quinta-feira, 8 de setembro de 2011

EDUCAR PARA A CELEBRAÇÃO DA VIDA E DA TERRA

Por Leonardo Boff

Dada a crise generalizada que vivemos atualmente, toda e qualquer educação deve incluir o cuidado para com tudo o que existe e vive. Sem o cuidado, não garantiremos uma sustentabilidade que permita o planeta manter sua vitalidade, os ecossistemas, seu equilíbrio e a nossa civilização, seu futuro.

Somos educados para o pensamento crítico e criativo, visando uma profissão e um bom nível de vida, mas nos olvidamos de educar para a responsabilidade e o cuidado para com o futuro comum da Terra e da Humanidade. Uma educação que não incluir o cuidado se mostra alienada e até irresponsável. Os analistas mais sérios da pegada ecológica da Terra nos advertem que se não cuidarmos, podemos conhecer catástrofes piores do que aquelas vividas em 2011 no Brasil e no Japão. Para se garantir, a Terra poderá, talvez, ter que reduzir sua biosfera, eliminando espécies e milhões de seres humanos.

Entre tantas excelências, próprias do conceito do cuidado, quero enfatizar duas que interessam à nova educação: a integração do globo terrestre em nosso imaginário cotidiano e o encantamento pelo mistério da existência. Quando contemplamos o planeta Terra a partir do espaço exterior, surge em nós um sentimento de reverência diante de nossa única Casa Comum. Somos inseparáveis da Terra, formamos um todo com ela. Sentimos que devemos amá-la e cuidá-la para que nos possa oferecer tudo o que precisamos para continuar a viver.

A segunda excelência do cuidado como atitude ética e forma de amor é o encantamento que irrompe em nós pela emergência mais espetacular e bela que jamais existiu no mundo que é o milagre, melhor, o mistério da existência de cada pessoa humana individual. Os sistemas, as instituições, as ciências, as técnicas e as escolas não possuem o que cada pessoa humana possui: consciência, amorosidade, cuidado, criatividade, solidariedade, compaixão e sentimento de pertença a um Todo maior que nos sustenta e anima, realidades que constituem o nosso Profundo.

Seguramente não somos o centro do universo. Mas somos aqueles seres, portadores de consciência e de inteligência, pelos quais o próprio Universo se pensa, se conscientiza e se vê a si mesmo em sua esplêndida complexidade e beleza. Somos o universo e a Terra que chegaram a sentir, a pensar, a amar e a venerar. Essa é nossa dignidade que deve ser interiorizada e que deve imbuir cada pessoa da nova era planetária.

Devemos nos sentir orgulhosos de poder desempenhar essa missão para a Terra e para todo o universo. Somente cumprimos com esta missão se cuidarmos de nós mesmos, dos outros e de cada ser que aqui habita.

Talvez poucos expressaram melhor estes nobres sentimentos do que o exímio músico e também poeta Pablo Casals. Num discurso na ONU nos idos dos anos 80 dirigia-se à Assembléia Geral pensando nas crianças como o futuro da nova humanidade. Essa mensagem vale também para todos nós, os adultos. Dizia ele:

A criança precisa saber que ela própria é um milagre, saber, que desde o início do mundo, jamais houve uma criança igual a ela e que, em todo o futuro, jamais aparecerá outra criança como ela. Cada criança é algo único, do início ao final dos tempos. E assim a criança assume uma responsabilidade ao confessar: é verdade, sou um milagre. Sou um milagre do mesmo modo que uma árvore é um milagre.

E sendo um milagre, poderia eu fazer o mal? Não. Pois sou um milagre. Posso dizer Deus ou a Natureza, ou Deus-Natureza. Pouco importa. O que importa é que eu sou um milagre feito por Deus e feito pela Natureza. Poderia eu matar alguém? Não. Não posso. Ou então, um outro ser humano que também é um milagre como eu, poderia ele me matar? Acredito que o que estou dizendo às crianças, pode ajudar a fazer surgir um outro modo de pensar o mundo e a vida. O mundo de hoje é mau; sim, é um mundo mau. E o mundo é mau porque não falamos assim às crianças do jeito que estou falando agora e do jeito que elas precisam que lhes falemos. Então o mundo não terá mais razões para ser mau.
Aqui se revela grande realismo: cada realidade, especialmente, a humana é única e preciosa mas, ao mesmo tempo, vivemos num mundo conflitivo, contraditório e com aspectos terrificantes. Mesmo assim, há que se confiar na força da semente. Ela é cheia de vida. Cada criança que nasce é uma semente de um mundo que pode ser melhor. Por isso, vale ter esperança. Um paciente de um hospital psiquiátrico que visitei, escreveu, em pirografia, numa tabuleta que ma deu de presente:”Sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano”. Nada mais é necessário dizer, pois nestas palavras se encerra todo o sentido de nossa esperança face aos males e às tragédias deste mundo.


