quinta-feira, 12 de maio de 2011

CANDEIA: SAMBA E RESISTÊNCIA



Candeia foi um dos principais expoentes de uma geração de sambistas da Portela que surge na década de 1950. Filho de Seu Candeia, portelense antigo com livre trânsito por todos os cantos de Oswaldo Cruz, Candeia (o filho) conviveu com o samba desde criança. Ele lembrava, em seus depoimentos, da tristeza que sentia em seus aniversários. Enquanto nas festas das outras crianças havia bolo e sorvete, na dele tinha era feijoada, caipirinha, partido alto, e a grande maioria dos convidados era gente adulta, amiga de seu pai. A frustração só não era maior porque quando batia 10 horas da noite e ia para cama, Candeia ficava acordado tentando entender tudo aquilo que era cantado pelos mestres portelenses e convidados.

Com essa bagagem musical, ingressou cedo na Portela, à revelia do pai. Aos 14 anos participou de seu primeiro desfile, fantasiado de mecânico. Três anos depois, em 1953, compôs com Altair Prego o samba-enredo que concorreu com o samba de Manacéia, principal compositor de samba-enredo da Portela. Candeia ganhou e seu samba levou a Portela ao campeonato daquele ano com nota dez em todos os quesitos. Ainda compôs mais cinco sambas-enredos vitoriosos na Portela.

Além de sua vida na escola de samba, Candeia começou a trabalhar na polícia. Policial durão, era severo até com os próprios sambistas e amigos. Contavam que uma prostituta, após ter sido esbofeteada por ele, o rogou uma praga. No dia seguinte, Candeia foi baleado, por causa de uma discussão de madrugada no trânsito, e nunca mais andou. Essa fatalidade, ocorrida em dezembro de 1965, mudou definitivamente seu comportamento e o rumo de sua vida.

Depois de um longo período tentando se recuperar física e psicologicamente do acidente, Candeia reinicia sua obra, na cadeira de rodas que o acompanhou até sua morte. É notável o quanto se ampliou o horizonte de seus objetivos no samba e de sua música.

Na década de 1970, o movimento de resistência à descaracterização das escolas de samba no Rio de Janeiro encontrou em Antonio Candeia Filho seu principal líder. Juntamente com Paulinho da Viola, Carlos Monte, André Motta Lima e Cláudio Pinheiro, formulou um longo documento endereçado ao presidente da Portela, Carlos Teixeira Martins, em março de 1975, em que fazia diversas críticas às mudanças ocorridas na Portela e propondo uma série de mudanças, que iniciava da seguinte forma:

“Escola de samba é Povo em sua manifestação mais autêntica! Quando se submete às influências externas, a escola deixa de representar a cultura do nosso povo. (...) Durante a década de 60, o que se viu foi a passagem de pessoas de fora, sem identificação com o samba, para dentro das escolas. O sambista, a princípio, entendeu isso como uma vitória do samba, antes desprezado e até perseguido. O sambista não notou que essas pessoas não estavam na escola para prestigiar o samba. E aí as escolas de samba começaram a mudar. Dentro da escola, o sambista passou a fazer tudo para agradar essas pessoas que chegavam. Com o tempo, o sambista acabou fazendo a mesma coisa com o desfile. (...) Consideramos que este é o momento de fazer a única evolução possível, com o pensamento voltado para a própria escola. Ou seja, corrigindo o que vem atrapalhando os desfiles da Portela, que tem confundido simples modificações com evolução. É preciso ficar claro que nem tudo que vemos pela primeira vez é novo. (...)”

E o documento continuava, discorrendo ponto a ponto sobre as mudanças necessárias para o prosseguimento da escola de samba como manifestação genuinamente popular. As propostas não foram sequer discutidas dentro da Portela.

A insatisfação dos sambistas era evidente. Mas o que fazer? Faltava uma proposta que pudesse dar forma a uma atitude coletiva e representasse os reais interesses dos sambistas e a retomada da linha evolutiva que vinha sendo traçada nas escolas antes da descaracterização. Mas essa proposta não tardou a chegar, e surgida dentro do próprio meio do samba.

