terça-feira, 8 de julho de 2014

A graça da vida pode estar nos encontros e na mistura de sabores e de relações

Embora a existência de redes sociais facilite muito o exercício de conhecer pessoas, as amizades pra valer são aquelas nutridas pelos encontros reais, e pelos desejos sinceros de construir vínculos que durem mais do que um simples “Curtir”.

Nesses tempos de superficialidade do viver, que transformam os acontecimentos individuais em notícias publicadas para todo mundo, podem parecer antiquadas aquelas deliciosas conversas de botequim com amigos do peito e cúmplices, desde quando fotografar era uma experiência mágica, que demorava até uma semana para ser revelada.

Em pleno século XXI é um privilégio conviver e usufruir de realidades distintas. Por razões diversas, procuro me manter atualizado coma as transformações que, dentre tantas outras, ocorrem a cada segundo nos campos da tecnologia, da comunicação, da criação e da disseminação de conhecimentos.
Com o mesmo dinamismo que acompanho esses avanços, alimento, priorizo e cultivo as conversas ao vivo com amigos de prosa, de garra, de força, de opiniões diferentes, com os quais divido alegrias, tristezas, saudades, entusiasmo e esperanças.

Tempero o meu presente com uma mistura de sabores e de relações, as quais me permitem aquecer o coração e a mente com aqueles ingredientes simples indisponíveis em prateleiras de supermercados, mas que estão acessíveis a todo instante em lugar muito precioso: dentro de cada um de nós. Basta acionar. Por aqui, fico. Até a próxima.

Leno F. Silva escreve semanalmente para Envolverde. É sócio-diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. É diretor do IBD – Instituto Brasileiro da Diversidade, membro-fundador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, e da Kultafro – rede de empreendedores, artistas e produtores de cultura negra. Foi diretor executivo de sustentabilidade da ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.  

Fonte:Envolverde 


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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Para não perder onda das novas energias renováveis

Como China e Índia, Brasil tem plenas condições de gerar eletricidade a partir do sol e ventos. Itamaraty erra nas negociações sobre clima.

É nefasta a defesa, por parte da diplomacia brasileira, de que nas negociações climáticas, os direitos de emissão de gases de efeito estufa devem contabilizar o que cada país lançou na atmosfera desde 1850. Em primeiro lugar, não se justifica responsabilizar alguém por uma ação cujos impactos não eram conhecidos à época em que foi tomada. O German Advisory Council on Global Change também preconiza uma contabilidade das emissões per capita, levando em conta o passado, mas parte de 1990, momento em que a comunidade científica internacional tornou públicas as evidências de que os gases de efeito estufa eram destrutivos para o sistema climático e de origem antrópica [1]. Além de ser eticamente indefensável, voltar a 1850 é inviabilizar qualquer acordo, pela carência de informações sobre o que se emitia à época.

É preciso reconhecer, claro, a imensa desigualdade na ocupação do espaço carbono global: segundo o último relatório do IPCC, as emissões médias per capita dos países de baixa renda são nove vezes menores que as dos países mais ricos. É, em última análise, sobre a base dessa constatação que se estabeleceu o Protocolo de Kyoto, o único compromisso legalmente vinculante nas negociações climáticas. O problema é que há uma incontornável armadilha em seu arcabouço: ele só atribui metas obrigatórias de redução aos países mais ricos.

A própria ideia de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, que dá conteúdo ao Protocolo de Kyoto, contém uma bomba de efeito retardado que explodiu junto com a ascensão da China a primeiro emissor global. É um dispositivo segundo o qual os países que, ao longo da história, emitiram menos teriam agora o direito de recuperar a perda. É um pouco como se dissessem: chegou a nossa vez. Os resultados só podem ser catastróficos não só globalmente, mas para os próprios países que insistem nesta rota.

Até poucos anos atrás, essa postura poderia ser justificada pela ausência de alternativas. Ampliar a exploração e o uso de fósseis era, de fato, para a maior parte dos países em desenvolvimento, o meio mais barato para acesso à energia. Mas os efeitos combinados da revolução digital e dos ganhos de produtividade das renováveis (sobretudo solar e eólica) mudam radicalmente esse panorama.

Ray Kurzweil, importante inventor e inovador americano, mostra, no caso da energia solar, que seu crescimento tem sido exponencial. Nos últimos 20 anos, a oferta dobra a cada dois anos. Dobrando mais oito vezes ao longo dos próximos 16 anos, 100% da oferta de energia do planeta poderia ser solar. Ao mesmo tempo, tudo indica que o grande limite das fontes renováveis modernas – a intermitência –, está em vias de ser superado, com a melhoria das condições de armazenamento da energia em baterias.

É o que mostra um relatório recente do Rocky Mountain Institute, com o sugestivo título de Grid Defection, algo como o Abandono da Rede. As formas convencionais de geração de energia vão-se tornando economicamente inviáveis. E o que está em jogo não são apenas as usinas movidas a carvão, mas o próprio conceito de geração centralizada com distribuição subsequente (hub-and-spoke, na expressão em inglês).

