domingo, 9 de março de 2014

A radicalidade da luta das mulheres é do tamanho das nossas necessidades humanas


Por Setor de Gênero do MST
Da Página do MST


O Patriarcado é um pilar fundamental do Capitalismo. Na luta pela transformação da sociedade, a construção de novas relações de gênero é uma condição para forjar mudanças reais.

As mulheres são impactadas há séculos por uma dupla opressão: de gênero e de classe. Essa é uma condição objetiva que torna a luta das mulheres um potencial para lutas que alteram a correlação de forças, não se conformam com o possível e, com isso, vão fazendo história.

Quando as mulheres decidem entrar na luta, levam consigo essas determinações sociais. Não tem nada a perder e tem o mundo a conquistar. Não vacilam! Seguem, rompendo cercas, ocupando os latifúndios das empresas transnacionais. Lutam pela soberania alimentar, pela defesa das sementes e dos recursos naturais.

Sabem que o inimigo é poderoso, mas não se acovardam. Fazem o enfrentamento necessário. Marcham e seguem o seu caminhar.

Essa convicção tem levado as mulheres do MST às lutas cotidianas e à luta do 8 de março, dia internacional das mulheres. Denunciam o modelo do capital no campo, o agronegócio, o hidronegócio e o mineralnegócio. Denunciam o Estado e os governos que sustentam o capital. Lutam pela terra, pela Reforma Agrária e pela transformação social.

Nas madrugadas, com foices, tensões e facões vão enfrentando a Monsanto, a Aracruz, a Vale, a ADM, a Bunge, a Cargill, a Stora Enzo, a Cosan – Shell, a Cutrale, a Syngentae todos os símbolos da opressão.

As mulheres aprendem na luta que o pessoal é político. Exigem que a sociabilidade humana seja radicalizada na construção de novas relações de gênero. Sabem que é a participação efetiva no processo político de luta, de mobilização, de formação e de decisão que elevam o nível de consciência das mulheres.

Recolocam a luta socialista como uma necessidade humana. Não apenas como uma utopia ou como um valor místico a ser cultivado. A radicalidade da nossa luta é do tamanho das nossas necessidades humanas, mas a sociedade que queremos construir tem a dimensão ilimitada dos sonhos que ousamos alcançar.


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Agência da ONU apoia programa que busca conservar riqueza da Amazônia


A Bacia Amazônica é a maior floresta tropical do mundo, com quase 7 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente a 40% do território da América Latina e do Caribe. O rio Amazonas, que tem cerca de 7 mil quilômetros de extensão, fornece 15% da água doce que vai para o Oceano Atlântico.

Um projeto da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) discute os problemas que afetam as cidades nos arredores do rio e projeta um programa para a conservação da biodiversidade e proteção das comunidades que dependem dela. Cerca de 28 milhões de pessoas vivem perto do rio que atravessa oito países da região, incluindo o Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e Venezuela.

O diretor executivo do OTCA, Mauricio Dorfler, afirma que a região amazônica possui uma biodiversidade muito rica e conta com a presença de plantas vasculares – árvores ou plantas que podem ser utilizadas medicinalmente, industrialmente ou para fins alimentícios. Ele informa que aproximadamente 280 povos indígenas habitam a Amazônia.

Os projetos que estão sendo formulados como resposta para recursos hídricos e mudanças climáticas contam com o assessoramento técnico do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e enfrentam problemas como a mudança do comportamento dos peixes – que podem afetar a segurança alimentar da população local -, contaminação da água por causa da extração ilegal de minérios e do despejo de resíduos no rio sem o tratamento adequado e as inundações.

O programa está criando um conjunto de estratégias para enfrentar o aumento do nível do mar, que, de acordo com Dorfler, é um fator preocupante especificamente para a população da ilha de Marajó, no Brasil. Ele reitera que os impactos mais graves das mudanças climáticas estão nas inundações, secas e incêndios florestais.