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INOVAÇÃO PARA SUSTENTABILIDADE


Os países desenvolvidos e emergentes têm tecnologia para iniciar a virada para a economia verde, ou de baixo carbono. Mas será preciso criar novas tecnologias para completar essa mudança.

O Brasil investe 1% do PIB em inovação, segundo o governo. É pouco. E deve ser menos, porque essas estatísticas sempre usam critérios muito amplos de classificação, sem a precisão necessária a uma boa avaliação de políticas. Incluem investimentos que não são realmente para inovação. Mas o principal é que o Brasil tem numerosas oportunidades que não aproveita. Esse potencial para a inovação voltada para a sustentabilidade nos poria no caminho das áreas quer serão as mais dinâmicas da economia no século 21.

Temos, por exemplo, domínio e liderança da tecnologia de produção de biocombustíveis de primeira geração. Principalmente, um programa muito competitivo e bem sucedido de etanol e motores flex. Uma vantagem que vem sendo anulada por políticas contraditórias para combustíveis, com incentivos na direção errada: favorecem os fósseis e prejudicam os biocombustíveis. Além de correções abrangentes na política energética, o Brasil precisaria investir nas tecnologias e processos para biocombustíveis de segunda geração. Investimentos em inovações nesta área, nos permitiria eventualmente manter a liderança nesse mercado global que vai mudar para a segunda geração ao longo desta década.

Foi em parte isto que Andrew Wykoff, diretor de inovação e tecnologia da OECD disse a Jacilio Saraiva (exige assinatura), do Valor, no 4o Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, em São Paulo. Segundo a matéria, Wykoff disse que “o Brasil não pode pensar numa política de inovação apenas doméstica, mas internacional e investir em áreas onde já tem estratégias definidas como é o caso do etanol”.

É incompreensível que o governo, ao invés de estimular, impeça a comercialização, pesquisa e desenvolvimento de veículos elétricos no país. Esse é o setor que mais crescerá da indústria automotiva neste século e que será dominante no futuro. O Brasil, que teve êxito na experiência de desenvolvimento de motores flex, devia estar investindo e incentivando a busca de melhores soluções para veículos elétricos de todo tipo e para todo uso. Tem preferido bloquear a entrada desse setor.
Como o país não tem uma estratégia para a sustentabilidade, mudança climática e biodiversidade, perde, também, oportunidades em outras áreas, que crescem em muitos países. Há, no momento, intensa movimentação no setor de energia eólica no mercado brasileiro. Com a perspectiva de instalação de várias novas usinas eólicas, empresas produtoras de turbinas estão buscando ocupar o mercado doméstico, inclusive para “desenvolver turbinas específicas para o vento brasileiro”, como disse o diretor de vendas de uma delas, Marcelo Hutschinski a Rafael Rosas do Valor (exige assinatura). Essa especificidade do vento brasileiro já permite, hoje, que a geração eólica tenha no país um fator de capacidade de 40% (relação entre energia potencial e energia firme), pelo que me disseram fontes do setor durante a Brazil WindPower 2011, no Rio. Esse fator de capacidade foi calculado em uma amostra ainda reduzida e tem um viés para tecnologias mais velhas e menos produtivas, porque as usinas mais antigas têm um peso ainda grande em seu cálculo. Ainda assim, já está acima da média no EUA e na Europa, que varia entre 28% e 30% e mesmo na Austrália, que tem ventos menos intermitentes, de 35%. Com a instalação de novas usinas eólicas, com tecnologia atualizada, esse fator aumentará bastante.

A matéria do Valor diz que a competição e a atratividade do investimento em inovação estão sendo alimentados pela perspectiva de termos em funcionamento de 282 usinas até 2014, gerando 7,1 Gw. É muito pouco, perto do nosso potencial de geração em terra de no mínimo 146 Gw. Não temos medições off-shore, mas há algumas pesquisas indicando que pode ser bem maior que o potencial em terra, dada a extensão da costa e as condições muito favoráveis de vento.

