segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Casa de Rui Barbosa lança concurso para novo centro de acervos de escritores brasileiros

da Agência Brasil
 
A Fundação Casa de Rui Barbosa lança nesta segunda-feira (7), em conjunto com o Instituto de Arquitetos do Brasil do Rio de Janeiro (IAB-RJ), o Concurso Nacional de Projeto de Arquitetura, para a construção de um prédio anexo para abrigar o acervo de escritores brasileiros da instituição.

O projeto do Centro de Preservação de Bens Culturais conta com recursos do Fundo Nacional de Cultura. Para a execução da obra, porém, há a possibilidade de se buscar financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informou o diretor executivo da Casa de Rui Barbosa, Carlos Renato Marinho. “A obra vai ao encontro da política do banco de investimento na área de acervos”, lembrou.

Marinho disse que a ideia de construir um anexo “tem a ver com o colapso da área de guarda do acervo, que hoje ocupa o edifício-sede, no subsolo”. Desde 2003, a fundação vem negociando a expansão, acrescentou. A chance surgiu com a compra de duas casas contíguas ao edifício-sede, cujo projeto data de 1970, onde está localizada a entrada de serviço da fundação, e a perspectiva de aquisição de uma terceira casa no local, para a qual já se conseguiu a emissão da declaração de utilidade pública. A fundação aguarda, no momento, sentença para tomar posse do imóvel.

Poderão participar do concurso arquitetos de todo o país. As inscrições permanecerão abertas até o dia 25 de novembro, prevendo-se para os três primeiros colocados prêmios em dinheiro no valor de R$ 35 mil, R$ 25 mil e R$ 15 mil, respectivamente.

O ganhador do concurso receberá os R$ 35 mil como um sinal do contrato, disse o coordenador do concurso, arquiteto Romão da Silva Pereira. “O projeto vencedor, na verdade, ganha um contrato de R$ 1 milhão. Ele vai ter que entregar, como produto para a Fundação Casa de Rui Barbosa, todos os projetos prontos para serem licitados visando a construção”.

Em função do atual espaço físico da fundação, a direção do órgão foi levada a declinar doações de bibliotecas de escritores como Carlos Drummond de Andrade, Octavio Tarquinio de Sousa e Lúcia Miguel Pereira, entre outros.

Romão Pereira acredita que, com o novo prédio, a Fundação Casa de Rui Barbosa poderá se tornar uma referência na preservação de acervos no Rio de Janeiro.

Além de material em papel, o acervo que irá para o novo prédio inclui ainda fotos, mapotecas, fitas cassete, disquetes, CDs, além de objetos dos escritores brasileiros. “Isso está previsto para ser guardado em outra área, que é um um salão de exposição, para mostrar ao público o que a Casa de Rui Barbosa tem e que só pesquisadores conhecem. O usuário não conhece o papel da fundação como fomentadora da cultura do país”, ressaltou o coordenador do concurso.

A divulgação do resultado do concurso está prevista para o dia 2 de dezembro. 


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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O atual Modelo Energético Brasileiro


por Gilberto Cervinski, da coordenação nacional do MAB

O conceito de Modelo Energético tem significados diferentes para atores situados em polos antagônicos. Para nós, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), "modelo" significa a Política Energética necessária ao desenvolvimento das forças produtivas que sirva ao conjunto da nação, com respeito ao meio ambiente e à soberania nacional. No entanto, para os setores que controlam a energia no Brasil, Modelo Energético refere-se às fontes/matrizes de produção da energia, porque esses setores já têm clara a finalidade da energia: responder à demanda do mercado, à voracidade das grandes corporações que controlam a indústria de eletricidade, à indústria eletrointensiva e no aumento da produtividade a qualquer preço.

É inegável que a energia é a locomotiva do desenvolvimento das forças produtivas e que o resto é vagão. Sua importância estratégica está relacionada à produção de valor na sociedade capitalista. Na sociedade atual, a energia é central para reprodução do capital, pois é utilizada como forma de acelerar a produtividade do trabalho dos trabalhadores.

Há concordância que a energia é necessária na geração da riqueza, que a cadeia produtiva de energia cria empregos e que a energia possibilita o bem estar das pessoas. Também é evidente que a produção de energia pressupõe fontes para a sua geração e quehoje, nas atuais condições de produção, a hidro tem sido a tecnologia "mais eficiente” quando comparada com as demais fontes de produção de eletricidade. Ao ressaltar esses argumentos, no entanto, aqueles que controlam o setor omitem para quê e para quem ele é planejado.