Após ver ignoradas as críticas feitas ao funcionamento de sua Portela, Candeia passou a nutrir a idéia de fundar uma nova escola. Dizia ele ao jornalista seu amigo Juarez Barroso: “Uma escola em que tudo fosse feito pelo povo. As costureiras do lugar fazendo as fantasias. Não ia ter esse negócio de figurinista de fora não. As alegorias também, tudo de lá, escolhido lá. (...) Ia ser uma escola muito bonita. Sei lá, é uma idéia”.

“Estou chegando...
Venho com fé. Respeito mitos e tradições. Trago um canto negro. Busco a liberdade. Não admito moldes.
As forças contrárias são muitas. Não faz mal... Meus pés estão no chão. Tenho certeza da vitória.
Minhas portas estão abertas. Entre com cuidado. Aqui, todos podem colaborar. Ninguém pode imperar.
Teorias, deixo de lado. Dou vazão à riqueza de um mundo ideal. O amor é meu princípio. A imaginação é minha bandeira.
Não sou radical. Pretendo, apenas, salvaguardar o que resta de uma cultura. Gritarei bem alto explicando um sistema que cala vozes importantes e permite que outras totalmente alheias falem quando bem entendem. Sou franco atirador. Não almejo glórias. Faço questão de não virar academia. Tampouco palácio. Não atribua a meu nome o desgastado sufixo –ão. Nada de forjadas e mal feitas especulações literárias. Deixo os complexos temas à observação dos verdadeiros intelectuais. Eu sou povo. Basta de complicações. Extraio o belo das coisas simples que me seduzem.
Quero sair pelas ruas dos subúrbios, com minhas baianas rendadas sambando sem parar. Com minha comissão de frente digna de respeito. Intimamente ligado às minhas origens.
Artistas plásticos, figurinistas, coreógrafos, departamentos culturais, profissionais: não me incomodem, por favor.
Sintetizo um mundo mágico.
Estou chegando...”
(Manifesto escrito por Candeia)
                                                            Candeia e Martinho da Vila

Candeia foi reunindo os sambistas para a sua idéia. Com sua capacidade de liderança, conseguiu formar as bases iniciais para fundar a nova escola. No dia 8 de dezembro de 1975 foi inaugurado o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo. Suas cores: branco, dourado e lilás. Esse primeiro encontro dos sambistas se realizou num terreno baldio da Rua Pinhará, em Rocha Miranda, sede que logo foi substituída.

Já em janeiro de 1976 a escola se mudou para Coelho Neto, onde fez sua sede no Esporte Clube Vega, que estava em ruínas e fizera um acordo com a diretoria da Quilombo possibilitando a utilização do clube pelos “quilombolas”. Uma grande festa foi feita para inaugurar a nova sede. Lá estavam sambistas para se incorporar à Quilombo ou somente prestar seu apoio. A satisfação era geral pela concretização do espaço onde o sambista pudesse desenvolver livremente sua arte. Chegavam para se juntar a Candeia gente como Elton Medeiros, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Nei Lopes, Wilson Moreira, Guilherme de Brito, Monarco, Casquinha e outros integrantes da Velha Guarda da Portela, Mauro Duarte, Clementina de Jesus, dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Clara Nunes, Nelson Sargento e outros.

Juarez Barroso, jornalista do Jornal do Brasil na época, bastante ligado à música popular e amigo de Candeia também aderiu à Quilombo. Na inauguração da nova escola, assim iniciava uma matéria de página inteira chamada Quilombo, nasce uma nova escola:

“As escolas de samba agigantaram-se, deformaram-se à medida que se transformaram (ou pretenderam se transformar) em shows para turistas. O tema é polêmico, tratado como sempre em tom passional. Deformação ou evolução? Seria possível o retorno à pureza, ao comunitarismo dos anos 30, quando essas escolas se consolidaram? O sambista Candeia, liderando outros sambistas descontentes com a situação, prefere responder de modo objetivo. E responde com a fundação de uma nova escola de samba, Quilombos, escola que terá sede em Rocha Miranda e irá para a Avenida mostrando como era e como deve ser o samba.”