Outro setor de energia limpa renovável em crescimento acelerado, no qual o Brasil tem enorme potencial, deveria estar atuando agressivamente e incentivando inovações, mas despreza e bloqueia, é o de energia solar fotovoltaica. Nosso potencial é provavelmente maior que o eólico. A China está investindo em inovação na produção de placas fotovoltaicas de baixo custo. EUA e Europa investem muito na busca de novos materiais para placas fotovoltaicas e novas tecnologias, inclusive nanotecnologias, para geração solar. Aqui, nem usamos essa fonte abundante, o que dizer de incentivos à pesquisa, inovação e desenvolvimento nessa área. A primeira usina solar fotovoltaica no Brasil começa a ser implantada agora.

A maior vantagem no Brasil seria a combinação eólica-fotovoltaica. Fontes do setor me informaram que as usinas eólicas usam apenas 4% da terra que ocupam. A instalação de placas solares permitiria mais que dobrar a produtividade energética do uso da terra. As duas fontes têm muita complementaridade e alguma redundância. Ambas são fonte de muita qualidade no Brasil. O vento no Brasil sopra mais dias por ano, mais horas por dia na intensidade adequada à geração eólica. Tem maior estabilidade (menor intermitência) e sopra na mesma direção a maior parte do tempo. É o mesmo caso com solar: temos insolação mais dias por ano e mais horas por dia, na intensidade suficiente para pleno aproveitamento pelas placas fotovoltaicas. Deveriam ser prioridade em nossa política de inovação pesquisa e desenvolvimento.

A biodiversidade brasileira no que resta de Mata Atlântica, no Cerrado e na
Amazônia tem extraordinário potencial para inovação, pesquisa e desenvolvimento. Ela é capaz de sustentar uma grande e diversificada cadeia bioindustrial e biotecnológica, com o benefício fundamental de ajudar a conservar esses biomas, transformando a biodiversidade em fonte de renda e emprego.

Várias empresas, de campos tão distintos quanto saneamento e tecnologia da informação, estão se voltando para as cidades como pólo de atração de inovações para a sustentabilidade. A noção de cidades sustentáveis e inteligentes se dissemina. Recentemente, executivos de uma das empresas líderes globais desse setor me disseram que estão abrindo segmento dedicado à sustentabilidade urbana. Há outros exemplos, como relata Jacilio Saraiva na matéria do Valor.

Cidades sustentáveis representam um vasto campo de atuação e inovação, tanto para desenvolvimento de novas tecnologias físicas, como de novos processos de informação e inteligência. Esse campo cobre setores de grande porte e escala, como energia, abastecimento e tratamento de água, saneamento, processamento de resíduos sólidos e orgânicos, logística e transportes, e os vários aspectos da segurança, desde a prevenção e remediação de desastres associados a eventos naturais extremos, até a segurança pública e privada.

Todas essas áreas estão em rápida transformação, muitas são território aberto, sem barreiras à entrada. No conjunto definirão uma boa parte das cadeias econômicas e dos países de maior competitividade na economia verde de baixo carbono do futuro. É a chance do Brasil dar o salto que falta para sair da classe das economias emergentes, para a classe das economias desenvolvidas. E desenvolvimento com maior qualidade do que o crescimento que marcou o século passado. Oportunidades em aberto. E o país não aproveita. Há muita mudança e inovação que podemos liderar. Precisamos de estratégias e infraestrutura básica. A começar pela transformação qualitativa e quantitativa de nosso sistema educacional, do pré-escolar à pós-graduação. Não temos a cultura de interação entre universidade e empresas, que permita dinamizar o fluxo de pesquisa, inovação e desenvolvimento de novas tecnologias, novos produtos e processos. Temos algumas das capacidades necessárias para sermos competitivos nesse ciclo de inovação que já está em curso. Precisamos melhorar as capacidades que temos, desenvolver as que não temos e ter uma estratégia clara e sustentada para entrar nessa busca da inovação para a sustentabilidade e para a transição rumo a uma sociedade verde de baixo carbono.