O atual modelo energético, de padrão e herança autoritária, tecnocrática e neoliberal está a serviço das corporações transnacionais e seu modelo de desenvolvimento. O bem público serve aos interesses de uma minoria, com predomínio do setor financeiro e seus mecanismos. Esse modelo afeta enormemente as populações, na cidade e no campo, além de precarizar o trabalho no setor (terceirização), utilizar os trabalhadores das obras na condição de semiescravidão, repassar toda conta às residências e produzir impactos socioambientais no nível local, regional e até internacional.

A energia é vista como mercadoria e não como bem público. Assim se produzem graves injustiças. Essa lógica, que persiste na geração, transmissão e distribuição da energia, não se preocupa com a sustentabilidade social e ambiental, apenas com o "progresso" econômico medido pelo rendimento final e fantasiado na renda per capita que esconde quem se apropria da riqueza. Mais: a atual política energética, em nome do desenvolvimento, avança sobre um patrimônio que pertence também às futuras gerações, pois exportar nossos recursos a países ricos é eticamente um assalto às novas gerações.

Atualmente, quem controla a energia é o capital internacional especulativo, são transnacionais que controlam o setor elétrico nacional e se apropriam dos resultados. Corporações mundiais como a Suez Tractebel, AES, Odebrecht, Queiroz Galvão, Iberdrola, Vale, Alcoa, Billiton, Alstom, Siemens, etc. Este controle veio a partir das privatizações dos anos 90 e segue nos dias atuais. Atualmente, até mesmo as estatais estão nas mãos do capital privado: 60% da Eletrobrás; 80% da CEMIG; 65% da Cesp.

As estruturas de Estado estão capturadas pelas empresas privadas. As agências reguladoras, Ministério de Minas e Energia, Empresa de planejamento e até as estatais estão à serviço dos empresários. Foram criadas várias leis e estruturas de Estado que tentam despolitizar o debate da energia, como se fossem questões "técnicas e neutras”. A ANEEL, agência reguladora de finalidade e comportamento questionáveis, é parte de uma estratégia e instrumento para servir aos empresários. É o centro onde se legaliza o modelo.

O BNDES é o principal financiador das usinas, repassando dinheiro público para as transnacionais, enquanto que estatais são proibidas detera maioria das ações nas usinas. Dessa forma, as estruturas de Estado se comportam contra os interesses sociais.

A mercantilização da energia, através do modelo privado, transformou a energia no principal negócio dos setores privados. Foi implementado um sistema de tarifas que simula uma falsa concorrência. As tarifas foram internacionalizadas, os preços da eletricidade brasileira passaram a ser vinculados ao custo da energia térmica. Nossas tarifas foram elevadas a patamares internacionais, longe da realidade dos custos de produção de nosso país. Atualmente a energia no Brasil é 25% mais cara que na França, onde 76% da matriz é nuclear, ou seja, com custo de produção muito mais alto.

A venda da energia elétrica se transformou no principal negócio deste setor, porque agora o lucro dos empresários que controlam a energia não vem só da exploração dos eletricitários, mas de 60 milhões de residenciais. As residências pagam a conta. Enquanto isso, os grandes consumidores (livres) recebem energia barata, para produzir eletrointensivos e exportar, sem pagar imposto algum, porque são isentos pela lei Kandir. Para mudar o modelo, é necessário mudar o sistema de tarifas.

Os trabalhadores do setor são altamente produtivos e explorados. Para seteruma ideia, os trabalhadores da AES Tietê produziram em 2012, cerca de R$ 2,3 milhões de lucro/trabalhador.

Está em curso uma intensificação da exploração sobre os eletricitários. As empresas privadas e estatais estão buscando rebaixar os ganhos dos trabalhadores aos patamares mais baixos mundialmente. Está ocorrendo um intenso processo de reestruturação do trabalho para aumentar a produtividade, através de demissões, terceirizações, precarizações e aumento de jornada, além da incorporação de novas tecnologias que aceleram a obsolescência programada. Isso reflete diretamente na qualidade dos serviços de energia.
A riqueza extraordinária gerada na energia, nas diferentes áreas, não tem sido revertida em benefício prioritário ao povo brasileiro. O que constatamos são remessas cada vez maiores de lucro aos acionistas, enquanto o serviço púbico e a situação dos trabalhadores se deteriora cada vez mais. Os lucros são extraordinários e tudo é enviado através de remessas de dividendos (100%). A AES Tietê tem lucro médio de 43,5%. Cinco empresas (AES Eletropaulo e Tietê, Suez Tractebel, Cemig e CPFL) tiveram, nos últimos 7 anos, lucro total de R$ 45,7 bi e remeteram R$ 40,7 bi a seus acionistas.

