. 2012
Local: Centro de Convenções da FIRJAN Av. Graça Aranha, 01 / 2º andar

08:00 / 08:30 – credenciamento e café da manhã

08:30 / 09:15 – Mesa de Abertura:

Alfredo Sirkis – Deputado Federal (PV) e Presidente da Subcomissão Rio + 20.

Márcio Fortes – Presidente da Autoridade Pública Olímpica

Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira – Presidente da FIRJAN (a confirmar)

Eduardo Paes – Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro


09:15 – 10:15 – Mesa 1 – Um balanço da Rio 92 e dos Jogos Pan Americanos

Coordenação: Sérgio Besserman – Presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

Samyra Crespo – Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente.

Ruy César – Secretário Especial do Gabinete do Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro

Alfredo Sirkis – Deputado Federal (PV) e Presidente da Subcomissão Rio + 20.


10:15 –10:45 – debate

10:45 / 12:00 – Mesa 2 – Estudos de caso internacionais

Coordenação: Alfredo Sirkis – Deputado Federal (PV) e Presidente da Subcomissão Rio + 20.

Susan Brownell (China)) – Ph.D. pela Universidade da Califórnia, é especialista sobre esportes na China.

Josep Pinos (Barcelona) – Professor Associado de Urbanismo e Projetos da Universidade Politécnica da Catalunha.

Andrew Boraine (Cidade do Cabo) – Diretor Executivo da Parceria da Cidade do Cabo.

Jeb Brugman – Sócio Gerente da The Next Practice e Consultor Estratégico Sênior do ICLEI Governos Locais pela Sustentabilidade.


12:00 – 12:45 – debate

12:45 / 13:45 – intervalo p/ almoço

13:45 / 14:45 – Mesa 3 – Relação entre o supra nacional, o nacional e o local na organização dos Jogos.

Coordenação: Ricardo Neves – consultor de estratégia junto a empresas e organizações de desenvolviment(Banco Mundial, PNUD, Banco Interamericano).

Dan Epstein (Londres) Diretor de Sustentabilidade e Regeneração Urbana dos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

Maria Sílvia Bastos – Presidente da Empresa Olímpica Municipal

Henrique Meirelles – Presidente do Conselho Público Olímpico.


14:45 / 15:15 – debate

15:15 / 16:30 – Mesa 4 – Como vamos até agora em termos de sustentabilidade?

Coordenação: Carlos Alberto Muniz – Vice-Prefeito e Secretário Municipal de Meio Ambiente da Cidade do Rio de Janeiro

Carlos Vainer – Professor Titular do IPPUR/UFRJ.

Claudio Langone – Coordenador da Câmara Temática de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014 do Ministério do Esporte.

Roberto Ainbinder – Diretor de Projetos da Empresa Olímpica Municipal.


16:30 – 17:00 – debate

17:00 / 17:30 – encerramento e considerações

17:30 / 18:00 – café
Conferência Cidades Verdes III – Prevenindo e remediando catástrofes na era do aquecimento global


Dia 27.01.2012

Local: Auditório da FIRJAN – Av. Graça Aranha, 01 / 2º andar.

08:00 / 08:30 – credenciamento e café da manhã

08:30 / 09:00 – Mesa de Abertura
Alfredo Sirkis – Deputado Federal PV e Presidente da Subcomissão Rio + 20.
Marilene Ramos – Presidente do INEA Instituto Estadual do Ambiente.
Luiz Fernando Pezão – Vice-Governador e Coordenador Executivo dos Projetos e Obras de InfraestruturadoEstado do Rio de Janeiro.


09:00 / 10:45 – Mesa 1 – O Rio de Janeiro e o aquecimento global
Coordenação: André Trigueiro – jornalista e professor da Puc-Rio.
Prof. Emílio La Rovere – Coordenador do LIMA – Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente da UFRJ.

Aspásia Camargo – Deputada Estadual (PV).
Sérgio Besserman – Presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura
Marilene Ramos – Presidente do INEA Instituto Estadual do Ambiente.

10:45 / 11:00 – debate

11:00 / 12:00 – Mesa 2 – Friburgo e Teresópolis, reconstrução e prevenção
Coordenação: Amélia Gonzalez – Jornalista, editora do caderno Razão Social do Jornal O Globo
Leila Soraya Menezes – Coordenadora do Projeto “Mudanças climáticas e respostas a desastres” da CARE-Brasil.