Fonte:www.ecopolitica.com.br


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SEASDH E MOVIMENTO NEGRO VÃO ORGANIZAR ATO CONTRA PRÁTICA RACISTA

Mais de trinta entidades do movimento negro participaram do encontro

O secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves, recebeu em seu gabinete, hoje, dia 8, mais de trintas entidades do movimento negro para elaborar estratégias contra a decisão do deputado estadual, Flávio Bolsonaro (PP-RJ), de ingressar com uma ação no Tribunal de Justiça do Rio alegando que a reserva de cotas para negros e índios, em concursos públicos do Estado, é inconstitucional. Do encontro ficou decidido que, dentro de quinze dias, haverá um ato no busto de Zumbi dos Palmares, no Centro do Rio, a elaboração de uma carta manifesto e a convocação, por parte das lideranças, de outras instituições do movimento para apoiar a causa.

“A intenção desse encontro foi definir uma estratégia de luta para que não haja retrocesso nessa conquista. Tenho certeza que vamos sair mais uma vez vitoriosos, mas precisamos contar com a mobilização da nossa sociedade”, declarou o secretário Rodrigo Neves que completou: “Nós estamos cumprindo com as diretrizes do Estatuto da Igualdade Racial e uma delas diz respeito à Lei 12.288, que fala sobre a implementação de políticas voltadas para a inclusão da população negra no mercado de trabalho”, finaliza.
Fonte:www.rj.gov.br


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EXPERIÊNCIA BRASILEIRA DE INSERÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO SERÁ APRESENTADA NA ONU

da Agência Brasil

A experiência brasileira de garantir escola para mais de 232 mil crianças, adolescentes e jovens com deficiência vai ser apresentada em um debate promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Na 4ª Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, o programa do Brasil servirá de exemplo a ser seguido por países em desenvolvimento que queiram adotar o modelo existente em 2.622 municípios brasileiros.

A diretora da Secretaria Nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Maria José de Freitas, disse à Agência Brasil que, apesar dos avanços, o desafio brasileiro é atingir 475 mil beneficiários até 2014 por meio do fim do preconceito e unindo forças para assegurar a melhora da qualidade de vida para as pessoas com deficiência.
“É necessário mudar a cultura que, infelizmente, ainda há de alguns setores sobre a incapacidade das crianças e adolescentes com deficiência. Trabalhando o fim do preconceito e mostrando que apenas ações coordenadas surtem efeitos é que conseguiremos atingir as metas. Quando se trabalha isoladamente, tudo fica mais difícil”, disse Maria José Freitas, que apresentará a experiência brasileira na próxima quinta-feira (8).

A diretora vai detalhar o programa denominado Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social na Escola (BPC). Pelo programa, a criança, o adolescente e o jovem com deficiência devem ter garantida a matrícula na escola da sua comunidade. No entanto, dos 5.565 municípios brasileiros, apenas 2.622 aderiram ao projeto. Segundo a diretora, a meta é atingir todas as localidades em quatro anos.

Maria José Freitas disse que a ampliação é fundamental para que o programa consiga ser executado, pois a prática mostrou que apenas por meio parcerias é possível atender todos os jovens, adolescentes e crianças com deficiências. “Há um conjunto de ações que têm de ser trabalhadas, desde a garantia de transporte até a segurança da matrícula”, acrescentou ela.

Apesar dos desafios que ainda têm pela frente, os órgãos do governo que comandam o programa comemoram os resultados dos últimos três anos. Pelos dados, o programa conseguiu triplicar a inserção de crianças e adolescentes com até 18 anos no sistema de ensino, por meio de uma parceria do MDS com os ministérios da Educação e Saúde e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

O reconhecimento do sucesso dessa iniciativa se deve, principalmente, ao aumento de 21% para 52,61% no índice de presença na escola de jovens atendidos pelo BPC. Em 2007, dos 375.340 crianças e adolescentes beneficiários, 78 mil estavam na escola. Em 2010, esse número saltou para 232 mil dos 475 mil atendidos nessa faixa etária.

 
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1º SEMINÁRIO NACIONAL DE ATINGIDOS POR EVENTOS CLIMÁTICOS


Por iniciativa do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, e com o apoio das entidades da sociedade civil, movimentos sociais e pastorais sociais ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está marcado para amanhã (10), domingo (11) e segunda-feira (12) na cidade de Brasília, Distrito Federal, região centro-oeste do Brasil, o 1º Seminário Nacional de Atingidos (as) por Eventos Climáticos Extremos provocados pelo aquecimento do Planeta. Cerca de 50 pessoas de diferentes regiões do país estarão presentes.