A organização financeira global UBS prevê que, ainda nesta década, as contas de energia elétrica na Itália, na Alemanha e na Espanha cairão de 20% a 30%, como resultado do aumento da autoprodução de energia. As empresas convencionais de energia na Europa devem perder 50% de seus lucros antes de 2020.

Uma internet de energia

O mais importante é que essas fontes renováveis avançam juntamente com o aumento da conexão em rede. Trabalho recente de consultores da McKinsey mostra que os sistemas centralizados de obtenção e posterior distribuição de energia, implantados de forma generalizada desde Thomas Edison, serão substituídos por redes descentralizadas a partir de dispositivos altamente conectados entre si: uma internet da energia.

Estimular a generalização desse avanço é o maior desafio das duas próximas conferências do clima. lutar para garantir direitos de emissão aos países em desenvolvimento é insistir num caminho que os afasta dessa fascinante conquista civilizacional, resultante do crescimento da autoprodução de energia sobre bases renováveis. Dois estudos recentes do BNDES [2] mostram que China e Índia estão se preparando para essa mudança, com grandes empresas de atuação global em solar e eólica. Já o Brasil insiste na hidroeletricidade e no petróleo e condena-se a ser importador das tecnologias que hoje estão revolucionando as renováveis. Com o olho em 1850.

[1] Acesse relatório aqui.

[2] Acesse os estudos do BNDES aqui e aqui.

  Ricardo Abramovay é professor Titular do Departamento de Economia da FEA/USP.
 Fonte:Outras Palavras.


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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Menos impostos, mais bicicletas

Artigo apresenta o programa britânico “Cycle to Work”, que reduz impostos na compra de uma bicicleta para trabalhar.

No Brasil, além da falta de infraestrutura para ciclistas nas grandes cidades, sofremos com o estigma social da bicicleta como artigo de lazer, não como meio de transporte. Uma rápida pesquisa na internet mostra que as bicicletas são colocadas à venda na mesma seção de roupas de academia e equipamentos de fitness.

Embora a melhoria pessoal para a saúde daquele que pedala seja relevante, o benefício para a cidade da bicicleta como meio de transporte é generalizado e distribuído entre todos os cidadãos. A bicicleta como equipamento de lazer beneficia aquele que a usa, mas a mesma bike como meio de transporte transforma a cidade como um todo.

Porém, diante do caso de amor platônico que temos com o automóvel (como diz uma certa propaganda, “o brasileiro é apaixonado por carro”), promover a bicicleta como alternativa se mostra uma tarefa difícil e cheia de pedras no caminho. Como então podemos nós habitantes, junto com a iniciativa privada e o poder público dos municípios, romper este paradigma tão prejudicial ao meio ambiente e à vida cívica e caminharmos em direção a um século 21 mais sustentável?

Uma possível solução pode ser encontrada nos países do Reino Unido. Por lá, o governo, preocupado em diminuir os congestionamentos e aumentar a saúde da população, instituiu um esquema de vendas de bicicleta conjunto entre empregadores e funcionários, chamado Cycle to Work, que beneficia aqueles usando a bibicleta para ir ao trabalho com preços menores e descontos nos imposto.

Funciona assim: a empresa compra a bicicleta de um distribuidor registrado no programa, cujo valor dos impostos sobre o produto pode ser restituído como incentivo fiscal. Com isto, o valor da bicicleta, descontado dos impostos, é parcelado ao funcionário em determinadas prestações, cujo valor da parcela também é isenta do Imposto de Renda. Ao fim das parcelas, o funcionário pode “comprar” a bicicleta por um valor simbólico. Com isto, o funcionário adquire a bike por um valor muito menor do que nas lojas, um grande incentivo para que use a bicicleta como meio de transporte.

O exemplo de John

Usando um exemplo inglês, digamos que John escolhe uma bicicleta de £ 450 pelo esquema conjunto com seu empregador. Abatendo o imposto unificado (VAT) que a empresa poderá restituir, o preço da bicicleta cai para £ 383,30. Dividindo este valor em 18 parcelas, cada prestação mensal sairia por volta de £ 21,28, mas como esta prestação não será taxada no Imposto de Renda ou no seguro saúde, a prestação cai para £ 14,26.

Ao final das dezoito prestações, John terá a opção de comprar a bicicleta por um valor simbólico de mercado, de digamos £ 50 (a porcentagem do valor total correspondente ao valor simbólico de mercado é variável de acordo com o preço da bicicleta para evitar abusos). Com isto, ao final dos 18 meses, incluindo o preço simbólico de mercado, John pagou £ 306,68 (£14.26×18 + £50), o que significa um desconto de 32% no preço de loja.

Ganhos para a empresa e comunidade

Além disso, a empresa na qual John trabalha também se beneficia por poder restituir os impostos da bicicleta, e praticamente zerar seu investimento. Como a saúde dos funcionários melhora ao pedalar, a empresa também ganha em produtividade e na redução de gastos médicos e faltas por motivos de saúde.

