terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Consulta pública para plano sobre biodiversidade termina dia 31


Disponível desde 19 de dezembro de 2011, a consulta pública do Ministério do Meio Ambiente referente ao Plano Estratégico da Convenção sobre Diversidade Biológica para 2020 segue disponível na internet até o dia 31 de janeiro.

O documento foi preparado e discutido com os setores empresariais, sociedade civil ambientalistas, academia, governos (federal e estaduais), povos indígenas e comunidades tradicionais. A fase atual busca obter mais contribuições da sociedade brasileira para a elaboração das metas nacionais de biodiversidade para 2020.

As propostas em consulta foram consolidadas em um único documento chamado de Documento base da consulta pública, a partir das contribuições do encontro "Diálogos sobre Biodiversidade: 

construindo a estratégia brasileira para 2020", promovido pelo Ministério do Meio Ambiente este ano, no qual estiveram reunidos cinco setores da sociedade.

O documento considera as 20 Metas Globais de Biodiversidade (Metas de Aichi) e as visões e necessidades específicas de cada uma delas, tendo como orientação geral a necessidade de um conjunto de metas para maior efetividade no seu alcance e monitoramento.

Como resultado dos trabalhos das reuniões setoriais, foram gerados 25 documentos (5 para cada uma das 5 reuniões) contendo proposta de metas nacionais de biodiversidade para 2020 e de submetas intermediárias para serem alcançadas nos anos de 2013 a 2017.

Fonte: EcoD


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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Falta de sustentabilidade do modelo econômico é tema central do Fórum Social Temático em Porto Alegre


da Agência Brasil

Porto Alegre (RS) – Se em 2001, quando o Fórum Social Mundial (FSM) foi criado em contraponto ao Fórum Econômico de Davos, o neoliberalismo era o principal alvo da crítica dos que acreditavam em “um outro mundo possível”, atualmente é outra face do capitalismo que preocupa os altermundistas: a falta de sustentabilidade do modelo econômico. O tema será o centro dos debates do Fórum Social Temático (FST), que começa amanhã (24) em Porto Alegre.

O FST – cujo tema será Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental – deverá ser uma prévia da Cúpula dos Povos, encontro de movimentos sociais paralelo à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece em junho.

Um dos pais do FSM Oded Grajew diz que a preocupação ambiental sempre esteve na agenda dos que queriam uma alternativa às idéias pregadas em Davos (sede do Fórum Econômico), e que ganhou força nos últimos onze anos.

“Desde o começo, a ideia era ter um modelo de desenvolvimento sustentável, em contraponto ao neoliberalismo. Em 2001, a palavra talvez não fosse essa, sustentabilidade, mas era esse o modelo. Um modelo que oferece um desenvolvimento sustentável, para todos e ao mesmo tempo, nas dimensões econômica, alimentar, social, cultural. Essa é a idéia desde o começo do FSM”, lembrou Grajew, em entrevista à Agência Brasil.

As crises financeiras de 2008 e a atual mostram que o modelo neoliberal tem falhado e que os defensores de Davos estavam errados, segundo Grajew, e fechar os olhos para a crise ambiental pode levar a consequências mais graves que a quebra de mercados. “Demos alertas sobre a crise financeira, os riscos, a falta de regulação e os neoliberais fecharam os olhos. É melhor prestar atenção para uma coisa que pode ser muita mais desastrosa”, avaliou.

Entre as preocupações ambientais que podem levar a uma crise ambiental estão o esgotamento dos recursos naturais, a insegurança alimentar, a crise energética e as mudanças climáticas.

No FST, ativistas vão tentar articular propostas alternativas às que serão apresentadas pelos governos na Rio+20. Segundo Grajew, o texto-base das negociações da conferência apenas tangencia os problemas, sem apontar soluções ou compromissos que apontem para mudanças significativas no atual padrão de desenvolvimento.

“É preciso uma mudança de abordagem: em nenhum momento está se apontando as questões do limite do planeta e de combater a desigualdade, se fala em pobreza, em uma visão muito filantrópica”, criticou.

O encontro dessa semana em Porto Alegre deverá manter a tradição do FSM de não divulgar uma posição única, mas, segundo Grajew, a expectativa é que ativistas de todo o mundo, inclusive representantes de movimentos como a Primavera Árabe, as manifestações estudantis chilenas, o Occupy Wall Street e os Indignados da Espanha se unam para cobrar desde já resultados mais efetivos da Rio+20.

“Tudo caminha para que a conferência seja um evento sem consequências práticas. É preciso haver comprometimento com metas numéricas relacionadas a mudanças no padrão energético, diminuição das desigualdades, conservação da biodiversidade, metas de redução de mortalidade infantil. Metas sociais, econômicas e ambientais, políticas que liberem governos do poder econômico, democratização das instituições multilaterais”, sugeriu.

Até domingo (29), cerca de 30 mil pessoas devem participar do FST, segundo estimativas da organização. A programação inclui mais de mil atividades em Porto Alegre e em mais três cidades da região metropolitana da capital gaúcha.


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Encontro da humanidade

Marcelo Barros
Monge beneditino e escritor

Universidades, escolas, empresas, movimentos populares e até clubes fazem assembléias e convenções. Atualmente, a humanidade inteira é convocada para um encontro, aberto a todos os homens e mulheres que se sintam cidadãos do mundo e tenham no coração o desejo de transformar a sociedade. Há exatamente onze anos, milhares de pessoas se reuniram em Porto Alegre para refletir juntos e programar o que cada um/uma, em sua organização de base ou na vida cotidiana, poderia fazer por "um novo mundo possível”. Onze anos depois, desta terça-feira, 24 ao domingo 29, uma nova sessão do Fórum Social Mundial (FSM) acontecerá mais uma vez em Porto Alegre, desta vez com o tema "Crise capitalista – justiça social e ambiental”. Esse fórum, que reúne mais de cem mil pessoas, será uma das atividades preparatórias da Cúpula dos Povos, evento paralelo à conferência da ONU sobre ecologia e condições ambientais que se realizará no Rio de Janeiro de 20 a 21 de junho deste ano (Rio + 20).