O evento, que contará também com a presença de representantes do Governo, tem como propósito reunir o testemunho de pessoas de diferentes estados que foram atingidos por algum tipo de fenômeno natural e construir propostas para criação de políticas públicas específicas em âmbito nacional.

Segundo Ivo Poletto, coordenador do Fórum de Mudanças Climáticas, o evento terá sua importância porque abre espaço para os representantes das comunidades se manifestarem.

"Poderemos ter a oportunidade de ouvir pessoas que foram diretamente atingidas por esses fenômenos como enchentes, ventanias, deslizamentos, vendavais, secas que ocorreram nos últimos anos”, disse.

Poletto relatou que o seminário terá três momentos. O primeiro irá contemplar as falas das famílias envolvidas nas catástrofes que apresentarão suas próprias experiências desde formas de organização, relação com a sociedade, instituições e apoio do Governo.

Em outro momento, os participantes terão a oportunidade de compreender como esses fenômenos acontecem, a partir de estudos científicos de membros do Fórum. "Antes os fenômenos eram considerados naturais, hoje a leitura que se faz é de que são provocados”, relata Poletto.

O último momento do Seminário será a construção coletiva de propostas para construção de uma política pública específica nacional para esse tipo de desastre. As propostas serão entregues para representantes do Governo que estarão presentes no seminário, como membros da Secretaria Geral do Governo, Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Políticas de Desenvolvimento Regional e Secretaria de Direitos Humanos.

Para a coordenação do evento, ocorreram mudanças climáticas significativas. Nos últimos seminários realizados pelo Fórum, em 2010 e 2011, foi identificado que na Caatinga, nos últimos 150 anos, o aquecimento está acima de 1,2ºC, quando o normal seria entre 0,3 e 0,5ºC.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Amazonas, em Manaus, outro exemplo das mudanças climáticas está na queda da umidade do ar, que chegou a 18%, a menor taxa em 100 anos. O percentual é maior que a média da umidade relativa do ar dos desertos, que é de 10%. "Percentual não muito comum para uma região tão úmida como a Amazônia”, disse Poletto.

"Queremos com esse evento articular essas comunidades e aumentar a sensibilidade do Governo para que o direito da população seja atendido”, ressaltou o coordenador do Fórum.

O evento será transmitido através do site: http://www.fmclimaticas.org.br/ .



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terça-feira, 6 de setembro de 2011

CRIANÇAS DE COMUNIDADES PACIFICADAS VISITAM A BIENAL DO LIVRO

da Agência Brasil


Cerca de 270 crianças na faixa de 6 a 13 anos de idade, moradoras de comunidades pacificadas, serão levadas a partir de hoje (6), pela primeira vez, à Bienal do Livro, no Riocentro.

A iniciativa é resultado de parceria entre a Federação das Indústrias do estado (Firjan), por meio do programa Sesi Cidadania, e a organização da feira, que ocorre na cidade pela décima quinta vez.

As visitas começam nesta terça-feira com crianças das comunidades do Jardim Batan e da Providência; depois, o grupo será do Andaraí, da Cidade de Deus e do Morro Azul. O ciclo de visitas se encerrará no dia 9, com crianças das comunidades dos Macacos, de Santa Marta e do Escondidinho/Prazeres.

O programa Sesi Cidadania foi iniciado no ano passado, por meio de convênio firmado entre os governos fluminense e carioca e o Sistema Firjan, com o objetivo de levar a moradores das 18 comunidades pacificadas ações contínuas de educação básica e profissionalizante, além de atividades de esporte, lazer, saúde e cultura.

A analista de Marketing Cultural do Sistema Firjan, Marina Henriques de Almeida Pinto, explicou que a maioria das crianças selecionadas para visitar a Bienal do Livro do Rio participa do projeto Indústria do Conhecimento, que é uma biblioteca, ou espaço de leitura, onde elas aprendem a ter contato com os livros.

O objetivo principal é democratizar a cultura, a leitura”. Os vários estandes da bienal permitirão às crianças desmistificar que ler é difícil, disse Marina. “Eles vão se aproximar da leitura”. A ideia, acrescentou, é repetir a ação nas próximas edições da Bienal do Livro do Rio.

Na área de cultura, a Firjan procura tirar as pessoas da realidade em que vivem e trazê-las para os teatros do Sesi, onde têm contato com peças, exposições e filmes. Foram formados também grupos de teatro da terceira idade, que se apresentarão pela primeira vez, em novembro próximo, na Firjan. Segundo Marina Henriques, a federação já prestou mais de 83 mil atendimentos nas 18 comunidades pacificadas, dos quais 9 mil na área cultural.