Nos mesmos termos, a prefeitura economiza em gastos com atendimento médico por acidentes e poluição, aumenta a eficiência de seu sistema de transportes. E, o mais importante, a sociedade ganha como um todo por ter uma cidade mais humana, saudável, prazerosa e vibrante. No Reino Unido, o projeto é tão bem sucedido que existem 15 operadoras deste esquema de compra conjunta de bicicletas. Além disso, diversas empresas e órgãos públicos já se comprometeram a manter a promoção da bicicleta como meio de transporte de serus funcionários.

Para transformar em realidade um projeto assim promissor, há alguns pormenores a serem abordados para uma implementação segura e transparente. Primeiramente, há a necessidade de investimento em infraestrutura, educação e segurança pró-ciclistas nas cidades brasileiras. Simultaneamente, as empresas, em parceria com o poder público, devem garantir aos funcionários infraestrutura para estacionar as bicicletas e vestiários para tomar banho e trocar de roupa.

São exatamente os pequenos detalhes que atuam como grandes barreiras para o uso cotidiano da bike como meio de transporte. Por fim, há de se auditar o uso correto do programa por parte de empresas e principalmente funcionários, para prevenir que usem o esquema para obterem desconto no preço da bicicleta sem a usarem rotineiramente. Acima de tudo, o intuito primário deste projeto é incentivar as duas rodas como meio de transporte do dia-a-dia, e não artigo de lazer esporádico.

Portanto, usando da parceria conjunta entre poder público, iniciativa privada e a própria população, é possivel criar esquemas de promoção da bicicleta como meio de locomoção para o trabalho que beneficiem todas as esferas envolvidas. Com simples incentivos fiscais e engajamento, poderemos ver as cidades brasileiras menos congestionadas, poluídas e reféns dos automóveis e uma sociedade mais saudável, humana e sustentável.

Marcelo Blumenfeld é especialista em transportes pela Universidade de Leeds, na Inglaterra e diretor da Ahead Innovation Strategies. Edição de texto por Marcos de Sousa.



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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Exemplos por todo o mundo demonstram a popularização das fontes alternativas

Há pelo menos trinta anos se fala que no futuro fontes como a solar e a eólica ocuparão local de destaque na matriz energética mundial assim que ficarem mais eficientes e baratas. Pois novos números e instalações parecem deixar claro que este futuro finalmente chegou.
Aqui em nosso país, um projeto inaugurado em maio está chamando mais atenção agora, graças à Copa do Mundo.

A cada novo jogo em Belo Horizonte, a visão panorâmica do Mineirão mostra a enorme estrutura fotovoltaica instalada na cobertura do estádio. A usina é formada por seis mil módulos com uma potência instalada 1,42 MWp, o suficiente para atender 900 residências.

Já em Florianópolis, foi inaugurada na última sexta-feira (27) a maior instalação fotovoltaica da América Latina integrada a um prédio público. Localizada na sede da Eletrosul, a usina possui uma potência instalada de 1 MWp e é composta por 4,2 mil módulos solares, distribuídos em dez mil metros quadrados.

eolicamelckalema 300x193 Exemplos por todo o mundo demonstram a popularização das fontes alternativas 
Alemanha

Em uma das maiores potências do setor em energias alternativas, a Alemanha, foi alcançada no dia nove de junho a marca histórica de 50,1% da demanda por eletricidade sendo atendida por instalações fotovoltaicas.

Também foram divulgados dados locais, e o estado de Mecklenburg-Vorpommern comemorou ter gerado mais energia do que necessita – tudo por fontes renováveis – e começou a vender o excedente para a União.

“Atendemos mais de 120% de nossa necessidade por energia através das renováveis. Mecklenburg-Vorpommern se tornou um exportador de energia verde, e a principal razão para isso foi o desenvolvimento de instalações eólicas e solares”, afirmou Rudolf Borchert, porta-voz do Partido Social Democrata, que governa o estado.

Mecklenburg-Vorpommern possui 1,6 milhão de habitantes e é famoso por seus parques naturais e atrações turísticas. Mais de 1.600 turbinas eólicas estão localizadas no estado.

EUA

Dos Estados Unidos vêm dois novos recordes, com os estados da Califórnia e do Texas divulgando números impressionantes.

A Califórnia gerou no dia primeiro de junho 4,7GW em energia solar, batendo a marca anterior alcançada em março de 4,1GW. De acordo com o Operador do Sistema do estado, a fotovoltaica responde atualmente por 6% da matriz.

No Texas, é a geração eólica que chama a atenção, com 10,2GW, ou 30% da matriz. O governo local estima que ainda neste ano a geração eólica ultrapasse os 12GW.

Fonte: CarbonoBrasil.


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CONAE Publicado cronograma das conferências estaduais da Conae A etapa estadual será realizada em todas as unidades da Federação. As datas estão disponíveis na página da Conae 2024

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