Esse FSM acontece no momento em que vários povos se movimentam por liberdade e democracia. No Ocidente, a crise do capitalismo e da própria civilização, expressa de tantas formas diversas, tem suscitado o movimento "Ocupem Wall Street”. Essas manifestações dizem claramente que a juventude e grande parte da sociedade civil internacional não querem mais esse modo de organizar o mundo. Entretanto, não conseguem ainda vislumbrar modelos ou métodos de organização social alternativos. O atual modelo capitalista levou séculos até se concretizar no sistema vigente. Não se pode exigir da juventude atual e dos movimentos populares que, diante da crise do sistema dominante, tirem do bolso uma proposta alternativa pronta e definida. O importante é partir de pequenas experiências locais já em funcionamento (organizações de economia solidária, cooperativas populares e outras) e que todas as pessoas e grupos que buscam um novo mundo possível se abram ao diálogo e à coragem de ensaiar o novo. Sobre isso, em artigo recente, Frei Betto escreveu: "Do lado da esperança, e após três décadas de globocolonização neoliberal, as manifestações sinalizam valores positivos como a empatia pelo sofrimento alheio, a solidariedade, a defesa da igualdade, a busca de justiça, o reconhecimento da diversidade e a preservação ambiental. Sem esse universo ético não há esperança de se construirum outro mundo possível”.

Nas tradições espirituais, o termo Igreja se tornou patrimônio das confissões cristãs e de algumas outras comunidades religiosas, como no Brasil, a religião do Santo Daime. Em grego Igreja (ekklesia) significa assembléia de cidadãos, portanto um fórum de debates e de propostas para a caminhada comum. No tempo do cristianismo primitivo, Igreja era a assembléia dos cidadãos de uma cidade que se reunia para os julgamentos e as decisões que diziam respeito à vida na cidade. Era uma associação elitista (mulher, criança e pobre não participavam). Paulo chamou de Igrejas as comunidades dos discípulos e discípulas de Jesus para dizer que o projeto divino convoca a todas as pessoas a serem iguais e trabalharem juntas pela paz e pela justiça. Hoje toda humanidade é convocada para esse processo dos fóruns sociais, cuja proposta é caminharmos juntos para a realização do projeto divino da justiça, paz e cuidado com o planeta Terra e o universo que nos rodeia. Para todos nós que participaremos diretamente ou não desse caminho, é bom lembrar a palavra de Jesus: Felizes os que trabalham pela paz, eles fazem o que Deus faz”(Mt 5, 9).



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Imagens e textos reforçam direito à liberdade religiosa no Brasil

da Agência Brasil

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (Ccir) lança hoje (23) à noite, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio, o livro Caminhando a Gente se Entende, com fotografias que retratam as quatro caminhadas já realizadas em defesa da liberdade religiosa. Essas caminhadas ocorrem sempre no terceiro domingos de setembro, na orla de Copacabana, zona sul da cidade.

O porta-voz da Ccir, babalaiô Ivanir dos Santos, disse que a publicação envolve textos de vários segmentos religiosos, “na defesa da liberdade religiosa, do diálogo e do respeito às diferenças”.

O lançamento faz parte das comemorações do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, transcorrido no último sábado (21). Segundo Ivanir dos Santos, todos os segmentos que participam das Caminhadas em Defesa da Liberdade Religiosa consideram um “atentado contra a democracia” a perseguição a essas manifestações. “Se um segmento acha que é o único escolhido e passa a perseguir os outros, isso é um atentado”.

Ele lembrou que a Ccir defende a visão plural de religiões que existe no país. “O livro é, então, uma defesa dessa pluralidade, do respeito, e não de uma visão dogmática de um único segmento”. A ideia é mostrar à sociedade e ao mundo que existe a possibilidade de uma convivência pacífica e harmoniosa entre fiéis de diversas crenças.

Representantes dos ministérios da Justiça, Cultura e de Políticas de Promoção da Igualdade Racial estão confirmados no evento. O livro conta ainda com textos da Polícia Civil, do Ministério Público e do Tribunal de Justiça do Rio, parceiros do movimento em defesa da liberdade e da diversidade religiosa no estado.



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domingo, 22 de janeiro de 2012

População e consumo: onde está o problema?

Existem pessoas que colocam toda a culpa dos problemas do mundo no tamanho e no ritmo de incremento da população e consideram que o crescimento demográfico é o principal responsável pela reprodução da pobreza e pela degradação do meio ambiente.

Mas também existem outras pessoas que dizem exatamente o contrário e consideram que a população não é um problema, pois a culpa pela pobreza se deve à concentração da renda e da propriedade, enquanto os maiores danos ao meio ambiente decorrem do impacto provocado pelo volume e crescimento do consumo, especialmente das parcelas mais afluentes da população.

Os ricos culpam os pobres pelos problemas da miséria e do meio ambiente. Os pobres devolvem os “insultos” e consideram que o padrão de vida e os privilégios dos ricos são os verdadeiros responsáveis pelo aumento da pobreza e da degração ambiental.

Quem está com a razão? Os dois tipos de argumentos estão certos? Ou os dois estão errados?
Vejamos sinteticamente o debate sobre população e pobreza.

Os dados mostram que, ao longo da história, a grande maioria da população mundial era pobre e tinha uma esperança de vida média em torno dos 30 anos, situação que se manteve até a maior parte do Século 19. No Brasil, nesta época, as péssimas condições de saúde e educação da população em geral eram agravadas pela escravidão e a total falta de autonomia das mulheres (que não podiam votar, estavam subjugadas aos espaços privados e eram legalmente dependentes dos pais e/ou maridos).

Mas diversos avanços econômicos, médicos e sanitários possibilitaram a redução das taxas de mortalidade, especialmente da mortalidade infantil, na maior parte do mundo e também no Brasil. Com o maior número de filhos sobreviventes e vivendo vidas mais longas, as famílias passaram a limitar a quantidade de filhos nascidos vivos e investir mais na qualidade dos mesmos. Este processo conhecido como transição demográfica gera, inexoravelmente, uma mudança na estrutura etária que abre uma janela de oportunidade e cria um bônus demográfico que, se bem aproveitado, possibilita o combate à pobreza e o avanço de políticas para a melhoria da qualidade de vida da população.

Portanto, a transição demográfica (de altas para baixas taxas de mortalidade e fecundidade) e o processo de redução da pobreza são dois fenômenos que se reforçam mutuamente. Neste sentido, podemos dizer que não é o crescimento populacional que gera as situações de miséria, mas, inegavelmente, uma redução no ritmo de crescimento demográfico ajuda no processo de saída das condições de pobreza.

Por outro lado, a falta de recursos educacionais e econômicos por parte das famílias e do Estado está correlacionada com os territórios com maiores taxas de fecundidade. Desta forma, alto crescimento populacional e carência de recursos econômicos e culturais se somam e constituem o chamado fenômeno da “armadilha da pobreza”. Assim, nestes casos, a pobreza explica o alto crescimento populacional tanto quanto o alto crescimento populacional explica a pobreza. Romper com este círculo vicioso é o grande desafio colocado, por exemplo, pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, aprovados pela ONU, na Cúpula do Milênio, no ano 2000.

