quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Um herói brasileiro na ONU


Diretor da Campanha Amazônia e um dos fundadores do Greenpeace no Brasil, Paulo Adario foi hoje internacionalmente reconhecido como o Herói da Floresta na América Latina e Caribe. O prêmio inédito concedido pela ONU (Organização das Nações Unidas) foi entregue em cerimônia oficial em Nova York.
Em seu discurso de agradecimento, Adario afirmou ser o título de “herói” um reconhecimento intrínseco por parte da ONU de que as florestas ainda estão em grande perigo. Ele também alertou para a importância da luta contra o desmatamento como vetor de combate às mudanças climáticas.


Incluindo o Código Florestal como uma de suas batalhas na luta pelas florestas, Adario destacou que não há oposição entre proteção ambiental e desenvolvimento econômico, e que a produção e exportação de commodities podem continuar crescendo sem derrubar mais nenhuma árvore. 

“Cerca de 90% dos brasileiros são contra uma nova lei florestal que abra espaço para mais desmatamento e que anistie aqueles que desrespeitaram a legislação. E, no entanto, isso está sendo fortemente apoiado pelos parlamentares. A presidente Dilma está numa encruzilhada. Ela precisa escolher entre o futuro e o passado. 

Quero aproveitar essa oportunidade para pedir a ela que dê um passo para o futuro, vetando todas as medidas perversas que reduzem a proteção das florestas no Brasil.”
 
Em sua fala, Adario dedicou o prêmio às pessoas que dividem consigo a luta pela preservação das florestas, ou seja, aos verdadeiros heróis e vítimas que nascem quase todos os dias por conta da disputa dramática por recursos naturais e áreas de floresta.

Pessoas como Zé Claudio e sua esposa Maria não foram esquecidos pela ONU, que lhes rendeu uma homenagem, passando o filme do jornalista Felipe Milanez sobre a morte do casal de extrativistas. Com a voz embargada, a irmã de Zé Claudio, a ambientalista Laisa Sampaio, subiu ao palco e pediu mais governança na região para evitar novos crimes ambientais e humanos.

Jan McAlpine, chefe do Secretariado do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, disse que o conceito do prêmio surgiu, pois a organização queria mostrar o quanto as florestas são importantes para as pessoas e as pessoas para as florestas. Ao chamar Paulo Adario ao microfone, ela o definiu como uma “enorme contribuição para o mundo e a América Latina”.

Depois de receber 90 indicações, de 41 países, a ONU nomeou mais quatro "heróis da floresta" na África, Europa, Ásia e América do Norte. Os escolhidos foram Paul Nzegha Mzeka, de Camarões, Shigeatsu Hatakeyama, do Japão, Anatoly Lebedev, da Rússia, e Rhiannon Tomtishen e Madison Vorva, dos Estados Unidos.

Fonte: greenpeace.org/brasil


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Brasil puxa crescimento da eólica no mundo


O Conselho Global de Energia Eólica (GWEC) publicou hoje os dados atualizados de energia eólica referentes ao ano de 2011. Como tem sido o costume durante a última década, a fonte continua crescendo, a despeito da crise econômica. O total de parques eólicos instalados no mundo apenas no ano passado foi de 41 mil MW, o que equivale a três usinas de Itaipu.

A diferença é que este crescimento, antes puxado pela Europa, agora vem sendo conduzido pelos crescentes mercados da Ásia e América Latina. A China continua sendo o líder global, com um total de 62 mil MW em parques eólicos e um crescimento de 47% no último ano. O Brasil apresentou taxa até maior de crescimento (63%), saindo de 927 MW para 1.509 MW nos últimos 12 meses. Este total é praticamente metade da energia eólica instalada na América Latina.

Este crescimento coloca o Brasil entre os 20 maiores geradores de energia eólica no mundo e se deve principalmente ao Proinfa, programa federal de incentivo às fontes renováveis de energia, que se iniciou em 2004 e finalmente cumpriu sua meta de instalação de parques eólicos. No entanto, o grande boom de eólica ainda está por vir; entre 2009 e 2011, o custo da geração eólica no Brasil caiu vertiginosamente - hoje é o mais baixo no mundo - e leilões contrataram mais de 7.000 MW da fonte, o que deve posicionar o país entre os dez maiores geradores até 2015.