Vinicius Leal Cavalleiro – Promotor de Justiça e Coordenador-Geral do 6º Centro de Apoio Operacional do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

12:00 / 12:30 debate

12:30 / 13:30 – intervalo para almoço
13:30 / 14:30 – Mesa 3 – Uma nova defesa civil

Coordenação: Paulo Messina – Vereador (PV)

Maria Nazareth Solino – Membro do Grupo de Estudos em Redução de Desastres do Instituto Brasileiro de Petróleo e colaboradora da Defesa Civil Municipal e Estadual do Rio de Janeiro.

Marcelo Tilio – Coordenador de Projetos da Tecgraf da PUC-Rio.
Glauber Braga – Advogado e Deputado Federal (PSB/RJ).

14:30 / 15:30 – debate

15:30 / 16:45 – Mesa 4 – Um urbanismo da era de aquecimento global

Coordenação: Thais Corral – Coordenadora Geral da Redeh

Jeb Brugman – Sócio Gerente da The Next Practice e Consultor Estratégico Sênior do ICLEI Governos Locais pela Sustentabilidade.

Eduardo Jorge – Secretário Municipal da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Cidade de São Paulo.

Felipe Peixoto – Secretário Estadual de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca.

Alfredo Sirkis – Deputado Federal (PV) e Presidente da Subcomissão Rio + 20.

16:45 – 17:15 – Debate

17:15 / 17:30 – encerramento e considerações

17:30 – 18:00 – Café


MAIS INFORMAÇÕES E ENTREVISTAS COM OS PARTICIPANTES E/OU ORGANIZADORES DA CONFERÊNCIA COM ELIZABETH CAMARÃO, PELOS TELEFONES 21.2521.3249 E 9124.1172



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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Manuel Bandeira - estrela da vida inteira



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‘Só um Deus nos poderá salvar'

Por Leonardo Boff

Esta frase não vem de algum Papa mas de Martin Heidegger (1889-1976), um dos mais profundos filósofos alemães do século XX, num entrevista dada ao semanário Der Spiegel no dia 23 de setembro de 1966 mas somente publicada no dia 31 de maio de 1976, uma semana após a sua morte. Heidegger sempre foi um observador atento dos destinos amedrontadores de nossa civilização tecnológica. Para ele a tecnologia como intervenção na dinâmica natural do mundo para benefício humano, penetrou de tal maneira em nosso modo de ser que se transformou numa segunda natureza.


Hoje em dia não podemos nos imaginar sem o vasto aparato tecnocientífico sobre o qual está assentada nossa civilização. Mas ela é dominada por uma compulsão oportunística que se traduz pela fórmula: se podemos fazer, também nos é permitido fazer sem qualquer outra consideração ética. As armas de destruição em massa surgiram desta atitude. Se existem, por que não usá-las?

Para o filósofo, uma técnica assim sem consciência, é a mais lídima expressão de nosso paradigma e de nossa mentalidade, nascidos nos primórdios da modernidade, no século XVI, cujas raízes, no entanto, se encontram já na clássica metafísica grega. Esta mentalidade se orienta pela exploração, pelo cálculo, pela mecanização e pela eficiência aplicada em todos os âmbitos, mas principalmente em relação para com a natureza. Essa compreensão entrou em nós de tal maneira que reputamos a tecnologia como a panacéia para todos os nossos problemas.


Inconscientemente nos definimos contra a natureza que deve ser dominada e explorada. Nós mesmos nos fizemos objeto de ciência, a ser manipulados, nossos órgãos e até nossos genes.


Criou-se um divórcio entre ser humano e natureza que se revela pela crescente degradação ambiental e social. A manutenção e a aceleração deste processo tecnológico, segundo ele, pode nos levar a uma eventual autodestruição. A máquina de morte já está há decênios construída.


Para sair desta situação não são suficientes apelos éticos e religiosos, muito menos a simples boa-vontade. Trata-se de um problema metafísico, quer dizer, de um modo de ver e de pensar a realidade. Colocamo-nos num trem que corre célere sobre dois trilhos e não temos como pará-lo. E ele está indo ao encontro de um abismo lá na frente. Que fazer? Eis a questão.