 
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GRITO DOS EXCLUÍDOS DEFENDERÁ ESTE ANO VIDA HUMANA E A NATUREZA

da Agência Brasil


 A 17ª edição do Gritos dos Excluídos, programada para ocorrer de hoje (1º) a 7 de setembro, terá como tema a defesa da vida humana e da natureza. Com o lema "Pela Vida Grita Terra... Por Direitos, Todos Nós", movimentos sociais e pastorais sociais promovem em todo o país manifestações contra as drogas, pela a reforma política, e contra a corrupção, entre outros assuntos. Na cidade de Aparecida, no Dia da Independência (7), ocorrerá a maior manifestação, que será feita junto com a Romaria dos Trabalhadores.

“O formato do grito é aberto, não vai se reger apenas pela pauta principal. Vamos pulverizar as atividades”, disse Ari Alberti, coordenador nacional do Grito dos Excluídos. Nesta edição, os organizadores pretendem também levar as atividades do evento para a periferia das cidades. “Na periferia é possível construir o ato junto com as pessoas, que se sentem atraídas e se sentem protagonistas das atividades. O grito ajuda a levar formação e informação para essas pessoas”, completou.

O Grito dos Excluídos é organizado pela Pastoral Social da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pela Comissão Pastora da Terra (CPT), por diversos movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Ameaçados por Barragens (Moab), pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo e pela Campanha Jubileu Brasil.


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ENERGIA LIMPA MOSTRA SEU VALOR ATÉ NO BRASIL

Preços das energia solar fotovoltaica em queda forte. Com preços competitivos, participação na rede da energia eólica cresce aceleradamente no Brasil e continua a crescer no mundo, mesmo com a crise. Só houve redução de ritmo.

O fluxo de inovações tecnológicas, estimulado pelo avanço dessas energias, anda mais rapidamente agora. Os cenários de participação das energia renováveis limpas na matriz energética global serão todos superados até 2020. Estamos perto de um ponto de virada, um tipping point.

O Brasil não precisa de Belo Monte. Terá o equivalente a uma Belo Monte e meia em eólica, em três anos. Expandir a oferta de energia com eólica e fotovoltaica, principalmente combinando as duas, o que dobra a produtividade energética do uso da terra, é mais barato, mais rápido e mais limpo.

As opções hidrelétricas na Amazônia são de baixa qualidade. Não se comparam às boas opções hidrelétricas que tínhamos no Sul e Sudeste, nem ao enorme potencial eólico e solar.

 
 
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CENTRO DE INCENTIVO À LEITURA REAFIRMA PARCERIA COM O MINISTÉRIO DA CULTURA

Agência Brasil

Responsável por políticas de incentivo à publicação de livros e ao hábito da leitura, o Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe (Cerlalc) reafirmou a parceria com o governo brasileiro. Vinculado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Cerlalc atua também em Portugal.

A programação da 15ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro incluiu um encontro para marcar a passagem dos 40 anos do centro. O evento discutiu o papel da entidade e a recuperação de alguns acordos com o Brasil, por meio da Biblioteca Nacional, em agendas que incluem desde a implementação de planos do livro e leituras estaduais e municipais, até ações de formação de gestores de bibliotecas e ampliação das redes de bibliotecas no país.

Segundo o diretor do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos Piúba, implementar planos municipais do livro e leitura e aumentar a integração com países de língua portuguesa estão entre as prioridades da Fundação Biblioteca Nacional. “Também é prioridade o aumento do intercâmbio e da integração entre bibliotecas do Brasil e dos países que compõem o Cerlalc, principalmente na América do Sul”, acrescentou Piúba.

Ele informou que o Ministério da Cultura trabalha ainda para ampliar o número de municípios e estados com planos de fomento à leitura e que mais de 200 municípios aderiram ao projeto Mais Livro Mais Leitura, instituído pela pasta. “E essa ação será ampliada”, anunciou.

Até 2014, serão instituídos 27 planos de incentivo ao livro e à leitura – 26 estaduais e um do Distrito Federal. De acordo com Fabiano Piúba, o processo de institucionalização desse tipo de plano está bem avançado em alguns estados, como o Ceará, Mato Grosso do Sul e o Rio Grande do Sul. O ministério espera ter pelo menos 300 planos municipais instituídos ou em fase de construção no Brasil até 2014.

