quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Pesquisa mostra que 12% dos pais são comprometidos com a educação dos filhos

Da Agência Brasil

A Pesquisa Atitudes pela Educação, divulgada hoje (6) pelo movimento Todos pela Educação, mostra que 19% dos pais de estudantes são considerados distantes do ambiente escolar e da própria relação com os filhos. No outro extremo, 12% dos pais sãos comprometidos, ou seja, acompanham o desempenho dos filhos na escola, comparecem às atividades escolares e têm relação próxima com crianças e jovens.

A pesquisa envolveu 2.002 pais ou responsáveis de alunos de 4 a 17 anos, matriculados da educação infantil ao ensino médio, em escolas públicas e particulares de todas as regiões do país. Dependendo da maior ou menor valorização da educação e vínculo com a criança ou jovem, o estudo classifica os pais como envolvidos (25%), vinculados (27%), intermediários (17%), comprometidos e distantes.

Entre os pais considerados distantes, 25% procuram se informar sobre a proposta de ensino da escola, 37% ajudam a organizar o material para as aulas e 20% conversam com o filho sobre talentos no estudos e em outras atividades. Além disso, 60% gostam dos momentos que passam com parentes e 59% acreditam que há uma relação de respeito entre todos na família.

Dos 12% comprometidos, 86% se informam sobre a proposta de ensino da escola, 98% observam as faltas, 91% respeitam a opinião das crianças e dos jovens, 79% mantêm contato com a escola sobre o desenvolvimento do aluno, 100% gostam dos momentos em família e 99% acreditam que há uma relação de respeito entre seus membros.

De acordo com Alejandra Meraz Velasco, coordenadora-geral do Todos Pela Educação, os que têm perfil mais envolvido acreditam que o estudo pode garantir uma vida melhor. Destes, a maioria respondeu sobre escola e importância da educação escolar. Pais com perfil mais vinculado são os que têm diálogo muito bom com os filhos, embora esse vínculo não passe, necessariamente, pela educação.

Alejandra explicou que a participação dos pais é fundamental para o desempenho escolar. Segundo ela, a família e o contexto socioeconômico facilitam esse desempenho. "O que a gente percebe em outras pesquisas qualitativas é que essas duas dimensões têm de estar equilibradas. Não aditanta vínculo afetivo melhor sem a valorização da escola. Da mesma forma, o pai que valoriza a educação e não estabelece diálogo com filho será pouco efetivo na educação", salientou.

Na ánalise de Alejandra, o percentual de pais distantes é baixo, mas ainda há o que melhorar. "Eles têm uma relação abaixo da média da observada em outros pais. Isto não quer dizer que não se importem com os filhos ou com a educação. A gente percebe espaço para transformar a atitude dos pais, de modo que tenha impacto positivo na educação", comentou.

Em relação à presença nas reuniões escolares, o levantamento mostra que 53% participaram de todas, 26% de algumas e 19% não participam de nenhuma. A principal justificativa (66%) é a falta de tempo.  

O levantamento ressalta que o quantitativo de pais que buscam crianças e jovens na escola diminui à medida que o estudante cresce. Conforme os dados, 58% dos pais buscam filhos entre 4 e 5 anos e apenas 3% das crianças vão a pé ou de transporte público. O cenário é inverso na faixa entre 15 e 17 anos. Somente 13% dos pais levam filhos ao colégio e 75% dos jovens vão sozinhos. De acordo com Alejandra, é natural que a relação pai e filho mude com a idade e que as cobranças sejam outras. Acrescentou que os pais devem ter formas de participação e de diálogo sobre a vida escolar, independentemente da idade dos filhos.

Dos entrevistados, 64% trabalham, 6% estão desempregados e 36% são beneficiários do Bolsa Família. Além disso, 76% se informam pela TV aberta e 42% costumam ler livros.