Vale lembrar que este crescimento é fruto do trabalho conjunto entre o setor eólico e o Greenpeace desde 2008, na pressão por um marco regulatório para energias renováveis e pelo projeto de lei PL 630, conhecido também como lei de renováveis. O projeto segue paralisado na Câmara dos Deputados, aguardando votação.  Em resumo, o fato do desenvolvimento da geração eólica se sustentar apenas por conta do mecanismo de leilões demonstra que uma política concreta de desenvolvimento para a fonte poderia resultar em um crescimento muito mais expressivo. 

*da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace

Fonte: greenpeace.org/brasil

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Brasil: de empresa internacionalizada a uma sociedade biocentrada

Por Leonardo Boff

Há interpretações clássicas sobre a formação da nação-Brasil. Mas esta do cientista político Luiz Gonzaga de Souza Lima é seguramente singular e adequada para entender o Brasil no atual processo mundial de globalização: A Refundação do Brasil: rumo a uma sociedade biocentrada (Rima, São Carlos 2011). Seu ponto de partida é o fato brutal da invasão e expropriação das terras brasileiras pelos "colonizadores” à base da escravidão e da superexploração da natureza. Não vieram para fundar aqui uma sociedade; mas, para montar uma grande empresa internacional privada, uma verdadeira agroindústria, destinada a abastecer o mercado mundial. Ela resultou da articulação entre reinos, igrejas e grandes companhias privadas como a das Índias Ocidentais, Orientais, a Holandesa (de Mauricio de Nassau), com navegadores, mercadores, banqueiros, não esquecendo as vanguardas modernas, dotadas de novos sonhos, buscando enriquecimento rápido. 


Ocupada a terra, para cá foram trazidas matrizes (cana de açúcar e depois café), tecnologias modernas para a época, capitais e escravos africanos. Estes eram considerados "peças” a serem compradas no mercado e como carvão a ser consumido nos engenhos de açúcar. Com razão afirma Souza Lima: ”o resultado foi o surgimento de uma formação social original e desconhecida pela humanidade até aquele momento, criada unicamente para servir à economia; no Brasil nasceu o que se pode chamar de ‘formação social empresarial”. 


A modernidade no sentido da utilização da razão produtivista, da vontade de acumulação ilimitada e da exploração sistemática da natureza, da criação de vastas populações excluídas, nasceu no Brasil e na America Latina. O Brasil, neste sentido, é novo e moderno desde suas origens.
A Europa só pôde fazer a sua revolução, chamada de modernidade, com seu direito e instituições democráticas, porque foi sustentada pela rapinagem brutal feita nas colônias. Com a independência política do Brasil, a formação social empresarial não mudou sua natureza. Todos os impulsos de desenvolvimento ocorridos, não conseguiram diluir o caráter dependente e associado que resulta da natureza empresarial de nossa conformação social. A tendência do capital mundial global ainda hoje é tentar transformar nosso eventual futuro em nosso conhecido passado. Ao Brasil cabe ser o grande fornecedor de commodities para o mercado mundial, com parco valor agregado. 


A empresa Brasil é a categoria-chave, segundo Souza Lima, para se entender a formação histórica do Brasil e o lugar que lhe é assinalado no processo atual de globalização desigual. O desafio consiste em gestar um outro software social que nos seja adequado, que nos desenhe um futuro diferente. A inspiração vem de algo bem nosso: a cultura brasileira. Ela foi elaborada pelos escravos e seus descendentes, pelos indígenas que restaram, pelos mamelucos, pelos filhos e filhas da pobreza e da mestiçagem. Gestaram algo singular, não desejado pelos donos do poder que sempre os desprezaram e nunca os reconheceram como sujeitos e filhos e filhas de Deus. 


O que se trata agora é refundar o Brasil, "construir, pela primeira vez, uma sociedade humana neste território imenso e belo, o que nunca ocorreu em toda a era moderna, desde que o Brasil foi fundado como empresa; fundar uma sociedade é o único objetivo capaz de salvar nosso povo”.Trata-se de passar do Brasil como Estado economicamente internacionalizado para o Brasil como sociedade biocentrada.


Enquanto sociedade humana biocentrada, o povo brasileiro deixará para trás a modernidade, apodrecida pela injustiça e pela ganância, e que está conduzindo a humanidade a um abismo. Não obstante, a modernidade entre nós, bem ou mal, nos ajudou a forjar uma infra-estrutura material que pode permitir a construção de uma biocivilização que ama a vida em todas as suas formas, que convive pacificamente com as diferenças e com capacidade de sintetizar os mais diferentes fatores. 


É neste contexto que Souza Lima associa a refundação do Brasil às promessas de um mundo novo que deve suceder a este agonizante, incapaz de projetar qualquer horizonte de esperança para a humanidade. O Brasil poderá ser um nicho gerador de novos sonhos e da possibilidade real de realizá-los em harmonia com a Mãe Terra e aberto a todos os povos.