Se quiséssemos, teríamos em nossa tradição cultural, uma outra mentalidade, nos presocráticos como Heráclito entre outros, que ainda viam a conexão orgânica entre ser humano e natureza, entre o divino e o terreno e alimentavam um sentido de pertença a um Todo maior. O saber não estava a serviço do poder, mas da vida e da contemplação do mistério do ser. Ou em toda a reflexão contemporânea sobre o novo paradigma cosmológico-ecológico que vê a unidade e a complexidade do único e grande processo da evolução do qual todos os seres são emergências e interdependentes. Mas esse caminho nos é vedado pelo excesso de tecnociência, de racionalidade calculatória e pelos imensos interesses econômicos das grandes corporações que vivem deste status quo.


Para onde vamos? É neste contexto indagações que Heidegger pronunciou a famosa e profética sentença: "A filosofia não poderá realizar diretamente nenhuma mudança da atual situação do mundo. Isso vale não apenas para a filosofia mas principalmente para toda a atividade de pensamento humano. Somente um Deus nos pode salvar (Nur noch ein Gott kann uns retten). Para nós resta a única possibilidade no campo do pensamento e da poesia que é preparar uma disposição para o aparecimento de Deus ou para a ausência de Deus em tempo de ocaso (Untergrund); pois, nós, em face do Deus ausente, vamos desaparecer”.


O que Heidegger afirma está sendo também gritado por notáveis pensadores, cientistas e ecólogos. Ou mudamos de rumo ou a nossa civilização põe em risco o seu futuro. A nossa atitude é de abertura a um advento de Deus, aquela Energia poderosa e amorosa que sustenta cada ser e o inteiro universo. Ele nos poderá salvar. Essa atitude é bem representada pela gratuidade da poesia e do livre pensar. Como Deus, segundo as Escrituras, é "o soberano amante da vida”(Sabedoria 11,24), esperamos que não permitirá um fim trágico para o ser humano. Este existe para brilhar, conviver e ser feliz.

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

BNDES abre inscrições para financiar setor audiovisual

da Agência Brasil
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu hoje (17) inscrições para o novo edital de cinema, que concederá R$ 14 milhões para apoio ao setor audiovisual, este ano. Os recursos serão aplicados na produção e finalização de obras de ficção, animação e documentários, informou o banco, por meio de sua a assessoria de imprensa. As inscrições serão encerradas no dia 15 de março.


Este ano o BNDES decidiu inovar, direcionando o foco de sua atuação também para obras autorais, que apresentem possibilidade de reconhecimento fora do país, sem se limitar à seleção de projetos da indústria audiovisual utilizando critérios de mercado.


As propostas serão divididas em dois grupos. O primeiro destaca resultados econômico-financeiros para os investidores, sem perda da qualidade técnica e artística dos filmes. O segundo grupo vai priorizar projetos que busquem o reconhecimento artístico e técnico no exterior. O argumento e o roteiro, além de prêmios auferidos pelos projetos, contarão ponto na análise pelo BNDES.


Do total de R$ 14 milhões previstos no edital de cinema 2012, R$ 12 milhões serão destinados para a produção e finalização de obras de ficção e animação e R$ 2 milhões para a produção de documentários. O banco informou que poderão concorrer aos recursos projetos aprovados pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) e que tenham registro ou protocolo de registro de emissão e distribuição de certificados de investimento audiovisual na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de acordo com a Lei do Audiovisual.


Projetos apoiados em editais anteriores ou de empresas que estejam inadimplentes com o banco não poderão inscrever-se. Considerado um dos principais apoiadores do cinema nacional, o BNDES lançou o primeiro edital de cinema em 1995, tendo desembolsado um total de R$ 146,7 milhões para a produção cinematográfica do país.


O BNDES apoia ainda o setor do audiovisual, por meio da concessão de crédito a projetos de construção de salas exibidoras, produção cinematográfica, capitalização de empresas, entre outras modalidades de financiamento. Nesses setores, os recursos liberados pelo banco totalizam R$ 118,6 milhões, nos últimos cinco anos. Segundo o banco, esses recursos alavancaram investimentos no montante de R$ 250 milhões. Em fundos de financiamento da indústria cinematográfica nacional, o apoio do BNDES alcança R$ 39,9 milhões.
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Ministério da Cultura amplia em mais de R$ 270 milhões recursos para o setor em 2012

da Agência Brasil

Com um dos menores orçamentos da Esplanada dos Ministérios, o Ministério da Cultura informou que terá este ano mais recursos do que em 2011. O ministro interino da Cultura, Vítor Ortiz, disse à Agência Brasil que a expectativa é de um total de pouco mais de R$ 2 bilhões. No ano passado, a pasta obteve R$ 1,07 bilhão executado (utilizado). Para ele, o salto orçamentário foi gerado pelo fato de 99% do programado para 2011 terem sido utilizados.