Os rios são o território mais desejado e disputado pelas transnacionais que controlam a indústria de eletricidade. Como a energia hídrica é a tecnologia mais rentável comparada às demais fontes, aumenta a disputa mundial para controlar os melhores locais e extrair os excedentes. Nosso território é foco de disputa internacional do capital, pois concentra as principais reservas estratégicas de "base elevada de produtividade natural”. O Brasil possui as maiores e melhores reservas de rios e água para geração de eletricidade, 260 mil MW de potência, dos quais só 30% foram utilizados até agora. A América Latina tem potencial de 730 mil MW.

Entendemos que o problema central na energia é a política energética. O modelo energético. Não queremos discutir somente a matriz, apesar de sua importância. Atuar na política energética pressupõe incidir decisivamente no planejamento, na organização e controle da produção e distribuição da energia, da riqueza gerada e no controle sobre as reservas estratégicas de energia de base de elevada produtividade natural.
O Lema do Encontro Nacional do MAB, "Água e energia com soberania, distribuição da riqueza e controle popular”, representa a síntese do projeto que defendemos para a energia.

Fonte: Adital


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Atividades de rua marcam mobilização indígena

Cerca de 1,3 mil pessoas desceram a Esplanada dos Ministérios em passeata em defesa da Constituição e dos direitos indígenas (©Greenpeace/Tico Fonseca). 

Na tarde desta terça-feira (01), mais de 1,3 mil pessoas protestaram na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em defesa da Constituição Brasileira – que completa 25 anos no próximo sábado (05) – e do direito dos povos tradicionais. Participaram índios, quilombolas, ativistas, estudantes, professores, pequenos produtores rurais e trabalhadores do campo.

Entoando cantos e portando faixas e cartazes, os manifestantes saíram do acampamento armado em frente ao Congresso Nacional e passaram pela Praça dos Três Poderes, onde mais cedo o Greenpeace hasteou uma bandeira de apoio à Mobilização Nacional Indígena, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Palácio do Planalto.

Enquanto isso, em São Paulo, ativistas do Greenpeace aproveitaram a madrugada para realizar uma intervenção urbana nos bairros Moema, Perdizes e Lapa. Adesivos que diziam “Sob Ameaça”, além da hashtag #DiretosIndigenas foram colados em quarenta placas de ruas com nomes indígenas. A atividade faz parte da Semana de Mobilização Nacional Indígena, que acontece de 30 de setembro a 05 de outubro em todo o país.


Nesta quarta-feira (02), às 17h, está marcado um ato em frente ao MASP, em São Paulo. Estão previstas outras atividades em pelo menos mais seis capitais, além de cidades do interior do Brasil e do exterior, como Londres, Paris e Berlim.

As principais reivindicações da mobilização são a demarcação das Terras Indígenas e dos territórios quilombolas, a manutenção do atual procedimento demarcatório dessas áreas e o arquivamento dos inúmeros projetos legislativos que tramitam no Congresso e que pretendem restringir os direitos dessas populações, em especial sobre suas terras, como a PEC 215 e o PLP 227.

Fonte: greenpeace.org.br


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Não é só a mobilidade: que faremos com a poluição?


Nas recentes discussões sobre “mobilidade urbana”, custo dos congestionamentos para o usuário em tempo e horas de trabalho, baixo investimento em transporte de massa – todas exacerbadas pela onda de protestos nas ruas -, tem merecido pouca atenção o tema do impacto da poluição do ar (agravado por todas essas causas) na saúde da população e no número de mortes, principalmente nas metrópoles. E foi essa exatamente a discussão sobre a “Avaliação do impacto da poluição atmosférica sob a visão da saúde no Estado de São Paulo”, promovida no início da semana na Câmara Municipal de São Paulo, com base em pesquisa desenvolvida pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, coordenada pelos professores Paulo Saldiva e Evangelina A. Vormittag, ambos doutores em Patologia, com a participação de mais cinco pesquisadores.

É um trabalho sobre o qual deveriam debruçar-se os administradores públicos da cidade de São Paulo, de sua região metropolitana e de cada uma das cidades paulistas, tantas são as informações que podem orientar seu trabalho. A começar pela conclusão de que, se houvesse uma redução de 10% nos poluentes na capital entre 2000 e 2020, poderiam ser evitados nada menos que 114 mil mortes, 118 mil visitas de crianças e jovens a consultórios, 103 mil a prontos-socorros (por causa de doenças respiratórias), 817 mil ataques de asma, 50 mil de bronquite aguda e crônica, além da perda de atividades em 7 milhões de dias e 2,5 milhões de ausências ao trabalho. Em apenas um ano (2011) a poluição da atmosfera contribuiu para 17,4 mil mortes no Estado.