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Carta de Esperança e Compromisso das Pastorais do Campo


O Centro de Formação Vicente Cañas, do Conselho Indigenista Missionário, CIMI, em Luziânia, Goiás, acolheu nos dia de 4 a 5 de fevereiro de 2012, quarenta representantes das Pastorais Sociais do Campo. Sentimos bater à nossa porta a história atual das populações do campo com suas preocupações e indignações cada vez mais se avolumando no atual momento. O avanço dos projetos econômicos, nacionais e transnacionais, respaldados e, muitas vezes, patrocinados pelo Estado brasileiro, estão ameaçando os espaços de reprodução física e cultural dos povos e comunidades campesinas no Brasil.


Nosso encontro foi vivido como uma urgência que finalmente realizamos, para nos conhecer mais, nos reanimar e dobrar o empenho na construção de estratégias conjuntas de enfrentamento aos desafios existentes. Os gritos que nos vêm, das florestas, das terras e territórios dos povos e das comunidades tradicionais, sobretudo por conta dos impactos e das contínuas ameaças que sofrem, exigiram de nós este primeiro momento de articulação que desejamos continuar e reforçar.


Recebemos a visita, e se mantiveram o tempo todo conosco, nossos ancestrais, os mártires e todos os que tombaram nas lutas antigas e recentes, em defesa da Vida. Foi emocionante e de grande responsabilidade para nós, sentir a presença deles e de suas grandes causas. Nós nos recusamos esquecê-las, pois são causas em prol de uma igreja e de uma sociedade nova e diferente. Oscar Romero, Josimo, Dorothy, Nísio Guarani-Kaiowá, Flaviano, quilombola do Charco MA... nos convidaram a olhar com fé para as novas sementes de resistência e de rebeldia que teimosamente são plantadas em todo canto da Abya Yala, a Pátria Grande, pelos povos indígenas, quilombolas, camponeses e camponesas de inúmeros territórios e culturas.


De fato, além destes, acompanhados por Cristo ressuscitado, entre outros entraram na aldeia que nos hospedava:
- os Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul, expropriados de seus territórios e de sua cidadania, massacrados, proibidos, alijados da convivência nacional;
- os quilombolas do Moquibom - MA, cerca de 80 quilombos que defendem e reivindicam os
seus territórios, cercados pela violência do latifúndio e do Estado;
- os quilombos do Recôncavo Baiano do Rio dos Macacos e do São Francisco do Paraguaçu....
- os povos indígenas do Xingú impactados pelo absurdo e autoritário projeto de Belo Monte;
- os jovens, a quem se fecham os horizontes de uma vida digna e prazerosa no campo;
- os Guarani e sem terra do Paraguai que lutam para retomar as terras, ocupadas ilegitimamente por latifundiários brasileiros;
- Os indígenas da Bolívia que não aceitam e impedem no TIPNIS (Território Indígena Parque Nacional Isidoro Sécure) a construção de uma rodovia;
- Os campesinos de Honduras que, em Bajo Aguán, ainda aguardam uma solução para não perder a terra...


A narrativa viva que apareceu em nossos diálogos e em nossas reflexões projetaram, em sua crueza, imagens que, há muito tempo, estamos vendo e que a grande mídia quase não revela mais: invasões, traições da palavra, explorações, violências permanentes contra nossos irmãos quilombolas, ribeirinhos, pescadores, quebradeiras de coco, camponeses, jovens e indígenas, migrantes assalariados e escravizados ...


Desta terra depredada e de seus filhos resistentes, vemos renovar-se a cada dia, reações e sinais de esperança. Para quem quer ver, são os sinais, do Reino, da Terra sem Males, do Sumak Kawsay (o Bem Viver Quechua) que fermentam e aquecem nossas lutas, nossas comunidades, nossas vidas.