Como explicava Candeia, mais do que uma escola de samba, a Quilombo seria uma escola de sambistas, que pudesse servir de alerta às outras, assim como de referência. E nenhum de seus integrantes precisava abandonar as escolas a que pertenciam, a Quilombo não exigia exclusividade. Nei Lopes, já em 1980 no programa da TVE Tudo é música especial sobre escolas de samba – apresentado por José Ramos Tinhorão –, sintetizava: “A maioria das pessoas que estão aqui, como eu, o Martinho [da Vila], o Wilson [Moreira], a gente não deixou nossa escola de origem. A gente está pensando inclusive em levar a filosofia do Quilombo para nossas escolas de origem”.

Outro fato importante era o de que a Quilombo não era somente uma escola de samba. Candeia não cansava de explicar: “É Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba. Quilombo é jongo, é capoeira, é lundu, é maracatu”. A Quilombo se propunha a resgatar a cultura negra, a cultura dos morros e subúrbios do Rio de Janeiro, a cultura trazida, transformada e recriada pelos negros do Brasil, antepassados daqueles sambistas que ali se reuniam. Havia vários grupos de danças de origem negra (jongo, maracatu, maculelê, caxambu, afoxé, samba de lenço, samba de caboclo, lundu e capoeira). Chamaram para o grupo de jongo a vovó Teresa de 113 anos, mãe de Mestre Fuleiro, que morava no Morro da Serrinha, em Madureira. A sede da Quilombo era utilizada também para encontros culturais, como as conferências sobre a contribuição negra na formação cultural do Brasil, que chegava a reunir duzentas pessoas, além de atividades que buscavam integrar ainda mais a comunidade e a escola.

Numa matéria publicada na Última Hora/Revista, Candeia e Elton Medeiros definiam os objetivos da escola:

“1. Desenvolver um centro de pesquisas de arte negra, enfatizando sua contribuição à formação da cultura brasileira.

2. Lutar pela preservação das tradições fundamentais sem as quais não se pode desenvolver qualquer atividade criativa popular.

3. Afastar elementos inescrupulosos que, em nome do desenvolvimento intelectual, apropriam-se de heranças alheias, deturpando a pura expressão das escolas de samba e as transformando em rentáveis peças folclóricas.

4. Atrair os verdadeiros representantes e estudiosos da cultura brasileira, destacando a importância do elemento negro no seu contexto.

5. Organizar uma escola de samba onde seus compositores, ainda não corrompidos ‘pela evolução’ imposta pelo sistema, possam cantar seus sambas, sem prévias imposições. Uma escola que sirva de teto a todos os sambistas, negros e brancos, irmanados em defesa do autêntico ritmo brasileiro”.

Em 1976, a escola ainda não tinha estrutura para desfilar. Mas um animado bloco sem fantasia pôde ser visto no carnaval pelas ruas do subúrbio de Coelho Neto e Acari. Já em 1977, mesmo com muitas dificuldades, a escola desfilou nas ruas do subúrbio e fechou o carnaval na Presidente Vargas no desfile das campeãs. Sua presença foi a grande novidade do carnaval e um grande sucesso segundo a imprensa. A Quilombo não se preocupava em filiar-se a entidades nem em participar de desfiles oficiais. Também não disputava campeonato. Aceitava o convite da Riotur para se apresentar na Avenida, mas não deixava de desfilar também nas ruas do subúrbio. E foi assim que em 1978 e 1979, com os enredos Ao povo em forma de arte e Noventa anos de Abolição, respectivamente, ambos os sambas compostos pela dupla Wilson Moreira e Nei Lopes, a Quilombo mais uma vez apresentou um desfile da maior qualidade e comprovava que as tais “inovações” no samba não eram necessárias para se fazer um belo carnaval. Depois do carnaval de 1978, o dinheiro que sobrou do desfile, sem ostentação, foi utilizado para comprar uniformes escolares para as crianças pobres do bairro onde ficava a sede da escola.