Agora vejamos sinteticamenente o debate sobre população e meio ambiente.

É muito fácil para um ser humano dizer, por exemplo, que “sete bilhões de habitantes não são um problema”. Mas qual seria a resposta se perguntássemos se a Terra está superpovoada para uma onça, um tigre, um elefante, um rinoceronte, um tamanduá ou um orangotango? E se perguntássemos para um cedro, um mogno, um jacarandá ou um pau-brasil? O que nos diria um sabiá, um bem-te-vi ou um pintassilgo?

Evidentemente, comparado com outras espécies, sete bilhões de habitantes não é pouco, pois cada pessoa precisa de água, comida, casa, transporte, saúde, educação, lazer, etc. Tirando a água, as outras coisas não caem do céu. E embora exista muita água na Terra, a água potável é escassa e geograficamente mal distribuída. Pior, a humanidade está poluindo, danificando e sobreutilizando as fontes limpas de água, no solo e no subsolo.

O impacto das atividades antrópicas sobre a natureza já ultrapassou a capacidade de regeneração do planeta. Do ponto de vista do aquecimento global, são os países ricos e com maior desenvolvimento industrial que mais emitiram e emitem gases de efeito estufa. Calcula-se que o segmento dos 13% mais abastados da população mundial seja responsável por 50% da emissão de carbono do mundo. Resolver este imbróglio é uma tarefa urgente.

Contudo, a população pobre do mundo e que pouco contribui para o aquecimento global, tem outros impactos não desprezíveis sobre o meio ambiente. Por mais pobre que seja uma população ela precisa de água, comida, lenha e outros consumos básicos.

Por exemplo, a bacia hidrográfica do Rio Nilo, abrangendo uma área de 3.349.000 km², já não dá conta de abastecer as populações dos dez países que, em maior ou menor proporção, dependem de suas águas. A população conjunta de Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quênia, República Democrática do Congo, Burundi, Sudão, Sudão do Sul, Etiópia e Egito era de 84,7 milhões de habitantes em 1950, passou para 411,4 milhões em 2010, e deve chegar a 877,2 milhões em 2050 e 1,3 bilhão de habitantes em 2100, segundo dados da divisão de população das Nações Unidas.

Os problemas de fome, perda de biodiversidade e pobreza humana e ambiental são cada vez mais graves na região. A capacidade de carga da bacia hidrográfica do Rio Nilo já não está suportando a população atual. Já existem diversos conflitos pela disputa da água entre os povos e os países. Também já existem multidões de deslocados ambientais e ecorrefugiados decorrentes da deterioração das condições do solo, da seca, do desmatamento e das mudanças climáticas.

Por outro lado, a China, com 1,35 bilhão de habitantes, está conseguindo retirar milhões de pessoas das situações de pobreza, embora enfrente, ao mesmo tempo, os problemas de falta de água, de desertificação, de poluição e de aumento acelerado da pegada ecológica. Para minorar este problema, o governo adota uma política autoritária de “filho único” e o país deve perder entre 500 milhões e 600 milhões de habitantes entre 2030 e 2100.

Os demais povos querem emular a estratégia chinesa de produção em massa de bens e serviços, mas num quadro de crescimento da população como no Egito, Etiópia, Sudão, etc. Atualmente, mesmo que haja distribuição igualitária da renda e do consumo, em termos internacionais, a pegada ecológica já ultrapassou o uso de um planeta. Estamos consumindo mais de um planeta. Portanto, o mundo já sente as consequências do “sucesso” chinês e da busca desesperada das economias dos países em desenvolvimento em busca dos mesmos padrões de vida dos países desenvolvidos.

O fato é que o incremento do consumo, de um lado, e o aumento da população, de outro, estão contribuindo, mesmo que de forma diferenciada, para uma rápida degradação ambiental. Não existe consumo sem população e nem população sem consumo. Crescimento econômico e populacional ilimitado é uma equação impossível em um planeta finito.

Por tudo isto, a próxima Conferência da ONU para o Meio Ambiente, a Rio+20, precisa lidar com uma agenda para o decrescimento da pegada ecológica, estabelecendo ações para reduzir o impacto do consumo humano sobre a natureza, mas sem omitir medidas que viabilizem, democraticamente, a estabilização da população mundial em um futuro próximo. A necessidade de uma mudança de rumo é urgente.

* José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence/IBGE), e apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Fonte: EcoDebate

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Reservas particulares: aliadas da biodiversidade


Proteger a biodiversidade é responsabilidade dos líderes do Brasil, mas o governo, sozinho, dificilmente será capaz de criar em curto e médio prazos tantas unidades de conservação (UCs) quanto o país precisa para manter parcelas significativas de seus principais ecossistemas e biomas. A participação da iniciativa privada é, portanto, fundamental para reforçar as ações públicas, e isso pode ser feito por meio do estabelecimento de UCs privadas, as chamadas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).

Essas reservas, que ainda são pouco conhecidas pela população, precisam ser mais valorizadas, principalmente porque poderão ter sua importância duplicada: se as mudanças no Código Florestal forem aprovadas, as RPPNs se tornarão um dos poucos redutos privados de natureza conservada.
Existem no Brasil 1.062 reservas particulares reconhecidas pelos órgãos federal, estaduais e municipais. Elas estão distribuídas por todos os biomas brasileiros e protegem mais de 690 mil hectares. As RPPNs, em área, representam 0,5% dos 136,8 milhões de hectares das demais 846 UCs (310 federais, 503 estaduais e 81 municipais) e 1,34% das UCs de proteção integral.

A comparação mostra que as RPPNs são muitas, mas que também têm tamanho reduzido. Por isso, elas ganham mais relevância no contexto nacional quando estão estrategicamente localizadas nas imediações de outras UCs, pois, assim, contribuem na formação de corredores de vegetação que mantêm ciclos e fluxos naturais dos ecossistemas – por exemplo, servem de abrigo e pontos de passagem de animais silvestres.

Esse corredor será ainda mais efetivo se as diversas UCs não estiverem separadas por imensas áreas desprovidas de vegetação ou por fragmentos florestais isolados, mas sim se as áreas protegidas estabelecidas pelo Código Florestal – a área de preservação permanente (APP) e a reserva legal (RL) – formarem um elo entre elas. No melhor dos cenários, em que a lei é cumprida e há um planejamento da paisagem, cada propriedade tem sua APP conectada com a reserva legal; e, esta RL é limítrofe às das propriedades vizinhas. Forma-se, então, uma grande área de vegetação nativa que se conecta às UCs. Esta é a complementaridade almejada para o sistema nacional de áreas protegidas: os esforços públicos e privados integrados na proteção dos ciclos naturais.