Esta é a hora, agora mais do que nunca, de tecer, com os fios da história, uma só rede de solidariedade, resistência, teimosia e reação. Com a força dos pequenos, do campo e das cidades, nas ruas e nas praças, de noite e de dia. O sangue derramado pelos nossos irmãos e irmãs de luta, não foi e nem será em vão. Este é para nós o Evangelho do Ressuscitado e esta é a mística que nos faz acreditar na vitória de nossa pequena "pedra” (cfr. Daniel 2, 26-35) chamada esperança, que nasce e renasce da terra e que lançaremos, cotidianamente, contra o gigante dos pés de barro e em favor dos nossos irmãos. Esta pedra de nossa esperança é eficaz quando, com nossos compromissos unitários, reconhecemos e aceitamos a riqueza e a diversidade que o espírito de Javé faz surgir entre os pobres. Isso, da parte de nossas pastorais missionárias, implica:


- aceitar sermos parteiros e parteiras de um mundo novo através de formas novas de vivificar nossas igrejas e nossas comunidades;
- exigir que o Estado deixe de iludir, reprimir e violentar, com seus aparatos, os povos que não aceitam entrar na estrutura desumana do capitalismo e dos seus latifúndios;
- impedir que nossas terras e territórios estejam cada vez mais monopolizados pela mineração selvagem e os monocultivos;
- recusar, decididamente, a canga, sempre renovada, de uma política que quer reduzir os territórios de vida a novos feudos a serviço do lucro e transformando-os em novos currais eleitorais para legitimar o poder concentrado;
- promover a participação e o protagonismo de quem, uma vez despertado para o valor da cidadania, ameaça ser novamente tolhido por uma democracia formal que mascara um autoritarismo e uma dependência deprimente de marco neocolonial.


Sobre nosso Brasil indígena, negro, camponês, sobre os jovens desta hora tão ameaçadora e sobre todos os que se solidarizam com outro modelo de Brasil, pedimos a benção do Deus de tantos nomes que Jesus veio nos mostrar com sua missão que é também a nossa.


PARTICIPANTES DO ENCONTRO DAS PASTORAIS BRASILEIRAS DO CAMPO
BRASILIA, 5 DE FEVEREIRO 2012

CIMI - Conselho Indigenista Brasileiro
CPT – Comissão Pastoral da Terra,
PJR – Pastoral da Juventude Rural
SPM – Serviço Pastoral dos Migrantes
CPP – Conselho Pastoral dos Pescadores
Caritas Brasileira

Fonte: Adital
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Jovens são quase 24% dos trabalhadores pobres do mundo, mostra relatório da ONU

da Agência Brasil
 
Os jovens são quase 24% dos trabalhadores pobres no mundo, somando 152 milhões de pessoas. É o que mostra relatório sobre a situação mundial dos jovens no mundo do trabalho feito pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas e divulgado hoje (6).

No caso dos trabalhadores não considerados pobres, ou seja os que vivem com mais de US$ 1,25 por dia, os jovens representam 18,6% do total. Com menor crescimento da economia global, a juventude tem enfrentado dificuldade para conseguir uma vaga de trabalho.

Mesmo entre os que têm emprego, muitos relataram enfrentar longa jornada de trabalho, instabilidade, poucas oportunidades para avançar na carreira, não ter benefícios de saúde e trabalham na informalidade. Por isso, não conquistam a independência financeira e nem conseguem complementar a renda familiar. Outros disseram que sequer conseguem emprego de meio período para custear os gastos com os estudos.

O documento também apontou o problema do desemprego da população jovem no Oriente Médio e na África. Em 2010, o percentual de jovens sem trabalho nessas duas regiões era 25,5% no Oriente Médio e 23,8% no Norte da África.

O relatório diz ainda que os jovens apostam na tecnologia da informação e desenvolvimento sustentável (empregos verdes) como áreas que oferecem uma melhor condição de trabalho nos próximos anos. Eles também pedem um sistema educacional de melhor qualidade e com facilidade de acesso e sugerem aos governos que implantem programas de estágios em grandes companhias privadas para a qualificação e inserção no mercado de trabalho.

As Nações Unidas ouviram jovens e representantes de organizações da sociedade civil por meio das mídias sociais para elaborar o relatório. Foram 1,1 mil opiniões, sugestões e recomendações recebidas durante quatro semanas, em outubro do ano passado.


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Energia inteligente


Na semana passada, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou que, desde março de 2008, foram investidos R$ 2,4 bilhões em 914 projetos de eficiência energética, pelas empresas concessionárias.

Este investimento permitiu uma poupança de cerca de dois Twh/ano de energia elétrica, o que corresponde, aproximadamente, ao consumo anual de uma cidade com mais de um milhão de unidades consumidoras.

Os programas de eficiência energética representam pelo menos 0,5% da receita líquida das distribuidoras de energia elétrica, que são aplicados em projetos de eficientização de iluminação pública e semafórica, de aquecimento de água com energia solar, substituindo a utilização de chuveiro elétrico, de troca de eletrodomésticos por modelos energeticamente eficientes, de substituição de lâmpadas por lâmpadas eficientes, entre muitos outros.