Em 16 de novembro de 1978, Candeia morria no Hospital Cardoso Fontes, por causa de crise renal-hepática. Sua morte foi um baque na luta intensa em defesa das raízes das escolas e do samba. Houve um grande vazio na comunidade “quilombola” pois Candeia era o principal líder e organizador. O contrato com o Esporte Clube Vega foi rompido e a escola ficou sem sede. Por iniciativa de várias pessoas a sede pode voltar a existir na Fazenda Botafogo, em Acari. A escola continuou existindo na década de 80, embora com menor destaque.

O legado de Candeia permanece cada vez mais vivo, na lembrança das ruas, nas rodas de samba, nas regravações de suas músicas e em espetáculos como “É samba na veia, é Candeia”.

Para ouvir um pouco de sua obra genial, sugerimos começar por Axé! Gente Amiga do Samba (1978), disco em que Candeia reúne sambistas da Velha Guarda da Portela, além de Clementina de Jesus e Dona Ivone Lara para fazer uma das obras-primas do samba brasileiro. Outro registro importante é o documentário Partido Alto, de Leon Hirzman, curta-metragem finalizado em 1982, com cenas raras das rodas de samba comandadas por Candeia em sua cadeira de rodas.

Recentemente, o grupo paulista Terreiro Grande se uniu a Cristina Buarque para uma emocionante homenagem em forma de shows (já realizados em São Paulo e no Rio de Janeiro), trazendo a obra do mestre.

Outra importante homenagem a Candeia foi o premiado espetáculo É samba na veia, é Candeia. O musical, encenado inicialmente no CCBB, onde venceu concurso de dramaturgia Seleção Brasil em Cena 2007 concorrendo com cerca de 300 trabalhos inscritos, vem colecionando prêmios, reconhecimento e carinho do público (escolhido o melhor espetáculo de 2008 pelos leitores do JB). Trouxe a vida e as principais composições de Candeia também em memoráveis apresentações no Teatro Casa Grande e Sesc Tijuca (no Rio de Janeiro).

É samba na veia, é Candeia

Fontes: ABRIL CULTURAL. Candeia / Elton Medeiros. Nova História da Música Popular Brasileira. Abril Cultural, 1978

AQUINO, João de et al. Eterna Chama. Candeia 20 anos de memória. Rio de Janeiro: Perfil Musical, 1998 (encarte)

ARAGÃO, Diana. Quilombo, uma escola de sambistas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 jan 1978

BARROSO, Juarez. Quilombos, nasce uma escola de samba. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 dez 1975

CABRAL, Sérgio. As escolas de samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: IPLANRIO/Jorge Zahar Ed., 1996

TINHORÃO, José Ramos. Tudo é música: samba se aprende na escola. Especial Quilombo. Rio de Janeiro: TVE, 1980 (Programa de TV)

VARGENS, João Baptista M. Candeia: luz da inspiração. Rio Bonito (RJ): Almadena, 2008 (3ª Edição)

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BRUCE HENRI É A ATRAÇÃO DESTE SÁBADO NO JAZZ E BLUES EM RIO DAS OSTRAS


O Projeto Rio das Ostras Jazz e Blues o Ano Todo vai receber neste sábado, dia 14, Bruce Henri, contrabaixista, cantor e compositor americano, radicado no Brasil há mais de 40 anos. O show é gratuito e acontece às 18h, na Concha Acústica da Praça São Pedro, no Centro da cidade.

Estabelecido no Brasil desde o final dos anos 60, o contrabaixista americano Bruce Henri é um dos grandes nomes da música brasileira. Essa cidadania musical inclui participações em trabalhos de Tom Jobim, Joyce, Caetano Veloso, Gal Costa, Leila Pinheiro, Gilberto Gil e muitos outros. Sem falar na sua obra que recria o repertório composto por Villa-Lobos.