Para consolidar a pesquisa, o movimento Todos Pela Educação contou com apoio das fundações Roberto Marinho, Maria Cecília Souto Vidigal e Itaú Social e dos institutos Unibanco e C&A. O levantamento é do Instituto Paulo Montenegro e do Ibope Inteligência. As 2.002 entrevistas foram feitas entre 28 de junho e 8 de julho. A maior parte dos entrevistados (84%) são pais. Também participaram avós (11%), madrastas e padastros (2%), tios (2%) e irmãos (1%).


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Mostra fotográfica, realizada de 6 a 9 de novembro, celebra o dia do Pantanal. Foto: © Adriano Gambarini

“Pantanal: natureza, conservação e cultura” é o tema da exposição organizada pelo WWF-Brasil em homenagem ao Dia do Pantanal, celebrado no dia 12 de novembro. Por meio do Programa Cerrado Pantanal, em parceria com o fotógrafo Adriano Gambarini, a organização ambientalista realiza o evento gratuito de 6 a 9 de novembro, no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande (MS).
A exposição traz 20 fotografias de Adriano Gambarini, fotógrafo da Revista National Geographic Brasil e autor de 12 livros, que mostram o Pantanal em sua rica biodiversidade, fauna e pecuária, a principal atividade econômica da região.

Segundo o coordenador do Programa Cerrado Pantanal, Julio Cesar Sampaio, a exposição tem o papel de mostrar para a população a importância do bioma e da conservação da biodiversidade. “O Pantanal é a maior área úmida continental do planeta, sendo um imenso reservatório de água doce de grande importância para o suprimento de água, a estabilização do clima e a conservação do solo”, explica.

Os escritórios do WWF no Brasil, Bolívia e Paraguai, países onde o Pantanal está localizado, trabalham juntos por sua conservação. “Esse trabalho conjunto tem promovido resultados efetivos para a conservação da região, entre elas, destacam-se a conservação e a proteção dos ecossistemas aquáticos, o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis, o planejamento sistemático do território e o desenvolvimento de hábitos responsáveis de consumo”, afirma Julio Cesar.

A relação de Adriano Gambarini com o Pantanal começou em 1989 quando viajou no lendário Trem do Pantanal. Em 2011, fotografou as principais ações do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil. “Fiz uma seleção baseada na simplicidade que existe no Pantanal. Longe de querer mostrar o inédito, o inusitado. É o dia a dia que começa num nascer do sol intenso, a rotina dos pantaneiros, a busca pela sobrevivência alimentar dos animais, o voo sereno das aves e a tranquilidade de uma onça-pintada. Eu quero que as pessoas tenham a sensação de estar num lugar simples, e por conta disto, de uma beleza única”, afirma o fotógrafo.

Para ele, o desafio maior é imprimir a real beleza do Pantanal em um clique. “São quase dez anos desde o meu primeiro trabalho com o WWF-Brasil. É uma honra trabalhar com uma instituição reconhecida internacionalmente por seu trabalho pela conservação ambiental. Sempre encarei meu trabalho fotográfico com um simples propósito: que ele sirva como um degrau para a conscientização sobre a necessidade urgente de conservar o meio ambiente”, ressalta.

Pantanal

O Pantanal é a maior área úmida continental do planeta e berço de rica biodiversidade. Possui uma área aproximada de 624.320 km², cerca de 62% no Brasil, nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e estende-se pela Bolívia, 20%, e Paraguai, 18%. Pela importância ambiental, foi decretado Patrimônio Nacional, pela Constituição de 1998, e Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera, pelas Nações Unidas, em 2000.

No bioma já foram registradas pelo menos 4.700 espécies, incluindo plantas e vertebrados. Desse total, 3.500 são espécies de plantas (árvores e vegetações aquáticas e terrestres), 325 peixes, 53 anfíbios, 98 répteis, 656 aves e 159 mamíferos.

WWF-Brasil no Pantanal

O WWF-Brasil apoia projetos de conservação na região há 16 anos. O trabalho consiste na realização de estudos de impacto sobre o uso do solo e mudanças climáticas. Além do cálculo da Pegada Ecológica e monitoramento da cobertura vegetal. Também ajuda na conservação das nascentes e áreas degradadas, busca estimular a produção sustentável de carne com a promoção de boas práticas para o fortalecimento da pecuária orgânica certificada, entre diversos outros projetos. Saiba mais.