Fonte:ONU Brasil.
 
 
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quarta-feira, 5 de março de 2014

A caminho das eleições sem saber aonde vamos


Quem quer que se detenha hoje no noticiário sobre a política brasileira e sobre a campanha eleitoral que se avizinha não terá como escapar a certa perplexidade e a interrogações inquietadoras. Quando nada, porque a situação parece indefinida.

As pesquisas sobre intenções de votos para a Presidência da República sugerem um quadro ainda em mutação, quase volátil. Com a ocupante do cargo em vantagem, mas com a oposição ainda sem saber com clareza para onde vai – e se vai unida ou fragmentada, ou que consequências terá sobre o eleitorado o início do julgamento do “mensalão mineiro”; se a Justiça proibirá ou não doações de empresas para campanhas e quem mais perderá ou ganhará com isso. Nesse panorama, o partido dominante no poder leva vantagem – seja por dispor das “benesses” desse poder que seduzem votantes, seja porque o “aparelhamento” nos cargos públicos (fala-se em dezenas de milhares de partidários, talvez centenas de milhares) facilita as ações.
Também nesse panorama, as perguntas são muitas. Começando, num âmbito mais amplo, com as interrogações sobre o que acontecerá no País se continuarem prevalecendo as graves questões do clima que nos assoberbam. Seca mais prolongada, embora já seja a pior em muitas décadas? Com que consequências nos reservatórios e no abastecimento de água? E no campo da energia? Como isso se refletirá na avaliação dos candidatos?

Depois, cabe perguntar que rumo tomarão os chamados protestos de rua. Que legislação vem por aí? Haverá proibição de “mascarados”, como quer o governo federal, com prisão de até dez anos para eles? Mas com a Copa do Mundo de Futebol se aproximando e 75,8% dos eleitores inconformados com os custos gigantescos assumidos pelo governo (CNT, 19/2)?

Não é o único complicador. Também da área econômica vêm muitos indicadores que sugerem prudência – PIB nacional em queda, redução nas vendas de veículos (provavelmente com o maior endividamento dos setores sociais “emergentes” internos), baixa nos índices de emprego no último trimestre de 2013 e nos números de assentados em áreas rurais. As notícias internacionais oscilam de rumo, ora com o Fundo Monetário Internacional dizendo que “o crescimento global mantém o ritmo” (Estado, 20/2), ora com os Estados Unidos alertando para a “turbulência” nos emergentes (22/2), que precisariam pôr “a casa em ordem”. As contas correntes brasileiras registraram em janeiro o maior déficit mensal já apurado – US$ 11,6 bilhões (Estado, 22/2). Internamente, diz o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues que “a lua de mel com o Brasil acabou” e que é “cada vez mais forte entre empresários a ideia de que o País será rebaixado pelas agências de rating” (13/2).

Teremos eleições com a economia em declínio? Que consequências daí advirão – ainda mais com o governo federal anunciando (Folhapress, 21/2) que realmente o crescimento do PIB será menor do que o estimado antes e que fará um corte de R$ 44 bilhões nas despesas governamentais? Em que áreas, com que reflexos no eleitorado?

Tudo isso vem num momento de alta turbulência internacional, conflitos entre superpotências a respeito da Ucrânia, queda de mais um governo no Egito, povo revoltado nas ruas da Indonésia, na Síria, na Venezuela, até na Argentina – os dois últimos trazendo mais aflição ao Brasil. Até na China, ferreamente controlada, se sucedem protestos em Pequim e outras cidades, por causa da poluição do ar (FP, 25/2).