Bruce Henri é o diretor artístico da Rock Street, espaço que irá privilegiar o jazz e o blues durante Rock in Rio 2011. E por lá também passarão nomes como o saxofonista Leo Gandelman que se apresentará no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival deste ano.

FESTIVAL - Essa é a última edição antes do Festival que acontecerá de 22 a 26 de junho e já tem programação fechada. Já confirmaram presença talentos como Medeski, Martin & Wood e o saxofonista Bill Evans, o trompetista Nicholas Payton e a banda de eletro-jazz acústico Yellowjackets, que vem ao festival lançar o seu novo CD.

O Projeto Rio das Ostras Jazz e Blues o Ano Todo é uma realização da Prefeitura de Rio das Ostras, por meio da Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio, e promove shows mensais gratuitos com grandes nomes do jazz e do blues.


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O HOMEM E A NATUREZA


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domingo, 8 de maio de 2011

O LUGAR DA MÃE NO AFETO HUMANO


por Leonardo Boff

NOTA: O discurso feminista e transcultural questionou a figura da mãe, mostrando suas várias concepções nas diferentes tradições da humaniidade. E foi bom que assim fizeram pois libertaram a figura da mãe de certos esteriótipos. Mas a mãe é mais que tudo isso. É um dos arquétipos fundamentais formadores da identidade de cada pessoa. Essa força criadora foi bem expressa por uma mulher africana que, a propósito do dia mães, me permito traduzir do alemão e publicar neste espaço, até como homenagem de afeto a nossas mães: LB

No dia das mães não fala a inteligência analítica mas a inteligência cordial. Logico, o comércio explora esse dia, mas o significado da figura da mãe é tão poderoso que não se deixa nunca desvirtuar totalmente. É excusado sublinhar a importância da mãe na orientação futura da vida de uma criança. Baste-nos referir as constribuições inestimáveis de Jean Piaget com sua psicologia e pedagogia evolutiva e principalmente as de Donald Winnicott com sua pediatria combinada com psicanálise infantil. Eles nos detalharam os complexos percursos da psiqué infantil nesses momentos iniciais e seminais da vida.

Hoje não cabe esse tipo de reflexão por mais importante que seja. Tem seu lugar o afeto cujas raizes ancestrais se encontram há mais de cem milhões de anos, quando no processo da evolução se formou o cérebro límbico, próprio dos mamíferos, dos quais nós descendemos. Com eles nos vieram os sentimentos do amor, do afeto e do cuidado, guardados como informações até os dias atuais em nosso código genético. Entreguemo-nos brevemente à terna energia do afeto.

Há muitos textos conhecidos que exaltam a figura da mãe como o belíssimo do bispo chileno Ramon Jara. Mas há um outro de grande beleza e verdade que nos vem de África, de uma nobre abissínia, recolhido como prefácio ao livro “Introdução à essência da mitologia” (1941), escrito por dois grandes mestres na área: Charles Kerény e Carl Gustav Jung. Assim fala uma mulher em nome de todas as mães.

“Como pode saber um homem o que é uma mulher? A vida da mulher é inteiremante diferente daquela dos homens. Deus a fez assim. O homem fica o mesmo, do tempo de sua circuncisão até o seu declínio. Ele é o mesmo antes e depois de ter encontrado, pela primeira vez, uma mulher. O dia, porém, em que a mulher conheceu seu primeiro amor, sua vida se divide em duas partes. Neste dia ela se torna outra. Antes do primeiro amor, o homem é igual ao que era antes. A mulher, a partir do dia de seu primeiro amor, é outra. E assim permanecerá a vida toda.