Adriano Gambarini

Fotógrafo profissional desde 1992, autor de 12 livros fotográficos e dois de poesia, Adriano integra o grupo de fotógrafos da National Geographic. Documenta periodicamente expedições ambientais em regiões remotas da Amazônia, além de registrar outros biomas para projetos de pesquisas em vida silvestre. Em mais de 20 anos de profissão, fotografou paisagens, bichos, plantas, montanhas e mares. Hoje possui um dos arquivos fotográficos mais diversificados do país, com mais de 170 mil fotografias de ecossistemas, cavernas, vida selvagem, modos de vida e cultura de grupos étnicos. É formado em Geologia pela Universidade de São Paulo, com especialização em Espeleologia. Ministra encontros e palestras sobre fotografia e conservação e é colunista da Agência Ambiental OECO.

Fonte: WWF Brasil.


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Sem floresta não tem água


Estudo reforça a relação do desmatamento da Amazônia com os episódios de seca do país e aponta como solução zerar o desmatamento para ontem e replantar florestas. 
 
Nos últimos quatro meses o pesquisador Antônio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), analisou aproximadamente 200 artigos científicos lançados recentemente sobre a ligação da floresta amazônica e o serviço de regulação do clima do planeta. A conclusão da análise foi lançada na última quinta-feira e, segundo o especialista, do ponto que estamos, não adianta mais simplesmente parar de desmatar - tarefa em que já estamos atrasados. Se quisermos ter alguma chance de fugir da desertificação será preciso replantar florestas.


O relatório, "O Futuro Climático da Amazônia”, foi encomendado pela Articulación Regional Amazónica (ARA), grupo que reúne entidades da sociedade civil dos nove países que compartilham o bioma. De acordo com Nobre, ao longo dos anos o Brasil pareceu passar imune pela destruição da Mata Atlântica, que teve 90% de sua extensão dizimada, pois a Amazônia vinha compensando os serviços florestais perdidos. Mas nos últimos 40 anos, com a intensificação da degradação e do desmatamento na região, a floresta vem perdendo sua capacidade de captar e transportar umidade para o resto do País e as consequências disso já estão sendo sentidas.
“O desmatamento sem limite encontrou no clima um juiz que conta árvores, não esquece e não perdoa”, disse o pesquisador em entrevista ao jornal Valor Econômico. Em seu estudo o especialista, que também é pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), afirma que as árvores da Amazônia colocam aproximadamente 20 bilhões de toneladas de água por dia na atmosfera. E é esta água que é levada para o sul do continente, pelas correntes de ar, e se transforma em chuva.

Com o avanço do desmatamento esta capacidade fica seriamente comprometida e seus efeitos já podem ser sentidos como, por exemplo, na falta de chuva que atinge as regiões centro-oeste e sudeste do Brasil. Sem a floresta amazônica a região que vai de Cuiabá a Buenos Aires, ao Sul, e de São Paulo aos Andes, que produz 70% do PIB da América do Sul, seria igual aos seus equivalentes latitudinais. Se traçarmos uma linha no Mapa Mundi, a partir de Brasília, encontraremos quatro dos maiores desertos do mundo: o Atacama, o Kalahari, o deserto da Namíbia e o da Austrália. Isso acontece porque a floresta amazônica exporta “rios aéreos” de vapor que transportam água para as chuvas fartas que irrigam regiões distantes
"Estamos perdendo um serviço que era gratuito, que trazia conforto, que fornecia água doce e estabilidade climática”, diz o cientista. De acordo com Nobre, se a situação não mudar radicalmente e agora, ficaremos cada vez mais próximos de um ponto de não retorno, de onde se seguirá uma irrefreável reação em cadeia que irá afetar não apenas o Brasil, mas todo o planeta.