Este esforço de poupança de energia traduz-se em menores contas de luz e menores necessidades de investimento em expansão do parque gerador. É, assim, um investimento produtivo que beneficia tanto o cliente, como a sociedade, o meio ambiente e, indiretamente, as empresas concessionárias.

No mesmo dia em que se souberam os valores consolidados dos Programas de Eficiência Energética, soube-se também que o consumidor brasileiro pagou R$ 63,5 bilhões em tributos e encargos na conta de luz, em 2011.

Este valor é um recorde absoluto, segundo o Instituto Acende Brasil. O montante equivale a uma carga tributária de 45,08% sobre tudo o que o setor elétrico arrecada.

Ou seja, para cada R$ 100 pagos na conta de luz, em média, R$ 45,08 são impostos e contribuições.

Para termos a noção da relevância desta carga tributária, em três anos, a arrecadação cresceu R$ 17,3 bilhões, valor que é comparável ao que o setor elétrico investe por ano em geração, transmissão e distribuição.

Ou seja, se por um lado se contribui para uma redução da conta da luz por meio da eficiência energética, por outro, a elevada carga tributária que incide na eletricidade asfixia as empresas do setor e o consumidor.

Algumas empresas distribuidoras já começaram a desenvolver projetos de redes de distribuição inteligentes (as chamadas smart grids).

Estes projetos abrem o caminho para um novo paradigma de distribuição de energia elétrica, com menores custos e maior eficiência, tanto para as empresas como para o cliente.

Já existem casos de sucesso na instalação destas tecnologias, como se passa atualmente na cidade de Évora, em Portugal, com o projeto InovCity, que está sendo replicado na cidade de Aparecida, em São Paulo, pela EDP Bandeirante.

No entanto, abrir as portas à era da energia inteligente requer um investimento inicial para a modernização e automação das redes e para a instalação de medição inteligente.

Este investimento reformador exige, para além de um enquadramento regulatório específico, espaço para acomodar a respectiva remuneração nas tarifas de eletricidade.

Por isso, uma reforma tributária, que se traduza numa redução dos tributos e encargos na conta de luz, com correspondente agravamento de outros impostos, afigura-se como um passo indispensável para a modernização do setor elétrico brasileiro e para a chegada de uma “energia mais inteligente”.

 Miguel Setas é vice-presidente de distribuição e inovação da EDP no Brasil.

 Fonte: Brasil Econômico.


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Fome: um problema com solução

Segundo a última estimativa da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), órgão que lidera os esforços internacionais de erradicação da fome e da insegurança alimentar, existem 925 milhões de pessoas no mundo que vão para a cama todas as noites de barriga vazia. Isto significa que em um planeta com sete bilhões de “bocas”, uma em cada sete pessoas não tem o que comer!

A notícia, apesar de indigesta, não é nova. Todos os anos as mídias nos lembram que centenas de milhares de humanos, incluindo crianças, encontram-se em frágeis estados físicos, moribundos ou próximos à morte.

Problema sem solução? Não. A fome não esconde sequer o vergonhoso status de ser o maior problema solucionável que o mundo enfrenta hoje. O que se passa, então? Por que a fome existe? A quem ela interessa? E, se há solução, como chegar até lá?

Segundo Darana Souza*, pesquisadora do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), a fome persiste não somente porque existem aqueles que de alguma forma ganham com ela, mas em grande medida pelo fato de não se fazer o bastante contra ela. “A necessária prioridade que a questão merece, acompanhada da devida mobilização de recursos financeiros e humanos, é insuficiente em diversos países, tanto na arena internacional como na esfera nacional. “Utilizando uma fórmula caricatural, eu diria que a fome persiste tanto por insuficiência de ‘mocinhos’ como pela presença de ‘vilões’”, aponta.

Mestre em Desenvolvimento Sustentável e Agricultura e bacharel em Ciências Sociais, a pesquisadora concedeu uma entrevista, por email, para o Mercado Ético, onde aprofunda algumas questões fundamentais para se entender as causas desse problema e, também, onde apresenta o apoio à capacidade produtiva da agricultura familiar como uma condição sine qua non para resolvê-lo.


Confira abaixo.

Mercado Ético – Como é o cenário atual da produção e distribuição de alimentos no mundo? Quem são os principais players do mercado?

Darana Souza – A produção atual de alimentos é mais do que suficiente para alimentar a população mundial. Ela segue aumentando, com 0,8% de crescimento em 2010 segundo a FAO (FAO 2011, State of Food and Agriculture 2010-2011, Rome, FAO). Diferentes regiões do planeta são grandes produtoras, a exemplo da China, Estados Unidos, União Europeia e Brasil.