No entanto, colocar em prática essa agregação entre UCs públicas, RPPNs e áreas protegidas (APP e RL) depende de empenho para superar os problemas existentes. Uma lacuna é a deficiência de gestão das UCs públicas. Por mais que alguns órgãos ambientais se esforcem, a criação e manutenção dessas unidades ainda deixa a desejar, pois, há anos, o governo federal carece de uma estratégia integrada de conservação. Isso somente será superado se houver priorização das políticas públicas ambientais sobre as políticas econômicas que visam ao desenvolvimento a qualquer custo.

Outro ponto de atenção é o Código Florestal, que está passando por uma revisão por meio de projeto em tramitação no Congresso Nacional que altera alguns de seus artigos. Se aprovada da forma como está, a flexibilização do Código permitirá novos desmatamentos de APP e RL, o que torna ainda mais necessária a existência de políticas e ferramentas que incentivem a conservação em terras privadas, incluindo o estabelecimento de novas RPPNs.

Um passo importante neste sentido foi a elaboração de um projeto de lei na Câmara dos Deputados para estabelecer o dia 31 de janeiro como o marco legal de comemoração das reservas privadas. Mais que celebrar o Dia Nacional das RPPNs, espera-se que a data e o próprio projeto de lei sejam pontos de partida para a divulgação em massa dos benefícios dessas UCs e também para discussão sobre incentivos que estimulem a criação dessas áreas e que possibilitem a qualidade na sua implementação.
Por exemplo, os proprieários de RPPN podem e devem receber mais do que a atual isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) e ser priorizados em outras políticas públicas de concessão de crédito, de incentivo à infraestrutura, educação e turismo, e de estímulo a negócios verdes. Outra alternativa é a aplicação dos mecanismos de pagamento por serviços ambientais (PSA), que recompensam proprietários pelos serviços ambientais – como a produção de água – que suas florestas protegidas geram à sociedade. Já existem modelos de PSA bem-sucedidos sendo adotados no Brasil, mas eles ainda podem ter uma atuação mais estratégica com vistas a resultados de longo prazo, com a criação de modelos de PSA que recompensem os proprietários que já mantêm reservas privadas no entorno de outras UCs, ou, ainda, modelos que tenham o PSA como propulsor para criação de RPPNs.

É preciso sim que as RPPNs ganhem importância no cenário nacional, mas a expectativa é que isso ocorra porque há estímulos para isso e porque a sociedade está conscientizada de que vale a penas conservar, e não pela perda de outras áreas protegidas em propriedades particulares.

Nunca é demais ressaltar que somos dependentes de diversos serviços derivados do bom funcionamento dos ecossistemas, como a provisão de água e alimentos, e que as áreas protegidas contribuem de forma efetiva para enfrentar um dos grandes desafios contemporâneos: as mudanças climáticas, que são decorrentes também da emissão de gases de efeito estufa decorrentes da degradação de ecossistemas naturais.

* Malu Nunes é engenheira florestal, mestre em Conservação da Natureza e diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Fonte: Envolverde

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Pensar com a própria cabeça: educação e pensamento crítico na América Latina


As sociedades latino-americanas devem se reinventar constantemente sempre que cada experiência de surgimento de liberdade seja seguida de golpes dos velhos e novos conquistadores.

Simón Rodríguez, o admirável mestre de todos nós que acompanhou Simón Bolívar em seu périplo, passou toda sua vida imaginando, desenhando e construindo os fundamentos de uma proposta educacional a partir da explosão da criatividade de nossos povos, a qual só pode ser explicada pelo irrenunciável desejo de liberdade perante a contínua opressão (Rodríguez, 1975). Consideremos que, se o colonialismo produz impotência e dissabor, seu efeito mais perverso é induzir o conquistado a se conformar diante do fato de que sua liberdade tenha sido cerceada, talvez para sempre, e que para continuar existindo deve inevitavelmente se dar por vencido, aceitando e repetindo aquilo que seus opressores lhe impõem. A sequência dramática é tão atroz que o conquistado acaba considerando o pensamento imposto como se fosse o seu e a obstrução de sua liberdade como parte do caminho que o levará ao aprimoramento de sua vida.


Retroceder esses passos, rompendo com esses tortuosos vínculos, para muitas pessoas pode parecer um salto no escuro, uma aventura sem destino, uma espécie de suicídio intelectual e moral. Entretanto, nenhuma geração humana pode renunciar ao seu direito de criar, de imaginar e projetar sua própria vida, sob o risco de transformar-se em um reprodutor conformista de tudo o que em verdade lhe produz um autêntico mal-estar cultural: a frustração, o desenraizamento, a perda de objetivos e o esquecimento dos sonhos – um problema do qual padecem muitos jovens em nossas doídas sociedades ainda no dia de hoje. Todos esses males não têm outra origem nem outra razão de ser além da ruptura dos vínculos com nossa realidade; uma realidade de sociedades oprimidas, empobrecidas, construídas sobre a desigualdade, a exclusão e o esquecimento, mas que também possuem a energia, a vontade e a esperança de serem capazes de remontar sua odiosa condição de submissão.


Nossa aposta, portanto, não pode ser mais irracional do que aquilo que nos impuseram os conquistadores: “inventamos ou erramos”, disse muito bem Simón Rodríguez, afirmando que o único caminho possível para nós é o que decidamos construir entre todos a partir de nossa própria experiência, de nossas próprias perguntas, de nossas necessidades e sonhos. Precisamos ser os mais radicais possíveis, isto é, capazes de desentranhar, sem medo ou falsas suposições, as raízes dos nossos problemas e o modo em que poderemos nos empenhar a remontá-los, com as forças e a capacidade de que disponhamos em cada época. Precisamos aprender a olhar uns aos outros com outros olhos, nossos olhos, para refazer o amor por nossa terra, por nossos saberes, pela cor e pelo cheiro da nossa pele. As sociedades latino-americanas devem se reinventar constantemente sempre que cada experiência de surgimento de liberdade seja seguida de golpes dos velhos e novos conquistadores. Principalmente – e talvez esta seja a condição mais dramática que enfrentamos – nossas sociedades devem se proteger do fato de que a memória perversa da opressão as chame para regressar a ela como lugar seguro, apesar de toda dor que produz. Lembro-me muito bem das frases de Norbert Lechner, que, no contexto da ditadura pinochetista, afirmava que não havia outra sociedade que a sociedade possível, que não cabia outra imaginação além daquela indicada por quem se sentia cansado dos extremos, que somente o reconhecimento da necessidade de segurança, de tranquilidade, de proteção, de ordem, podia ser a garantia de uma sociedade harmoniosamente moderna (Lechner, 1986). Descanse em paz este pensador e vida longa aos jovens chilenos que nos devolveram a esperança com sua teimosia em resistir ao colonialismo contemporâneo, com sua cruel pilhagem e sua opressão sobre a educação.