“É, sem dúvida alguma, um dos melhores resultados do governo [no que diz respeito à execução orçamentária]. Também representa um medidor de eficiência de gestão, o que nos capacita a receber cerca de R$ 270 milhões a mais neste ano”, disse Ortiz.

O total bruto de R$ 2,3 bilhões previstos para 2012, segundo o ministro, não inclui os recursos da Lei Rouanet (de incentivo à cultura) – que permite que pessoas físicas ou jurídicas apliquem parte do Imposto de Renda em ações culturais.

A aplicação do orçamento do Ministério da Cultura para 2012 já está definida, com uma série de prioridades. Pelo menos 400 praças de esporte e cultura serão construídas em todo o país, a leitura ganhará incentivos com programas específicos e serão ampliados os investimentos em artes visuais, dança, teatro, música, além de melhorias na infraestrutura das casas de espetáculos.

Até o fim do mês, o ministério envia para a Casa Civil o projeto referente ao programa Livro Popular cuja proposta é adotar medidas que levem ao barateamento do preço do livro, que deve ficar em torno de R$ 10,00. O projeto deve envolver bibliotecas, editoras e as parcerias dos governos federal e estadual. Ao mesmo tempo, serão lançados programas de incentivo à leitura.

Também está em fase de elaboração o programa Economia Criativa. Nele, os investidores terão informações sobre como investir em cultura, gerar lucros e valorizar o potencial da economia brasileira.

Paralelamente, em parceria com os estados, serão construídos e reformados teatros em todo o país. Os investimentos iniciais são para a construção do Teatro da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), no Rio Grande do Sul, e das restaurações dos prédios do Teatro de Natal, no Rio Grande do Norte, e do Teatro Brasileiro da Comédia, em São Paulo.

Os projetos organizados pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), a ampliação de pontos culturais inseridos no Plano Nacional de Cultura – que reúne 53 metas a serem executadas até 2020 – e a divulgação de editais para a implementação de trabalhos de artes visuais, teatro, música, fotografia e dança também estão na relação das prioridades do governo até o fim deste ano.


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Sem usar palavras, documentário conta trajetória musical de Tom Jobim

da Agência Brasil

Com estreia prevista para o dia 20 deste mês em cinemas de todo o país, o documentário A Música Segundo Tom Jobim mostra a trajetória do compositor brasileiro, autor de obra mundialmente reconhecida como uma das mais importantes da música popular do século 20. Concebido com base na música do “maestro soberano”, com imagens em movimento e fotográficas – não há uma palavra sequer no filme - o documentário tem na direção um dos mais importantes cineastas brasileiros, Nelson Pereira dos Santos, em parceria com a neta de Tom, Dora Jobim.

A decisão de trabalhar unicamente com o acervo de fotos e filmes da família do compositor e os arquivos obtidos pelo pesquisador Antonio Venâncio foi do diretor de Vidas Secas e Memórias do Cárcere, entre mais de 20 filmes premiados. “Vi que em cada imagem havia outra história, e mais outra. Era uma história dentro da outra, contando tudo por meio da música”, disse o cineasta, ao explicar que o material podia, por si só, mostrar a trajetória de Antônio Carlos Jobim (1927-1994).

Com experiência na área dos DVDs musicais, Dora Jobim, que divide a direção com Nélson, foi responsável pelo levantamento extenso do acervo fotográfico e de imagens da viúva de Tom, Ana Jobim. O resultado é uma sucessão de imagens do próprio compositor e de cantores brasileiros e estrangeiros, em interpretações de clássicos do repertório jobiniano.

São mais de 40 nomes interpretando as canções de Jobim ao longo dos 90 minutos do documentário. Entre os brasileiros estão Elizeth Cardoso, Maysa, Elis Regina, Nara Leão,Gal Costa, Nana Caymmi, Miúcha, Adriana Calcanhoto, Agostinho dos Santos, Vinicius de Morais, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Paulinho da Viola e Carlinhos Brown. A relação de intérpretes internacionais inclui nomes como Frank Sinatra, Judy Garland, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Errol Garner, Henri Salvador e as contemporâneas Diana Krall e Jane Monheit.

Produção da Regina Filmes, o documentário tem roteiro assinado pelo próprio Nelson Pereira dos Santos, juntamente com a cantora Miúcha. A direção musical ficou a cargo do filho de Tom, o também músico Paulo Jobim.