A distribuição desta produção é bastante internacionalizada para uma série de produtos, caracterizados como commodities, com grande impacto sobre a segurança alimentar das populações, já que divide o mundo entre países exportadores e países importadores de alimentos. Entre os importadores está a grande maioria das nações com maior número e prevalência de pessoas que sofrem de fome crônica no mundo, notadamente na Ásia e África subsaariana (FAO 2002-2002, Net Food Traders, http://faostat.fao.org/site/342/default.aspx).

No que se refere a grandes players, a ação dos governos, particularmente dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se colocou durante muitos anos como o grande foco das discussões referentes ao mercado agrícola internacional e marca a Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ela se refere ao uso de mecanismos de proteção de mercado e de subsídios à produção agrícola pelo Estado, que permitem a venda de gêneros alimentícios oriundos destas regiões a preços com os quais os países em desenvolvimento não conseguem competir.

A partir principalmente da crise da alta dos preços de alimentos em 2007-2008, novos elementos surgem no debate, revelando a ação de importantes players que, na verdade, vêm ganhando força desde a desregulação do mercado de commodities nos anos 1990. São bancos e outros agentes financeiros internacionais que especulam no mercado futuro de alimentos e contribuem para a volatilidade dos preços que hoje marcam o cenário mundial (Unctad 2008, Adressing the World Food Crisis, Rome, UN; Friends of the Earth Europe 2012, Farming Money: How European and private finance profit from food speculation and land grabs, Brussels, Friends of the Earth Europe).

ME – Como o Brasil se encontra diante desse macrocenário?

DS – O Brasil tem uma posição bastante privilegiada. É um grande exportador de produtos agrícolas e autossuficiente na maior parte dos alimentos consumidos pelos brasileiros, com exceção importante do trigo, importado majoritariamente da Argentina. Destaca-se o valor da agricultura familiar neste cenário, responsável maior pela produção de alimentos consumidos no âmbito nacional, como 87% da mandioca, 70% do feijão e 58% do leite (IBGE 2009, Censo Agropecuário 2006, Rio de Janeiro, IBGE).

ME – Como o atual modelo agrícola mundial afeta a soberania alimentar dos países pobres? Como a população brasileira é afetada pelas atuais regras?

DS – Se considerarmos o conceito de soberania alimentar utilizado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), o qual se refere ao direito dos povos de definir suas próprias estratégias de produção, distribuição e consumo de alimentos (Consea 2009, Construção do Sistema e da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional: a experiência brasileira, Brasília, Presidência da República), algumas questões merecem ser levantadas. Os subsídios usados pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), antes mencionados, ajudam a inviabilizar a produção de países pobres, que, aliás, são geralmente tradicionais produtores agrícolas. Este fato contribui para que eles sejam cada vez maiores importadores de alimentos e consumidores de commodities.

Vale acrescentar que o comércio mundial de insumos agrícolas, a exemplo de sementes modificadas, fertilizantes e pesticidas, representa modelos agrícolas específicos, pautados na intensificação da produção. O Brasil está amplamente inserido neste cenário; somos os maiores consumidores de agroquímicos e o segundo maior produtor de organismos geneticamente modificados (OGM) (Chmielewska e Souza 2011, The Food Security Policy Context in Brazil, IPC-IG Country Study 22, Brasília, IPC-IG).

ME – O direito à alimentação é um direito fundamental, um direito humano. Ainda assim, todos os anos acompanhamos notícias de que centenas de milhares de pessoas, inclusive crianças, são levadas à indigna condição de famintos. Ainda que complexo, o problema da fome pode ser resolvido. Mas se há solução para a questão, por que ela ainda existe? A quem ela interessa?

DS – Certamente há soluções, tanto para as crises alimentares que se repetem ano após ano e que são em geral amplamente divulgadas pela imprensa, quanto para a fome crônica que continuamente incapacita e mata centenas de milhares de pessoas de forma mais silenciosa. Mas as soluções não são simples. Fome e pobreza estão estruturalmente muito relacionadas, já que o problema em nível mundial é muito mais uma questão de falta de acesso a alimentos – em geral econômico – do que de insuficiência destes.

Existem de fato aqueles cuja atuação contribui para criar e manter mecanismos econômicos, sociais e até militares que sustentam a fome. Entre eles estão governos e agentes financeiros, como comentado anteriormente, além de empresas de diversos ramos e mesmo grupos armados no caso de países em conflito.