A Reforma Educacional Neoliberal: A história que vivemos e pouco vimos

Assim como os chilenos, o que todos nós latino-americanos precisamos é voltar ao momento em que as baionetas e os uniformes verdes substituíram a inteligência no país de Neruda, De Rokha, Violeta Parra e Salvador Allende. Devemos à pesquisadora Marcela Gajardo a recuperação das abomináveis circulares da Junta Militar, quando impôs um Comando de Institutos Militares, cujos delegados seriam responsáveis por:

garantir que as atividades educativas e anexas (…) sejam realizadas em todos os níveis do sistema escolar (…) com uma sujeição estrita aos postulados preconizados pela H. Junta de Governo; obedecendo fielmente às diretrizes emanadas do Ministério de Educação; observada a mais estrita disciplina e justiça; entregando-se exclusiva e totalmente a trabalhos puramente profissionais com complexa exclusão do proselitismo político ou de ações obscuras de grupos ideológicos (…).

Esta circular, emitida em agosto de 1974, forçava os diretores das escolas, sob pena de destituição imediata de seus cargos, a informar a seus superiores quando acontecessem casos nos quais os docentes, seus auxiliares ou trabalhadores administrativos da educação emitissem “comentários políticos, difusão de comentários mal intencionados sobre as atividades de governo, difusão de piadas ou histórias estranhas relacionadas à gestão da Junta, (…) distorção dos conceitos ou valores patrióticos, distorção das ideias contidas nos textos de estudo (…)”, etc. (Gajardo, 1982). A reforma da educação no Chile foi realizada no contexto de uma brutal repressão ao povo chileno, repressão esta que deixou uma parte significativa de vítimas entre os estudantes e suas famílias e os docentes e trabalhadores organizados, cuja influência acreditava-se ser ampla e completamente contrária aos fins da ditadura (Sosa, 2010).


Diferentemente do que muitos pedagogos supõem, não foram os Chicago Boys que introduziram o modelo neoliberal no Chile, mas sim a necessidade de suprimir toda a memória e experiência organizacional independente; foi o feroz empreendimento de subordinar completamente as consciências das chilenas e chilenos que abriu caminho para as concepções empresariais que hoje recebem seu primeiro grande golpe no país em que foram fundadas (Vázquez, 2010). Seguindo a lógica burguesa que bem descreveu Marx em O Manifesto Comunista, a Junta Militar e seus aliados internacionais se empenharam para – e em grande medida conseguiram – fazer com que tudo o que era sólido se dissolvesse no ar, isto é, que uma prolongada tradição democrática e de desenvolvimento da inteligência criativa e autônoma das organizações civis e sociais, dos colégios e universidades, sindicados e partidos, intelectuais, acadêmicos e artistas, fosse dissolvida no ácido da perseguição, da queima de livros, da morte, do desalojamento e do refúgio de centenas de milhares de pessoas.


Meus amigos e mestres queridos Agustín Cueva, René Zavaleta, Ruy Mauro Marini, Theotonio dos Santos, Eduardo Ruiz Contardo, Carlos Morales Oyarzún, Hugo Zemelman, entre muitíssimos outros, beberam nesse recipiente do conhecimento que foi o Chile da Unidade Popular, e acredito que nunca deixariam de refletir sobre os desastrosos efeitos produzidos por sua destruição.


Surpreendentemente, o que foi difícil de perceber a partir dos espaços de nossas universidades foi o verdadeiro alcance do processo de colonização mental que ocorreu a partir da imposição do esquema neoliberal em nosso subcontinente. Isto se explica em grande medida por duas razões: a primeira, obviamente, é que praticamente todas as nossas universidades foram objeto de perseguição, tiveram seus professores e seus estudantes perseguidos, presos ou assassinados, tendo o desenvolvimento do pensamento crítico violentamente suspenso em seus centros de pesquisa e salas de aula.


Além disso, a falta de visão do que ocorria na educação como um todo também se deve ao fato de que foram precisamente nossas universidades as que receberam o primeiro e mais definitivo golpe da reforma educacional, com a imposição da linguagem empresarial ou mais precisamente bancária (não no sentido de Paulo Freire, mas no sentido do Banco Mundial), o qual posteriormente se generalizaria em todas as instituições sociais, da educação à saúde, do funcionamento da economia aos meios de comunicação. Foi em nossas universidades que começou a ser utilizada a linguagem das competições, da certificação, da busca pela excelência, do estabelecimento de índices de desempenho, da avaliação de acordo com parâmetros internacionais e dos estímulos à produtividade (De Moura e Levy, 1997).


Praticamente todas as nossas universidades aceitaram e incorporaram, a partir de meados dos anos 1980, as orientações e instrumentos de avaliação cuja aplicação se tornou condição para concessão de empréstimos que o Banco Mundial ofereceu para superar o desastre da redução generalizada dos orçamentos públicos, após o ajuste estrutural dos anos 1980. Estes instrumentos se transformariam nos fundamentos de uma nova concepção da vida pública e, de maneira central, da educação (De Wit, Jaramillo et al, 2010; Thorn e Soo, 2006). Não podemos deixar de insistir em que, tal e qual a orgulhosa cidade da Nova Espanha foi construída sobre as ruínas do Templo Maior dos mexicas em Tenochtitlan, os neoliberais primeiro destruíram, mas logo se empenharam em surgir como os únicos capazes de controlar e dirigir as consciências de todos nós, com a anuência e a subordinação sem limites daqueles que ficaram encarregados de nossas instituições públicas: os novos conquistados pela religião da competitividade. Os fanáticos religiosos da nova evangelização neoliberal seriam as autoridades de nossas universidades e centenas de colegas de todas as áreas do conhecimento, ungidos como professores de excelência e encarregados de avaliar e, dentro do possível, suprimir as marcas de um pensamento crítico. Durante os anos 1990 e boa parte da década passada, poucas instituições aceitaram editar e promover os trabalhos de autores qualificados como ideologizados, de escassa projeção internacional, ou cuja produtividade fosse julgada como insuficiente, particularmente porque dão conferências, participam de eventos ou ainda editam suas obras em âmbitos não arbitrados.


Um olhar para o futuro

Os neoliberais introduziram em nossa região uma estratégia de controle e coerção que consiste no abuso sistemático dos meios de comunicação para socializar suas posturas com relação a todos os assuntos da vida pública, juntamente com o desenvolvimento das forças da ordem para atemorizar e conter as populações que manifestem críticas ao fato de que alguns poucos tenham se apropriado do direito de todos de decidir sobre os assuntos vitais de seu país.