O homem passa uma noite com uma mulher e depois vai embora. Sua vida e seu corpo são sempre os mesmos. A mulher, porém, concebe. Como mãe, ela é diferente da mulher que não é mãe. Pois, ela carrega em seu corpo, por nove meses, as consequências de uma noite. Algo cresce em sua vida e de sua vida jamais desaparecerá. Pois ela é mãe. E permanecerá mãe, mesmo quando a criança ou todas as crianças tiverem que morrer. Pois ela carregou a criança em seu coração. Mesmo depois que ela nasceu, continua a carregá-la em seu coração. E de seu coração não sairá jamais. Mesmo que a criança tenha morrido”.

“Tudo isso o homem não conhece. Ele não sabe nada disso. Ele não conhece a diferença entre o “antes do amor” e o “depois do amor”, entre antes da maternidade e depois da maternidade. Ele não pode conhecer. Só uma mulher pode saber e falar sobre isso. É por isso que nós mães nunca nos deixamos persuadir por nossos maridos. A mulher pode somente uma coisa. Ela pode cuidar dela mesma. Ela pode se conservar decentemente. Ela deve ser o que a sua natureza é. Ela deve ser sempre menina e mãe. Antes de cada amor é menina. Depois de cada amor é mãe. Nisso poderás saber se ela é uma boa mulher ou não”.

Essas reflexões são dedicadas às mães vivas ou falecidas que no dia das mães lembramos com afeto. Elas estão em nossos corações. E de lá jamais sairão.

Autor do livro em parceria com Rose-Marie Muraro Feminino e Masculino. Uma nova consciência pra o encontro das diferenças (Sextante)

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SALVE CLEMENTINA!

“Uma grande lição que não pode ser esquecida: é a alegre coragem de viver do povo”

Em homenagem aos 102 anos de nascimento de Clementina de Jesus (7/02/1901 a 19/07/1987) trazemos o inspirado texto de José Ramos Tinhorão (que também aniversaria em 7 de fevereiro) sobre o disco de Clementina lançado em 1979. Em meio a lixos culturais da época – o autor, em seu laborioso ofício de dar foco, de destacar o melhor da criação musical do nosso povo realça no texto, com poesia e concisão, o clima de felizes conjunções alcançadas na elaboração do disco e lapida as características eternas daquela artista popular.
“Clementina” é uma festa onde se eleva uma voz que canta para a eternidade [*]
A caminho dos 78 anos, a grande cantora brasileira Clementina de Jesus pode ser ouvida novamente em um LP que, tendo por título apenas o seu nome Clementina (odeon 064 422 846), resume na demonstração de vitalidade da intérprete e no simbolismo da capa idealizada por Elifas Andreato uma grande lição que não pode ser esquecida: é a alegre coragem de viver do povo que precisamos imitar, e são as pegadas de seus melhores artistas que devemos seguir.
De fato, para significar o que representa no panorama da música popular brasileira a velha Clementina (que pode estar tendo neste trabalho o seu último disco, tal o desgaste que demonstra, após quase seis anos de uma trombose violenta), Elifas desenhou apenas o sulco de um pé sobre o chão de terra, entre duas folhas caídas, amarelas de outono, mas ao lado das quais brilham outras folhinhas novas, irrompendo da terra em verde renascer.
Não poderia ser mais feliz o artista Elifas Andreato com sua imagem, nem o produtor Fernando Faro ao criar para a gravação de Clementina de Jesus um clima de festa, de ritmo solto e de alegria. E isso porque é realmente como um sinal de futuro e um guia para o caminho que a voz da artista soa no disco: a velha Clementina não é uma cantora comum lançando o seu canto de cisne no ocaso da vida e da carreira, mas a antiga pastorinha dos Natais do início do século em Jacarepaguá, ensinando às meninas de hoje o canto eterno do povo.
Para este disco desde o início tão lindo pelo significado, o produtor convocou em nome da amizade e da admiração por Clementina não apenas alguns dos grandes nomes da música ligados de alguma maneira às fontes populares – Dona Ivone Lara, Matinho da Vila, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Cristina Buarque e João Bosco – mas também um grupo de músicos que, com Dino e César Faria à frente, nos violões, e gente como Jorginho do pandeiro e Luna e Eliseu no ritmo, são capazes de transformar a música de samba numa festa que faz som de discoteca parecer música de procissão.
O resultado de tudo isso é que o LP Clementina, longe de merecer apenas atenção como o derradeiro documento registrando o canto de uma velha artista que se despede, faz Clementina de Jesus renascer em seu canto glorioso como uma rainha carregada em um andor, vozes dos que se juntaram para entoar com ela, em coro, o hino de sua eternidade.
[*] Jornal do Brasil, Caderno B, Rio de Janeiro, sábado, 29/9/1979, página 2
Extraído do livro “Tinhorão – O Legendário” de Elizabeth Lorenzotti, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
***
Clementina por Henfil
Discografia de Clementina de Jesus
Discos-solo
• 1966 - Clementina de Jesus (Odeon MOFB 3463)
• 1970 - Clementina, cadê você? (MIS 013)
• 1973 - Marinheiro Só (Odeon SMOFB 3087)
• 1976 - Clementina de Jesus - convidado especial: Carlos Cachaça (EMI-Odeon SMOFB 3899)
• 1979 - Clementina e convidados (EMI-Odeon 064 422846)
Participações
• 1965 - Rosa de Ouro - Clementina de Jesus, Araci Cortes e Conjunto Rosa de Ouro (Odeon MOFB 3430)
• 1967 - Rosa de Ouro nº 2 - Clementina de Jesus, Araci Cortes e Conjunto Rosa de Ouro (Odeon MOFB 3494)
• 1968 - Gente da Antiga - Pixinguinha, Clementina de Jesus e João da Baiana (Odeon MOFB 3527)