A meu ver, no entanto, a fome persiste não somente porque existem aqueles que de alguma forma ganham com ela, mas em grande medida pelo fato de não se fazer o bastante contra ela. A necessária prioridade que a questão merece, acompanhada da devida mobilização de recursos financeiros e humanos, é insuficiente em diversos países, tanto na arena internacional como na esfera nacional. Utilizando uma fórmula caricatural, eu diria que a fome persiste tanto por insuficiência de “mocinhos” como pela presença de “vilões”.

ME – Como a agricultura familiar pode contribuir para solucionar a equação da soberania alimentar e combater a fome de forma sustentável?

DS – A agricultura familiar é fundamental tanto para o acesso a alimentos adquiridos via mercado como para a alimentação pautada na produção agrícola própria. Quanto ao primeiro caso, basta lembrar que, em nível local e nacional, este setor tem um papel vital a exercer na manutenção da disponibilidade de alimentos a preços acessíveis. Efetivamente, a agricultura familiar é responsável pela dieta básica da população em diversos países em desenvolvimento.

Quanto ao segundo aspecto, é importante enfatizar que grande parte das pessoas que enfrentam a fome no mundo, que constituem 925 milhões de humanos segundo a última estimativa da FAO, exerce atividades agrícolas (FAO 2010, State of Food Insecurity in the World, Rome, FAO). A maior parte destes produtores, cerca de 500 milhões, são pequenos agricultores (Ifad 2010, Future of World Food Security, Rome, Ifad).

O apoio à capacidade produtiva da agricultura familiar é, desta forma, condição sine qua non para resolver o problema da fome no mundo.

* Darana Souza é pesquisadora do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), centrou sua trajetória profissional em desenvolvimento rural e segurança alimentar. Atuou em diferentes países em desenvolvimento como Brasil, Indonésia e Níger.

Fonte: Mercado Ético.


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Conselho Tutelar de Rio das Ostras empossa conselheiros

Os cinco novos conselheiros eleitos para o triênio 2012/2014 do Conselho Tutelar de Rio das Ostras tomaram posse na manhã da última segunda-feira, dia 6, na Câmara Municipal. Os novos integrantes são Dionéia Monsuete Medeiros Brust, Érica Cristina dos Santos, Luciana Alves de Souza, Austriane Lessa Ferreira Marques e Fábio de Souza Neves.

A solenidade contou com a presença do Prefeito Carlos Augusto, da secretária de Bem-Estar Social, Márcia Almeida; da presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA, Eliara Fialho; da secretária de Planejamento, Rosemarie Teixeira; e dos vereadores Robson Gomes e Luiz Roberto da Silva, representando o Poder Legislativo.

Em seu pronunciamento, o prefeito Carlos Augusto se colocou à disposição dos novos conselheiros para ajudar no que for possível na tarefa que se inicia. “Este é um momento muito importante para todos nós, tendo em vista que fica o sentido do dever cumprido daqueles que estão saindo e de glória para os que estão chegando. Outro detalhe importante que deve ser ressaltado é a participação da sociedade civil no processo, já que o número de eleitores foi três vezes maior do que o registrado na eleição anterior”, declarou.

A secretária de Bem-Estar Social, Márcia Almeida, agradeceu o trabalho desenvolvido pelos conselheiros que estão deixando o cargo e deu as boas vindas àqueles que iniciam o trabalho. “Toda a Secretaria está à disposição para auxiliar o trabalho em prol da criança e do adolescente. Além disso, gostaria de parabenizar o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente pelo processo de transparência no período eleitoral do conselho tutelar”, disse.

Para a presidente do CMDCA, Eliara Fialho, a posse dos novos conselheiros marca o início de um novo ciclo para o futuro das crianças e adolescentes do município. “Os conselheiros eleitos terão que trabalhar para garantir os direitos estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente, além de ajudar na resolução de qualquer problema que venha surgir envolvendo as crianças e os jovens. Na verdade, esta é uma causa que toda a comunidade precisa se envolver e não apenas os conselheiros”, afirmou.

A expectativa de trabalho da conselheira mais votada na última eleição, Dionéia Brust, é a melhor possível. “Agora é a hora de doarmos o amor e o empenho necessários para esta causa tão importante que é a criança e o adolescente. O trabalho do conselheiro é primordial porque atende aos anseios da sociedade, sendo o elo entre a sociedade civil organizada e o Poder Público na hora de viabilizar as ações”, finalizou.