Temos também todos os elementos para afirmar que um dos pontos de destaque da chamada reforma educacional foi a eliminação de conteúdos e práticas que tinham a tendência a estimular nos estudantes a imaginação, a memória, a criatividade. Com exceção dos casos de Cuba e Venezuela, em todo o restante da América Latina a reforma impôs como eixos a supressão da capacidade de localização histórica e geográfica, assim como a eliminação do reconhecimento das peculiaridades culturais e da identidade de nossos povos, a partir da escola. Isto, obviamente, no contexto do estabelecimento de um sistema de controle-subordinação que garantisse a repetição de lemas, a execução de ordens e a identificação dos estudantes com a busca da conquista individual, a aceitação das regras do mercado, o conformismo e o desmemoriamento.


Acredito que para avaliar os danos causados à nossa capacidade de pensar, deveríamos começar estabelecendo um índice de desaprendizagem, o que significaria compreender os limites da repressão da identidade, da memória, da vontade, do projeto de futuro nos alunos formados pelo sistema educacional nas gerações do neoliberalismo. Durante estes anos, algo muito profundo se perdeu de forma acelerada e acredito que é o momento de começarmos a processar a reversão dessa perda, pois, ao não fazê-lo, corremos o grave risco de que em alguns anos fiquemos sem instrumentos de conhecimento que nos permitam lançar mão de nossas reservas estratégicas para salvar nossos saberes tradicionais, os princípios e valores sobre os quais se fundou a existência de comunidades e povos, o uso não destrutivo dos recursos naturais, sociais e estratégicos de nossos países.


Portanto, temos uma dívida com nossa memória, que é desenterrar o esquecimento e poder reconstruir, passo a passo, as nossas necessidades que podem novamente dar sentido aos atos de nossa vida.


Precisamos poder voltar a nomear tudo, transformando os conceitos e categorias impostos nestes negros anos em referências secundárias e armazenando a enorme tradição intelectual e cultural que fez da América Latina a região de maior riqueza histórica viva do mundo. Temos de nos lembrar de nossos mortos e de nossos vivos, sujeitos presentes nessa longa luta por sermos nós mesmos, que herdamos e da qual fazemos parte. Precisamos ser capazes de transformar nossas bibliotecas, nossas casas e as casas de todas as famílias de nossa região em espaços de restauração de uma identidade da qual só vimos pedaços nos olhos de nossos conquistadores. É absolutamente indispensável que iniciemos uma nova e mais profunda etapa de revolução de independência e de reconquista de nossa soberania, que não é outra coisa senão nosso poder de decidir, nos mais mínimos detalhes, como queremos viver. Pensar com a própria cabeça é o começo de olhar o mundo e ter a valentia de recusar a existência de um pensamento único, da falsa religião do mercado, do comércio da morte. Pensar com um pensamento crítico deve nos levar a saber que é possível transformar nossas cabeças e nosso horizonte, confiando que as soluções que propusermos serão certamente melhores do que as que nos obrigaram a aceitar. A liberdade terá seus custos e suas consequências, mas seus caminhos se iluminam com a felicidade que sentiremos por não termos de viver à sombra de nós mesmos. Estas formosas terras e nós, os seres humanos que nelas habitamos, merecemos dar um espaço à alegria e à esperança verdadeiras.

* Raquel Sosa Elízaga é doutora em história, latino-americanista e socióloga. Professora pesquisadora do Centro de Estudos Latino-Americanos da UNAM desde 1976. Autora de Hacia la recuperación de la soberanía educativa en América Latina.

Fonte: Revista Fórum

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A soberania alimentar e seus desafios


As monoculturas em larga escala para a produção de alimentos foram introduzidas, acompanhadas pelos “pacotes tecnológicos” da “revolução verde” que, ao longo dos anos, têm envenenado e empobrecido a biodiversidade. Isto tem afetado em especial as mulheres, por elas, em muitas comunidades ao redor do mundo, serem as principais responsáveis por cuidar da saúde, do abastecimento de água e da produção de alimentos, atividades muito atreladas à conservação da biodiversidade.

Enquanto muito da diversidade foi perdida, foram introduzidas e avançaram monoculturas geneticamente modificadas, como a soja, milho, eucalipto, etc., aprofundando os impactos sobre a biodiversidade. Nas suas definições, organismos oficiais, como a FAO, apoiam e fortalecem o modelo monocultural, chamando, por exemplo, uma monocultura de eucalipto transgênica de “floresta” e, com isso, desconsiderando por completo a biodiversidade imensa de uma verdadeira floresta.

O modelo de monoculturas em larga escala tem sempre alegado a sua suposta “produtividade” que, no entanto, não conseguiu evitar que cerca de um bilhão de pessoas no mundo continuem passando fome. Vale esclarecer que esta “produtividade” está sendo contestada seriamente, inclusive pela ciência. O mais longo estudo nos Estados Unidos sobre o assunto comprovou que a agricultura sem insumos químicos é muito superior ao modelo convencional em termos de colheita e viabilidade(1). E mais: é fato que os camponeses, mesmo com todas as pressões vividas, continuam responsáveis pela produção da maior parte da comida consumida pela população mundial.

E foram justamente camponeses e camponesas, organizados na Via Campesina, que no início da década de 1990, desenvolveram o conceito de soberania alimentar. Este é um conceito amplo, que engloba enfoques especiais para enfrentar e estimular alternativas às políticas neoliberais que sustentam o paradigma de desenvolvimento dominante, fundamentado no comércio agrícola internacional liberalizado, na segurança alimentar baseada no comércio e produção industrial agrícola e de alimentos. Essas políticas, canalizadas em grande medida pelo “marco” internacional dado pela Organização Mundial do Comércio, pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Mundial e demais organismos da política econômico-financeira internacional, têm sido responsáveis, dentre outras coisas, pela contínua expulsão de camponesas e camponeses de suas terras. Também têm sido responsáveis pelo crescente controle de algumas empresas transnacionais sobre a cadeia produtiva, da produção das sementes até a venda dos grãos, o que tem provocado uma redução da soberania alimentar.

Dentro dessa mesma lógica, há algumas décadas, está em curso um processo de apropriação e privatização de sementes no mundo por poucas empresas transnacionais ocidentais, o que se chama “patenteamento”. Hoje em dia, muitos camponeses se veem obrigados a comprar sementes, pagando royalties às empresas “donas” das mesmas, que enriquecem enquanto os camponeses perdem sua autonomia para reproduzir a vida na terra. E para as empresas é estratégico ter o controle sobre todas as sementes para continuar a garantir o fornecimento para os agricultores.