• 1968 - Mudando de Conversa - Cyro Monteiro, Nora Ney, Clementina de Jesus e Conjunto Rosa de Ouro (Odeon MOFB 3534)
• 1968 - Fala Mangueira! - Carlos Cachaça, Cartola, Clementina de Jesus, Nélson Cavaquinho e Odete Amaral (Odeon MOFB 3568)

Coletâneas
• 1999 - Raízes do Samba - Clementina de Jesus (EMI 522659-2)
Desenho de Elifas Andreato
Clementina de Jesus no espetáculo Rosa de Ouro,
Teatro Jovem, Rio de Janeiro, 1965

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OFICINAS GUIAS AFETIVOS EM MACAÉ


Projeto foi selecionado pela Bolsa Funarte de Circulação Literária

O escritor, diretor teatral e cineasta Marcus Vinícius Faustini dá continuidade ao ciclo de oficinas GUIAS AFETIVOS em 2011, o segundo município a receber o projeto será Macaé, Rio de Janeiro, nos dias 14 e 15 de maio (o primeiro foi Campos dos Goyatacazes, nos dias 26 e 27 de março). As oficinas propõe uma metodologia para a produção de memória, que através de práticas artísticas em torno da linguagem literária cria intervenções em territórios diversos. O foco é a vivência do indivíduo na cidade, como suas impressões, articulações e reflexões podem se tornar expressões estéticas, a partir do uso da palavra. Jovens, adultos e idosos participam de dinâmicas em torno dos eixos: “Corpo” - percepção do indivíduo enquanto agente capaz de manipular e intervir nos instrumentos de criação. “Palavra” - o incentivo a leitura e produção de textos. “Território” – promover a identificação do capital cognitivo oriundo a cada região em suas peculiaridades. O projeto Guias Afetivos foi criado a partir do romance “Guia Afetivo da Periferia” de Marcus Vinícius Faustini, lançado pela editora Aeroplano em dezembro de 2009. O livro conta a história de um jovem de origem popular que circula a cidade e apresenta suas percepções sobre o cotidiano diverso da cidade do Rio de Janeiro. Nesse sentido, o projeto, tem como objetivo principal estimular a produção desse novo olhar sobre o território, o olhar de quem vive nas periferias, e que por isso, reserva um entendimento particular sobre os costumes, acontecimentos e práticas cotidianas desses espaços. A obra além de propor a sua leitura no sentido literal propõe experiências práticas de criação. Misturar vida e arte é o processo investigativo tanto do livro como do projeto de oficinas.A transformação do romance Guia Afetivo da Periferia em projeto de oficinas, ampliou as potências do livro. Em 2010 o projeto foi selecionado pela Bolsa Funarte de Circulação Literária, que prevê oficinas nas cidades de Campos dos Goytacazes, Macaé e Cuiabá.