Barcos ficaram encalhados em praia de Tefé, no Amazonas, durante a seca recorde que atingiu a região em 2010. Este ano São Paulo vem sentindo os efeitos do desmatamento nas torneiras. Sem chuva diversas cidades ficaram sem água. (© Rodrigo Baléia/Greenpeace)

Desmatamento Zero e imediato

A floresta tropical amazônica tem um papel fundamental para a regulação do clima no Mundo. Mas mesmo com este conhecimento, ela continua a ser violentamente destruída.

Alguns dos principais fatores que promovem o desmatamento do bioma são a atividade madeireira ilegal, a pecuária e a cultura de soja. Temas que se tornaram centrais em campanhas do Greenpeace Brasil para salvar a floresta.

Nos últimos dez anos várias iniciativas ajudaram a manter em queda os níveis de desmatamento na Amazônia Legal. Conquista que, infelizmente, está em risco. Apenas um ano depois da assinatura do novo Código Florestal, que trouxe anistia àqueles que cortaram floresta ilegalmente, o desmatamento subiu 29%. Enquanto o Congresso se esforça para aprovar leis que comprometem a demarcação de novas terras indígenas e unidades de conservação – instrumentos eficazes de conservação da floresta, o tema esteve simplesmente ausente nas eleições deste ano. Há alguns meses Dilma Rousseff negou-se a assinar a declaração de Nova York, que visa zerar o desmatamento até 2030.

Mas podemos e devemos virar este jogo. O projeto de Lei do Desmatamento Zero alinha-se  às considerações de Nobre. Lançado em 2012, ele prevê o fim da emissão de licenças de desmatamento em florestas nativas, ou seja, mesmo a porcentagem permitida por lei não poderá mais ser desmatada  A iniciativa já conta com o apoio de mais de 1 milhão de brasileiros. Faça parte deste movimento, assine a petição.

Fonte: greenpeace.org.br

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Quão “cordial” é o povo brasileiro?

Por Leonardo Boff

Dizer que o brasileiro é um “homem cordial” vem do escritor Ribeiro Couto,  expressão generalizada por Sérgio Buarque de Holanda em seu conhecido livro: “Raízes do Brasil” de 1936 que lhe dedica o inteiro capítulo V. Mas esclarece, contrariando Cassiano Ricardo que entendia a “cordialidade”como bondade e a polidez, que “nossa forma ordinária de convívio social é no fundo, justamente o contrário da polidez”(da 21ª edição de 1989 p. 107). Sergio Buarque assume a cordialidade no sentido estritamente etimológico: vem de coração. O brasileiro se orienta muito mais pelo coração do que pela razão. Do coração podem provir o amor e o ódio. Bem diz o autor: ”a inimizade bem pode ser tão cordial como a amizade, visto que uma e outra nascem do coração”(p.107).             Escrevo tudo isso para entender os sentimentos “cordiais” que irromperam na campanha presidencial de 2014. 

Houve por uma parte declarações de entusiasmo e de amor até ao fanatismo para os dois candidatos e por outra, de ódios profundos, expressões chulas por parte de ambas as partes do eleitorado.

 Verificou-se o que Buarque de Holanda escreveu: a falta de polidez no nosso convívio social.
Talvez em nenhuma campanha anterior se expressaram os gestos “cordiais” dos brasileiros no sentido de amor e ódio contidos nesta palavra.  Quem seguiu as redes sociais, se deu conta dos níveis baixíssimos de polidez, de desrespeito  mútuo e até falta de sentido democrático como convivência com as diferenças. Essa falta de respeito repercutiu também nos debates entre os candidatos, transmitidos pela TV. Por exemplo, que um dos candidatos chame a Presidenta do país de “leviana e mentirosa” se inscreve dentro desta lógica “cordial”, embora revele grande falta de respeito diante da dignidade do mais alto cargo da nação.