Mais recentemente, surgiu o conceito dos chamados “serviços ambientais”, para os quais elementos da biodiversidade como a água, a regulação do clima e a conservação do solo passam a ser comercializados, até mesmo nas bolsas de valores, abrindo margem para a “especulação com a natureza”. O fato é que seu valor necessariamente vai depender da oferta, o que resulta na lógica perversa de quanto mais destruição, mais poderá render um “serviço ambiental”. E tudo isto é chamado de “economia verde”.

O que significa isso para as populações locais e, sobretudo, para a biodiversidade e a soberania alimentar? Significa mais pressão sobre os recursos naturais, sobre a biodiversidade, das quais essas populações dependem, o que resultará em mais expulsão de milhares de pessoas. E se, por acaso, sua permanência for aceita, a população não poderá mais interferir nos recursos, na biodiversidade. Isto é um desrespeito à sua cultura e reduz a soberania alimentar quando, por exemplo, elas são proibidas de fazer suas roças de subsistência, o que já está ocorrendo em diversas partes do mundo. Com isso, perdem controle sobre o território, perdem sua autonomia.

Por isso, é muito importante que as comunidades hoje em dia busquem entender plenamente as propostas chamadas “verdes” que são feitas a elas, desde o mecanismo de carbono florestal – REDD+ –, até a venda de serviços ambientais. Geralmente, são apresentadas como coisas boas que beneficiariam a comunidade e melhorariam o meio ambiente. Na realidade, são mecanismos que, por sua própria lógica, tendem a piorar o meio ambiente global, e pelo controle que querem exercer sobre o território das populações indígenas, tradicionais e rurais, afetarão profundamente a soberania alimentar de milhões de pessoas no mundo que querem conservar seus modos de vida.

Fonte: Outras Palavras

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Programação de verão do Teatro Popular continua no final de semana


Dando continuidade às atrações culturais da alta temporada na cidade, a programação de Verão da Fundação Rio das Ostras de Cultura segue no Teatro Popular de sexta-feira a domingo. No dia 20, sexta, o público confere as apresentações do musical Broadway – Momentos. Dias 21 e 22, sábado e domingo, é a vez da peça Alonso Quixano, baseada no romance “O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha”, de Miguel de Cervantes.

O musical Broadway – Momentos é apresentado nas vozes de Natália Benites, Felipe Viana e Luís Cláudio Lorenz, alunos e professor do Centro de Formação Artística de Música, Dança e Teatro que sobem ao palco para um show que irá encantar a todos Dom Quixote

A peça Alonso Quixano estreia no sábado, dia 21, e continua no domingo, dia 22, sempre a partir das 20h. O espetáculo narra a história de Dom Quixote e suas aventuras fantasiosas ao lado de seu fiel escudeiro Sancho Pança, em uma sátira aos romances de cavalaria, tão populares, mas decadentes no início do século XVII.

O projeto é uma parceria entre a “Cia. Pegasus de Teatro” e o “Grupo de Pesquisa Teatral Além da Onda” (formado por alunos do Centro de Formação Artística de Rio das Ostras).

A proposta é explorar algo além das aventuras de Quixote, desvendando a psique de Alonso Quixano, pois, de tão fascinado pela leitura dos romances de cavalaria, acabou por pensar ser um Cavaleiro Andante. Os personagens se multiplicam em cena, Alonso Quixano se transforma em Dom Quixote, e os outros três integrantes da casa vão se tornando os outros personagens do sonho do velho fidalgo. A ama de Alonso, sua sobrinha Antônia, e mais um menino agregado, embarcam na viagem do mesmo para vencê-lo e resgatá-lo de sua fantasia.

Todos os sonhos do protagonista são construídos e desconstruídos dentro do seu quarto, dando novos significados às coisas compostas no cenário, além de contar com a presença de bonecos em cena que contribuem para um imaginário lúdico. Apesar do drama vivido pelo protagonista, por conta de suas delirantes posturas, o belo se manifesta em toda a trama, pois os sonhos e os devaneios são apresentados como a força que impulsiona o ser humano em sua busca pela felicidade.



Serviço:

BROADWAY- MOMENTOS
Sexta-feira, dia 20, às 20h
Ingressos: R$15 e R$7

ALONSO QUIXANO (DOM QUIXOTE)
Dias 21 e 22 às 20h
Ingressos: R$20 R$10 meia/antecipado

O Teatro Popular fica na Avenida Amazonas, s/n – Centro
Fonte: Secom

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Cidades Verdes


Será realizada nos dias 26 e 27 de janeiro de 2012, no auditório da FIRJAN ( Av. Graça Aranha, 01/ 2º andar) , a 2ª Conferência Cidades Verdes , este ano enfocando dois temas: “Grandes Eventos, Legado e Sustentabilidade” e “Prevenindo e Remediando Catástrofes na Era do Aquecimento Global”.

Realizada pelo Instituto OndAzul, a Conferência é patrocinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, com apoio da Firjan, MetrôRio e da empresa Carvalho Hosken. O prefeito Eduardo Paes fará a abertura.

A Conferência Cidades Verdes está sendo realizada pela segunda vez e contará com palestras e debates de especialistas em diversos setores da sustentabilidade, como por exemplo, o Deputado Federal Alfredo Sirkis, Presidente da Subcomissão Rio +20, Luiz Fernando Pezão, Vice-Governador e Coordenador dos Projetos de Obras de Infraestrutura do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Besserman, Presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura, Eduardo Jorge, Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente da cidade de São Paulo e Dan Epstein, Diretor de Sustentabilidade e Regeneração Urbana dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, entre outros nomes da maior relevância.



INSTITUTO ONDAZUL

O OndAzul foi criada em outubro de 1990, por Gilberto Gil em conjunto com um grupo de ambientalistas comprometidos com a preservação das águas.

Hoje, após completar vinte e um anos, o OndAzul percorreu diversos caminhos, avançando em várias frentes e liderando lutas em defesa das praias e de outros ambientes aquáticos.

Os esforços realizados durante esse período permitiram a realização de diversas ações voltadas para a construção de sociedades ambientalmente sustentáveis, através da realização de projetos de recuperação de áreas degradadas, e da mobilização de comunidades em torno das questões que envolvem resíduos sólidos, gestão comunitária, proteção de mares e mananciais de águas doces, em conjunto com o estimulo a ações que visem à preservação de patrimônios culturais.

Entre os principais projetos realizados pelo Instituto OndAzul podemos destacar o Recult, pioneiro trabalho de reciclagem de garrfas PET na comunidade de Vigário Geral e o Projeto Mangue Vivo, ainda em andamento, que já reflorestou cerca de 15 hectares da vegetação nativa às margens da poluída Baía de Guanabara.