Conselho Tutelar – “O Conselho Tutelar é um órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente.” Art. 131/ Estatuto da Criança e do Adolescente

Para cumprir com eficácia sua missão, o Conselho Tutelar, por meio dos Conselheiros Tutelares, deve executar com zelo as atribuições que lhe foram confiadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, o que, na prática, resulta na faculdade de aplicar medidas em relação às crianças e adolescentes; aos pais ou responsáveis; às entidades de atendimento; ao Poder Executivo; à autoridade judiciária; ao Ministério Público; e às suas próprias decisões

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sustentabilidade: tentativa de definição

Por Leonardo Boff

Há hoje um conflito entre as várias compreensões do que seja sustentabilidade. Clássica é a definição da ONU, do relatório Brundland, (1987) "desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem a suas necessidades e aspirações”. Esse conceito é correto mas possui duas limitações: é antropocêntrico (só considera o ser humano) e nada diz sobre a comunidade de vida (outros seres vivos que também precisam da biosfera e de sustentabilidade).Tentarei uma formulação, o mais integradora possível:

Sustentabilidade é toda ação destinada a manter as condições energéticas, informaconais, físico-químicas que sustentam todos os seres, especialmente a Terra viva, a comunidade de vida e a vida humana, visando a sua continuidade e ainda a atender as necessidades da geração presente e das futuras de tal forma que o capital natural seja mantido e enriquecido em sua capacidade de regeneração, reprodução, e coevolução.

Expliquemos, rapidamente, os termos desta visão holística:

Sustentar todas as condições necessárias para o surgimento dos seres: estes só existem a partir da conjugação das energias, dos elementos físico-químicos e informacionais que, combinados entre, si dão origem a tudo.

Sustentar todos os seres: aqui se trata de superar radicalmente o antropocentrismo. Todos os seres constituem emergências do processo de evolução e gozam de valor intrínseco, independente do uso humano.

Sustentar especialmente a Terra viva: a Terra é mais que uma "coisa” (res extensa), sem inteligência ou um mero meio de produção. Ela não contém vida. Ela mesma é viva, se autorregula, se regenera e evolui. Se não garantirmos a sustentabilidade da Terra viva, chamada Gaia, tiramos a base para todas as demais formas de sustentabilidade.

Sustentar também a comunidade de vida: não existe, o meio ambiente, como algo secundário e periférico. Nós não existimos: coexistimos e somos todos interdependentes. Todos os seres vivos são portadores do mesmo alfabeto genético básico. Formam a rede de vida, incluindo os microorganismos. Esta rede cria os biomas e a biodiversidade e é necessária para a subsistência de nossa vida neste planeta.

Sustentar a vida humana: somos um elo singular da rede da vida, o ser mais complexo de nosso sistema solar e a ponta avançada do processo evolutivo por nós conhecido, pois somos portadores de consciência, de sensibilidade e de inteligência. Sentimos que somos chamados a cuidar e guardar a Mãe Terra, garantir a continuidade da civilização e vigiar também sobre nossa capacidade destrutiva.

Sustentar a continuidade do processo evolutivo: os seres são conservados e suportados pela Energia de Fundo ou a Fonte Originária de todo o Ser. O universo possui um fim em si mesmo, pelo simples fato de existir, de continuar se expandindo e se autocriando.

Sustentar o atendimento das necessidades humanas: fazemo-lo através do uso racional e cuidadoso dos bens e serviços que o cosmos e a Terra nos oferecem sem o que sucumbiríamos.

Sustentar a nossa geração e aquelas que seguirão à nossa: a Terra é suficiente para cada geração desde que esta estabeleça uma relação de sinergia e de cooperação com ela e distribua os bens e serviços com equidade. O uso desses bens deve se reger pela solidariedade generacional. As futuras gerações têm o direito de herdarem uma Terra e uma natureza preservadas.

A sustentabilidade se mede pela capacidade de conservar o capital natural, permitir que se refaça e ainda, através do gênio humano, possa ser enriquecido para as futuras gerações. Esse conceito ampliado e integrador de sustentabilidade deve servir de critério para avaliar o quanto temos progredido ou não rumo à sustentabilidade e nos deve igualmente servir de inspiração ou de idéia-geradora para realizar a sustentabilidade nos vários campos da atividade humana. Se isso a sustentabilidade é pura retórica sem consequências.

[Autor do livro Sustentabilidade: o que é e o que não é, a sair em fins de janeiro de 2012 pela Editora Vozes].



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CONAE Publicado cronograma das conferências estaduais da Conae A etapa estadual será realizada em todas as unidades da Federação. As datas estão disponíveis na página da Conae 2024

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