De acordo com Piúba, o Cerlalc tem contribuído para a formulação das políticas públicas na América Latina, criação e implantação de leis nacionais do livro e de planos nacionais de incentivo ao hábito da leitura, além de programas de acesso e formação de leitores de bibliotecas. Ele lembrou que o Cerlalc colaborou de forma ativa na constituição do Plano Nacional do Livro e Leitura, no Brasil, em 2006.



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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

BIENAL DO LIVRO COMEÇA HOJE NO RIO E DEVE ATRAIR CERCA DE 600 MIL VISITANTES


da Agência Brasil
 A 15ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro abre as portas ao público ao meio-dia, em três pavilhões do Riocentro, zona oeste da cidade, com a expectativa de atrair cerca de 600 mil visitantes até o dia 11. “A gente está achando que esta Bienal tem tudo para ser a melhor de todas”, disse à Agência Brasil a presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), entidade organizadora do evento, Sonia Jardim.

Durante os 11 dias de duração da Bienal, 950 expositores oferecerão seus produtos ao público, em uma área que cresceu 20% em relação à Bienal anterior, de 2009. O faturamento projetado alcança R$ 53 milhões e deverá repetir o número registrado na edição anterior.

O projeto totalizou investimentos de R$ 27 milhões, sendo R$ 4,2 milhões investidos na programação cultural. Esse valor foi 2,5 vezes superior ao total investido na programação cultural em 2009. A ideia é aproximar os visitantes dos escritores e de suas obras, apostando na diversidade.

A Bienal Rio 2011 vai repetir atrações que fizeram sucesso em 2010. Entre elas, o Café Literário, que traz 38 sessões de debates e conversas informais entre escritores e leitores. No Mulher e Ponto, autoras de livros que retratam variados temas de interesse feminino conversarão e trocarão ideias em 16 sessões.

No espaço Livro em Cena, atores e atrizes lerão para o público textos de obras clássicas da literatura. Estão programados ainda o Encontros com Autores e a Conexão Jovem.

Mil títulos serão lançados na Bienal do Rio. “Para o editor, esse é o grande momento do setor”, disse Sonia Jardim. Ela avaliou que o período, marcado pela maior propaganda sobre livros nos jornais e na televisão, acaba estimulando a leitura no país. “As feiras têm esse objetivo de trazer o livro para o holofote.”

Segundo a presidente do Snel, na Bienal passada, a média foi de cinco livros vendidos para cada pessoa. “74% do público saíram da Bienal carregando uma sacola”. Muitas editoras usam a estratégia de promover campanhas de descontos progressivos durante a Bienal, com o objetivo de ampliar as vendas e, ao mesmo tempo, aumentar o número de leitores. O Snel prevê que serão vendidos durante o evento 2,5 milhões de exemplares.

Essa é a primeira vez que a Bienal do Livro do Rio de Janeiro homenageia o Brasil. “Surgiu a ideia de aproveitar esse momento positivo que o Brasil tem, inclusive no exterior”. Sonia lembrou que o Brasil será homenageado também, em 2012, na Feira de Bogotá, na Colômbia; em 2013, na Feira de Frankfurt (Alemanha); e em 2014, na Feira de Bolonha, na Itália. “Então, resolvemos começar o dever de casa, em casa”, disse Sonia.

Nesta edição, participarão 21 autores estrangeiros e 120 brasileiros. O programa de visitação tem garantido o ingresso de 170 mil crianças, em dias reservados para elas. Os estudantes inscritos previamente recebem a Nota da Bienal, que é um vale de R$ 5, que poderá ser trocado por um livro.
Ainda para o público infantil, haverá um novo espaço, o Maré de Livros, no qual crianças e adolescentes poderão interagir e divertir-se com palavras. Na Biblioteca Mirim, o público infantojuvenil poderá ouvir seis sessões diárias de histórias.

Essa será ainda a primeira bienal que oferecerá um espaço dedicado aos livros eletrônicos, os chamados e-books, oferecendo aos visitantes a oportunidade do primeiro contato com novas tecnologias e equipamentos do mundo editorial, como tablets (computadores de prancheta) e e-readers (livros digitais).

A abertura oficial está prevista para as 15h30, com a presença da presidenta da República, Dilma Rousseff, dos ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Cultura, Ana de Hollanda, além do governador, Sergio Cabral, e do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.


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