Para entender melhor esta nossa “cordialidade” cabe referir duas heranças que oneram nossa cidadania: a colonização e a escravidão. A colonização produziu em nós o sentimento de submissão, tendo que assumir as formas políticas, a língua, a religião e os hábitos do colonizador português. Em consequência criou-se a Casa Grande e a Senzala. Como bem o mostrou Gilberto Freyre não se trata de instituições sociais exteriores. Elas foram internalizadas na forma de um dualismo perverso: de um lado os senhor que tudo possui e manda e do outro o servo que pouco tem e obedece ou também a hierarquização social que se revela pela divisão entre ricos e pobres. Essa estrutura subsiste na cabeça das pessoas e se tornou um código de interpretação da realidade.  
       
Outra tradição muito perversa foi a escravidão. Cabe recordar que houve uma época, entre 1817-1818, em que mais da metade do Brasil era composta de escravos (50,6%). Hoje cerca de 60% possui algo em seu sangue de escravos afro-descendentes. O catecismo que os padres ensinavam aos escravos era “paciência, resignação e obediência”; aos escravocratas se ensinava “moderação e benevolência” coisa que, de fato, pouco se praticava. A escravidão foi internalizada na forma de discriminação e preconceito contra o negro que devia sempre servir. Pagar o salário é entendido por muitos ainda como  uma caridade e não um dever, porque os escravos antes faziam tudo de graça e, imaginam que devem  continuar assim. Pois desta forma se tratam, em muitos casos, os empregados e empregadas domésticas ou os peões de fazendas.

As consequências  destas duas tradições  estão no inconsciente coletivo brasileiro em termos, não tanto de conflito de classe (que também existe) mas  antes de conflitos de status social. Diz-se que o negro é preguiçoso quando sabemos que foi ele  quem construiu quase tudo que temos em nossas cidades. O nordestino é ignorante, porque vive no semi-árido sob pesados constrangimentos ambientais, quando é um povo altamente criativo, desperto e trabalhador. Do nordeste nos vêm grandes escritores, poetas, atores e atrizes. No Brasil de hoje é região que mais cresce economicamente na ordem de  2-3%, portanto, acima da média nacional. Mas os preconceitos os castigam à inferioridade.

Todas essas contradições de nossa “cordialidade” apareceram nos twitters, facebooks e outras redes sociais. Somos seres contraditórios em demasia.

Acrescento ainda um argumento de ordem antropológica para compreender a irrupção dos amores e ódios nesta campanha eleitoral. Trata-se da ambiguidade fontal da condição humana. Cada um possui a sua dimensão de luz e de sombra, de sim-bólica (que une) e de dia-bólica (que divide). Os modernos falam que somos simultaneamente dementes e sapientes (Morin), quer dizer, pessoas de racionalidade e bondade e ao mesmo tempo de irracionalidade e maldade. A tradição cristã fala que somos simultaneamente  santos e pecadores. Na feliz expressão de Santo Agostinho: cada um é Adão, cada um é Cristo, vale dizer, cada um é cheio de limitações e vícios e ao mesmo tempo é portador de virtudes e de uma dimensão divina.  Esta situação não é um defeito mas uma característica da condition humaine. Cada um deve saber equilibrar estas duas forças e na melhor das hipóteses, dar primazia às dimensões de luz sobre as de sombras, as de Cristo sobre as do velho Adão.

Nestes meses de campanha eleitoral se mostrou quem somos por dentro, “cordiais” mas no duplo sentido:  cheios de raiva e de indignação e ao mesmo tempo de exaltação positiva e de militância séria  e auto-controlada.

Não devemos nem rir nem chorar, mas procurar entender. Mas não é suficiente entender; urge buscar formas civilizadas da “cordialidade” na qual predomine a vontade de cooperação em vista do bem comum, se respeite o legítimo espaço de uma oposição inteligente e se acolham as diferentes opções políticas. O Brasil precisa se unir para que todos juntos enfrentemos os graves problemas internos e externos (guerras de grande devastação e a grave crise no sistema-Terra e no sistema-vida), num projeto por todos assumido para que se crie o que se chamou de o Brasil como a “Terra da boa Esperança”(Ignacy Sachs).


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CONAE Publicado cronograma das conferências estaduais da Conae A etapa estadual será realizada em todas as unidades da Federação. As datas estão disponíveis na página da Conae 2024

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