Ainda é tempo de refletir e mudar, pois, diz a pesquisa, o tráfego e a poluição explicam 15% dos casos de enfarte na cidade de São Paulo. Quem acha que o adensamento habitacional em certas áreas pode aumentar a mobilidade deve prestar atenção a esse mesmo estudo: “O aumento do tráfego em 4 mil veículos/dia numa via até a 100 metros da residência mostrou ser um fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão”. E tudo isso embora os programas de controle da poluição do ar por automóveis, implantados a partir da década de 1990, tenham levado a uma redução de 95%, assim como a 85% na de caminhões. Até os cinco primeiros anos desta década, a diminuição de 40% na concentração de poluentes evitou 50 mil mortes e gastos de R$ 4,5 bilhões com saúde – além da redução no consumo de combustíveis e na emissão de poluentes.

Mas, apesar das evidências, ainda prevalece, aqui e no mundo, uma situação dramática. A cada ano, em uma década, 2 milhões de pessoas morreram vitimadas pela poluição do ar em todos os continentes – uma década antes foram 800 mil. E, segundo os pesquisadores, a poluição do ar “deve se tornar a principal causa ambiental de mortalidade prematura”. Com a preocupação adicional, para nós, de que as médias anuais de poluição em todas as estações paulistas onde se coletam dados estiveram, em todos os anos, em 20 a 25 microgramas por metro cúbico de ar, acima do padrão de 10 microgramas por metro cúbico de ar, que é o da Organização Mundial da Saúde. Em São Paulo, o índice é de 22,17 microgramas. E a poluição não é só de material particulado, mas também de ozônio.

Com frequência o noticiário informa que na Região Metropolitana de São Paulo um terço dos veículos não passa por inspeção – e são exatamente os mais antigos, mais poluidores. Mesmo assim, a implantação do controle na capital reduziu em 28% as emissões de material particulado. Se fosse estendida a toda a área metropolitana, poderia evitar 1.560 mortes e 4 mil internações, além de levar a uma redução de R$ 212 milhões nos gastos públicos. Outro dado impressionante da pesquisa: se todos os ônibus a diesel usassem etanol, seria possível reduzir em 4.588 o número de internações e em 745 o número anual de mortes por doenças geradas/agravadas pela poluição. E o sistema de metrô reduz em R$ 10,75 bilhões anuais os gastos com a poluição.

Já passou da hora de implantarmos sistema semelhante ao da Suécia, onde é limitado o número de anos (20) em que um veículo pode ser usado, para não agravar a poluição. Por isso mesmo o comprador de um carro novo já paga uma taxa de reciclagem; e o respectivo certificado passa de proprietário em proprietário; o último, ao final de duas décadas, pode receber a taxa de volta.

Também não há como fugir à questão: que se vai fazer, em matéria de mobilidade e poluição, se continuamos a estimular, com isenção de impostos e outros benefícios, o aumento da frota de veículos (hoje, no País todo, mais de 3 milhões de veículos novos a cada ano)? Eles respondem por 40% das emissões totais, enquanto ao processo industrial cabem 10%. E os veículos respondem por 17,4 mil mortes anuais nas regiões metropolitanas paulistas – 7.932 na de São Paulo e 4.655, só na capital. Ou seja, a cada seis anos morre uma população equivalente à de uma cidade de 100 mil pessoas em consequência da poluição.

O professor Ricardo Abramovay, da USP, lembra (Folha de S.Paulo, 13/7) que nossas emissões do setor de transporte devem dobrar até 2025, como prevê a Agência Internacional de Energia. E o professor Paulo Saldiva afirma, em entrevista ao site EcoD, que “a poluição em São Paulo é um tumor maligno”. Apesar de tudo, o patologista – um dos coordenadores da pesquisa discutida esta semana – considera-se “otimista, porque ninguém muda para melhor ou repensa seus hábitos se não tiver algum tipo de problema antes (…). As doenças costumam fazer as pessoas saírem da zona de conforto. Como estamos insatisfeitos, talvez estejamos criando as bases para melhorar a cidade”. E o problema central, sob esse ângulo – acentua ele -, não é o da mobilidade, pois, “se a frota de carros elétricos correspondesse a 100% da existente, melhoraria a questão da poluição, mas não a da mobilidade”.

Oxalá a realidade das pesquisas faça governantes e governados se moverem de forma mais adequada.

 Washington Novaes é jornalista.


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