As rebeliões nas ruas demonstram mais uma vez que as mobilizações sociais via redes na internet – sem projetos políticos específicos – têm levado a fortes turbulências e até a mudanças de governos, sem que se configure uma nova realidade política e social – como já se escreveu neste espaço. E hoje é muito alta a porcentagem de eleitores nas nossas redes. Para citar um caso, em Goiás mais de 40% deles participam de alguma rede; entre jovens de 16 a 18 anos, são 80%; quase 40% têm renda de até dois salários mínimos e 24%, mais de cinco salários mínimos (O Popular, 24/2). Como se refletirão essas coisas entre eles, no País todo ou num Estado onde o número de mandados de prisão por crime chega a 25 mil, o dobro da população carcerária?

A incerteza será maior ainda com a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (Agência O Globo, 14/1) que veda aos veículos de comunicação “fazer enquetes ou sondagens sobre as eleições durante o período de campanha; são proibidas as pesquisas de opinião pública sem registro formal”. E a Justiça Eleitoral ainda poderá auditar “a qualquer tempo equipamentos eletrônicos portáteis usados em pesquisas”. Nos dias de eleição, resultados dessas sondagens só poderão ser divulgados depois de encerrada a votação.

São muitas interrogações. Com a agravante maior de que os partidos no poder não parecem empenhados numa plataforma eleitoral que traga um diagnóstico da situação real do País e de suas questões mais graves. Da mesma forma a oposição, que até aqui se limita a discursos vagos, genéricos, sem enfrentar com clareza os problemas sociais de um país que ainda tem muitos milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da miséria. Com as cidades tumultuadas por indefinição em áreas como o transporte. Sem legislação adequada para o adensamento urbano e o agravamento de tudo ao seu redor. E muito mais.

Que se espera que aconteça? Que venham de fora soluções milagrosas? Que a seleção de futebol seja a campeã do mundo e gere euforia interna duradoura? Que tenhamos por aqui rumos diferentes dos que se veem nos países convulsionados por mobilizações em redes incontroláveis? É esperar demais.
Graves e imensas tarefas aguardam a comunicação – essencialmente, que ela seja capaz de suprir informações indispensáveis à população e que a esta permitam escolhas adequadas. Sem fugir às complexas questões visíveis em toda parte.

Washington Novaes é jornalista.


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segunda-feira, 3 de março de 2014

A gestação do povo brasileiro, a universidade e o saber popular

Por Leonardo Boff

O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. Vindos de 60 países diferentes, aqui estão se mesclando representantes destes povos num processo aberto, todos contribuindo na gestação de um povo novo que um dia acabará de nascer.

O que herdamos da Colônia foi um estado altamente seletivo, uma elite excludente e uma imensa massa de destituídos e descendentes de escravos. O cientista político Luiz Gonzaga de Souza Lima na sua original interpretação do Brasil nos diz que nascemos como Empresa Transnacionalizada, condenada a ser até hoje fornecedora de produtos in natura para o mercado mundial (cf. A refundação do Brasil, 2011).

Mas apesar deste constrangimento histórico-social, no meio desta massa enorme maduraram lentamente lideranças e movimentos que propiciaram o surgimento de todo tipo de comunidades, associações, grupos de ação e de reflexão que vão das quebradeiras de côco do Maranhão, aos povos da floresta do Acre, dos  sem-terra do sul e do nordeste, das comunidades de base, aos sindicatos do ABC paulista.

Do exercício democrático no interior destes movimentos nasceram cidadãos ativos; da articulação entre eles, cada um mantendo sua autonomia, está nascendo uma energia geradora do povo brasileiro que lentamente chega à consciência de sua história e projeta um futuro diferente e melhor para todos.

Nenhum processo desta magnitude se faz sem aliados, sem a ligação orgânica daqueles que manejam um saber especializado com os movimentos sociais comprometidos. É aqui que a universidade é desafiada a alargar o seu horizonte. Importa que os mestres e alunos  frequentem a escola viva do povo, como praticava Paulo Freire, e permitir que gente do povo possa entrar nas salas de aula e escutar os professores nas matérias relevantes para eles como eu mesmo fazia nos meus cursos na UERJ do Rio de Janeiro.