Durante o evento será lançado o novo site do Instituto OndAzul mais interativo e com maior conteúdo para pesquisas.



PROGRAMA

Conferência Cidades Verdes II – Grandes eventos, legado e sustentabilidade.

Data: 26.01. 2012
Local: Centro de Convenções da FIRJAN Av. Graça Aranha, 01 / 2º andar

08:00 / 08:30 – credenciamento e café da manhã

08:30 / 09:15 – Mesa de Abertura:

Alfredo Sirkis – Deputado Federal (PV) e Presidente da Subcomissão Rio + 20.

Márcio Fortes – Presidente da Autoridade Pública Olímpica

Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira – Presidente da FIRJAN (a confirmar)

Eduardo Paes – Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro


09:15 – 10:15 – Mesa 1 – Um balanço da Rio 92 e dos Jogos Pan Americanos

Coordenação: Sérgio Besserman – Presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

Samyra Crespo – Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente.

Ruy César – Secretário Especial do Gabinete do Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro

Alfredo Sirkis – Deputado Federal (PV) e Presidente da Subcomissão Rio + 20.


10:15 –10:45 – debate

10:45 / 12:00 – Mesa 2 – Estudos de caso internacionais

Coordenação: Alfredo Sirkis – Deputado Federal (PV) e Presidente da Subcomissão Rio + 20.

Susan Brownell (China)) – Ph.D. pela Universidade da Califórnia, é especialista sobre esportes na China.

Josep Pinos (Barcelona) – Professor Associado de Urbanismo e Projetos da Universidade Politécnica da Catalunha.

Andrew Boraine (Cidade do Cabo) – Diretor Executivo da Parceria da Cidade do Cabo.

Jeb Brugman – Sócio Gerente da The Next Practice e Consultor Estratégico Sênior do ICLEI Governos Locais pela Sustentabilidade.


12:00 – 12:45 – debate

12:45 / 13:45 – intervalo p/ almoço

13:45 / 14:45 – Mesa 3 – Relação entre o supra nacional, o nacional e o local na organização dos Jogos.

Coordenação: Ricardo Neves – consultor de estratégia junto a empresas e organizações de desenvolviment(Banco Mundial, PNUD, Banco Interamericano).

Dan Epstein (Londres) Diretor de Sustentabilidade e Regeneração Urbana dos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

Maria Sílvia Bastos – Presidente da Empresa Olímpica Municipal

Henrique Meirelles – Presidente do Conselho Público Olímpico.


14:45 / 15:15 – debate

15:15 / 16:30 – Mesa 4 – Como vamos até agora em termos de sustentabilidade?

Coordenação: Carlos Alberto Muniz – Vice-Prefeito e Secretário Municipal de Meio Ambiente da Cidade do Rio de Janeiro

Carlos Vainer – Professor Titular do IPPUR/UFRJ.

Claudio Langone – Coordenador da Câmara Temática de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014 do Ministério do Esporte.

Roberto Ainbinder – Diretor de Projetos da Empresa Olímpica Municipal.


16:30 – 17:00 – debate

17:00 / 17:30 – encerramento e considerações

17:30 / 18:00 – café
Conferência Cidades Verdes III – Prevenindo e remediando catástrofes na era do aquecimento global


Dia 27.01.2012

Local: Auditório da FIRJAN – Av. Graça Aranha, 01 / 2º andar.

08:00 / 08:30 – credenciamento e café da manhã

08:30 / 09:00 – Mesa de Abertura
Alfredo Sirkis – Deputado Federal PV e Presidente da Subcomissão Rio + 20.
Marilene Ramos – Presidente do INEA Instituto Estadual do Ambiente.
Luiz Fernando Pezão – Vice-Governador e Coordenador Executivo dos Projetos e Obras de InfraestruturadoEstado do Rio de Janeiro.


09:00 / 10:45 – Mesa 1 – O Rio de Janeiro e o aquecimento global
Coordenação: André Trigueiro – jornalista e professor da Puc-Rio.
Prof. Emílio La Rovere – Coordenador do LIMA – Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente da UFRJ.

Aspásia Camargo – Deputada Estadual (PV).
Sérgio Besserman – Presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura
Marilene Ramos – Presidente do INEA Instituto Estadual do Ambiente.

10:45 / 11:00 – debate

11:00 / 12:00 – Mesa 2 – Friburgo e Teresópolis, reconstrução e prevenção
Coordenação: Amélia Gonzalez – Jornalista, editora do caderno Razão Social do Jornal O Globo
Leila Soraya Menezes – Coordenadora do Projeto “Mudanças climáticas e respostas a desastres” da CARE-Brasil.

Vinicius Leal Cavalleiro – Promotor de Justiça e Coordenador-Geral do 6º Centro de Apoio Operacional do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

12:00 / 12:30 debate

12:30 / 13:30 – intervalo para almoço
13:30 / 14:30 – Mesa 3 – Uma nova defesa civil

Coordenação: Paulo Messina – Vereador (PV)

Maria Nazareth Solino – Membro do Grupo de Estudos em Redução de Desastres do Instituto Brasileiro de Petróleo e colaboradora da Defesa Civil Municipal e Estadual do Rio de Janeiro.

Marcelo Tilio – Coordenador de Projetos da Tecgraf da PUC-Rio.
Glauber Braga – Advogado e Deputado Federal (PSB/RJ).

14:30 / 15:30 – debate

15:30 / 16:45 – Mesa 4 – Um urbanismo da era de aquecimento global

Coordenação: Thais Corral – Coordenadora Geral da Redeh

Jeb Brugman – Sócio Gerente da The Next Practice e Consultor Estratégico Sênior do ICLEI Governos Locais pela Sustentabilidade.

Eduardo Jorge – Secretário Municipal da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Cidade de São Paulo.

Felipe Peixoto – Secretário Estadual de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca.

Alfredo Sirkis – Deputado Federal (PV) e Presidente da Subcomissão Rio + 20.

16:45 – 17:15 – Debate

17:15 / 17:30 – encerramento e considerações

17:30 – 18:00 – Café


MAIS INFORMAÇÕES E ENTREVISTAS COM OS PARTICIPANTES E/OU ORGANIZADORES DA CONFERÊNCIA COM ELIZABETH CAMARÃO, PELOS TELEFONES 21.2521.3249 E 9124.1172



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CONAE Publicado cronograma das conferências estaduais da Conae A etapa estadual será realizada em todas as unidades da Federação. As datas estão disponíveis na página da Conae 2024

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