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Gestante vai receber R$ 50 para pagar transporte para o pré-natal e parto

da Agência Brasil

Gestantes atendidas pelo Rede Cegonha vão receber R$ 50 para pagar o transporte até a maternidade para as consultas do pré-natal e no dia do parto. O valor foi definido em portaria do Ministério da Saúde, publicada hoje (12) no Diário Oficial da União, e entra em vigor em dois meses.
Para receber a ajuda, a mulher precisa estar na lista do Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para Prevenção da Mortalidade Materna e preencher formulário nas maternidades ou hospitais vinculados ao Rede Cegonha solicitando o benefício, que será pago em duas parcelas de R$ 25.
A primeira para cobrir os gastos de transporte durante o pré-natal e, a segunda, para o deslocamento ao hospital no dia do parto. A Caixa é a responsável pelo pagamento por meio de cartão, depósito em conta bancária ou outro meio disponível.
A gestante atendida pelo Programa Bolsa Família vai receber a ajuda de custo junto com o benefício do programa.
A cada ano, o Ministério da Saúde vai divulgar o número de gestantes beneficiadas, sem informar dados pessoais da paciente, conforme a portaria.


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sábado, 7 de janeiro de 2012

Regras para carros menos poluentes começam a valer em 2012


A partir de 2012, a população das cidades brasileiras terão razão de sobra para respirar aliviada. Medidas adotadas pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que começam a valer no primeiro dia do ano, devem elevar a qualidade do ar nos centros urbanos a padrões internacionais nos próximos anos.

É a fase P-7 do Programa Nacional de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores. Estão previstos níveis de redução de poluentes só atingidos até agora pelos países mais desenvolvidos.

As novas regras, negociadas com a indústria e com os representantes da sociedade civil no Conama, prometem reduzir drasticamente a poluição que sai do escapamento de ônibus e caminhões. Juntos, eles são os maiores responsáveis pelo sufoco da população, emitem grande parte dos poluentes que afetam diretamente a saúde dos habitantes das cidades, principalmente grandes e médias.

A ampliação da oferta no mercado do Diesel S-50 e sua substituição daqui a um ano pelo S-10, com teor de enxofre 50 vezes menor que o utilizado até agora, aliada aos Planos Estaduais de Controle da Poluição do Ar, que vierem com a obrigatoriedade da inspeção veicular, fazem parte do pacote que vai garantir uma melhor qualidade do ar nos grandes centros urbanos.

Os Estados, de acordo com os níveis de poluição de suas cidades, podem optar ou não pela inspeção dos veículos usados. “Nas regiões onde eles afetam a saúde e o meio ambiente, a medida deverá ser adotada”, avalia o secretário de ambiente urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Nabil Bonduki.

De acordo com informações do Proconve, está sendo ampliada em todo o país a oferta dos combustíveis menos poluentes nas bombas. A indústria já modificou totalmente os motores dos veículos pesados novos e, a partir de agora, os motoristas de carros já em uso vão precisar medir os níveis de emissões de poluentes na hora de renovar a licença anual.

Nas cidades que adotarem os novos critérios, a licença não sai para quem não estiver dentro dos limites, de acordo com o plano de cada um dos 26 Estados. “Os níveis exigidos variam porque os problemas enfrentados por cada uma das cidades são diferentes”, explica o gerente de qualidade do ar do MMA, Rudolf Noronha.

A redução da quantidade de poluentes lançados na atmosfera pela frota brasileira, que cresce em média 12% todo ano, já vem sendo sentida nos últimos anos. Nos carros de passeio, a redução gradativa que começou há 25 anos, entra na fase L-6 daqui a dois anos. O resultado será uma gasolina aditivada, de alta qualidade, baixo teor de enxofre e livre de chumbo, além de motores muito mais eficientes do ponto de vista ambiental.

“Nossos combustíveis estarão entre os menos poluentes do mundo”, assegura a diretora do departamento de qualidade ambiental do MMA, Sérgia Oliveira. Para ela, “o Proconve concretizou uma fase importantíssima, fruto de um trabalho intenso nos últimos três anos”. A melhoria da qualidade do ar vai ser sentida na redução de doenças respiratórias, que além dos prejuízos à saúde, principalmente de crianças e idosos, impactam no orçamento do Sistema Único de Saúde.

Fonte: CarbonoBrasil.

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