 Essa visão supõe a criação de uma aliança entre a inteligência acadêmica com a miséria popular. Todas as universidades, especialmente após a reforma de seu estatuto por Humboldt em 1809 em Berlim que permitiu as ciências modernas ganharem sua cidadania acadêmica ao lado da reflexão humanística que criou outrora a universidade, se tornaram o lugar clássico da problematização da cultura, da vida, do homem, de seu destino e de Deus. As duas culturas – a humanística e a  científica - mais e mais se intercomunicam no sentido de pensar o todo, o destino do próprio projeto científico-técnico face às intervenções que faz na natureza e sua responsabilidade pelo futuro comum da nação e da Terra. Tal desafio exige um novo modo de pensar que não segue uma lógica do simples e linear mas do complexo e do dialógico.

As universidades são urgidas a buscar um enraizamento orgânico nas periferias, nas bases populares e nos setores ligados diretamente  à produção. Aqui pode se estabelecer uma fecunda troca de saberes, entre  o saber popular, de experiências feito, e o saber acadêmico, constituído pelo espírito crítico; dessa aliança surgirão seguramente novas temáticas teóricas nascidas do confronto com a anti-realidade popular e da valorização da riqueza incomensurável do povo na sua capacidade de encontrar, sozinho, saídas para os seus problemas. Aqui se dá a troca de saberes, uns completando os outros, no estilo proposto pelo prêmio Nobel de Química (1977) Ilya Prigorine (cf.A nova aliança, UNB 1984).

Deste casamento, se acelera a gênese de um povo; permite um novo tipo de cidadania, baseada na co-cidadania dos representantes da sociedade civil e acadêmica e das bases populares que tomam iniciativas por si mesmos e submetem o Estado a um controle democrático, cobrando-lhe os serviços básicos especialmente para as grande populações periféricas.

Nestas iniciativas populares, com suas várias frentes (casa, saúde, educação, direitos humanos, transporte coletivo, etc), os movimentos sociais sentem necessidade de um saber profissional. É onde a universidade pode e deve entrar, socializando o saber, oferecendo encaminhamentos para soluções originais e abrindo perspectivas às vezes insuspeitadas por quem é condenado a lutar só para sobreviver.  
    
Deste ir-e-vir fecundo entre pensamento universitário e saber popular  pode surgir o bio regionalismo com um desenvolvimento adequado àquele ecossistema e à cultura local. A partir desta prática, a universidade pública resgatará seu caráter público, será realmente a servidora da sociedade. E a universidade privada realizará sua função social, já que em grande parte é refém dos interesses privados das classes proprietárias e feita  chocadeira de sua reprodução social.

Esse processo dinâmico e contraditório só prosperará se estiver imbuído de um grande sonho: de ser um povo novo, autônomo livre e orgulhoso de sua terra. O antropólogo Roberto da Matta bem enfatizou que o povo brasileiro criou um patrimônio realmente invejável: “toda essa nossa capacidade de sintetizar, relacionar, reconciliar, criando com isso zonas e valores ligados à  alegria, ao futuro e à esperança” (Porque o brasil é Brasil, 1986,121).

Apesar de todas tribulações históricas, apesar de ter sido considerado, tantas vezes, jeca-tatu e joão-ninguém, o povo brasileiro nunca perdeu sua auto- estima e o encantamento do mundo. É um povo de grandes sonhos, de esperanças inarredáveis e utopias generosas, um povo que se sente tão imbuído pelas energias divinas que estima ser Deus brasileiro.

Talvez seja esta visão encantada do mundo, uma das maiores contribuições que nós brasileiro podemos dar à cultura mundial emergente, tão pouco mágica  e tão pouco sensível ao jogo, ao humor e à convivência dos contrários.


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CONAE Publicado cronograma das conferências estaduais da Conae A etapa estadual será realizada em todas as unidades da Federação. As datas estão disponíveis na página da Conae 2024

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