A oficina “Guias Afetivos” foi realizada em maio de 2010 com o apoio da FASE (ONG que desenvolve projetos nacionais com foco em educação e solidariedade) na cidade do Recife, onde reuniu mais de 30 pessoas, representantes de grupos, associações e projetos, de todo o estado de Pernambuco. A FASE trabalhou na mobilização desses agentes culturais e forneceu infra-estrutura (espaço e alimentação) para o desenvolvimento da atividade, que teve duração três dias, numa carga horária de 16 horas. A experiência foi avaliada pela FASE e todo o grupo participante, como exitosa, o que motivou a sistematizar o processo da oficina. Em agosto de 2010 a mesma oficina foi ministrada no Rio de Janeiro (bairro de Madureira) em parceria com o SESC. O objetivo do “Guias Afetivos” é criar junto aos participantes uma experiência artística criativa, que valorize as vivências pessoais de cada participante, com foco no desenvolvimento de uma estética particular, contribuindo para o fortalecimento do pertencimento social desses sujeitos, bem como sua inclusão subjetiva. Para tanto, o conceito de linguagem literária é ampliado para expressões através do uso da PALAVRA, nesse sentido, a contação de histórias, as artes plásticas e o vídeo são aliados no processo. A valorização do território é o início do processo. Por isso, a utilização do romance “Guia Afetivo da Periferia”, já que, a partir dos cenários e situações descritas pelo autor no romance, o participante é convidado a resgatar a sua memória e transformá-la também em expressão artística. O convencimento é feito a partir da sensibilização provocada pela leitura do romance em conjunto. A vida de cada um pode em muito interessar aos outros, basta contá-la. Portanto, a metodologia num primeiro momento, visa encorajar os participantes. Em seguida, passa-se a experimentar as diversas possibilidades de expressão através de linguagens como vídeo, artes plásticas, literatura, poesia. Ao final da oficina cada participante, terá desenvolvido individualmente ou em conjunto alguma expressão de linguagem.
Inscrições pelo e mail: guiasafetivos2010@gmail.com as seguintes informações:
Nome completo, idade, contatos (telefone / e-mail) e atuação.
Fonte : Cufa macaé


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ESCASSEZ DA FORÇA DE TRABALHO QUALIFICADA

 

Em pleno ciclo de expansão da economia nacional, o tema da escassez de mão de obra qualificada vem sendo recorrentemente debatido. Desde o chamado milagre econômico vigente na primeira metade da década de 1970, quando a produção brasileira crescia a um ritmo superior a 7% ao ano, que a preocupação com a disponibilidade de trabalhadores qualificados não se manifestava de forma tão aguda como atualmente. Naquela oportunidade, o governo militar constituiu o Sistema Nacional de Emprego e implementou alguns programas de qualificação de trabalhadores visando atenuar parte dos problemas de contratação patronal.

A partir da crise da dívida externa (1981 – 1983), contudo, a economia nacional esfriou rapidamente e a ordem de problemas se inverteu. Ou seja, a transição do quadro de escassez relativa de mão de obra para a presença crescente do excedente de trabalhadores ,que levou ao aparecimento de medidas como o seguro-desemprego, em 1986, e do fomento de programas de criação de postos de trabalho por meio de crédito e capacitação. Na mesma perspectiva ganhou importância, inclusive, a implantação do receituário neoliberal de flexibilização contratual e desregulamentação do mercado de trabalho ao longo dos anos de 1990. Os resultados foram pífios, com maior dimensão da informalidade, desemprego e precarização das condições e relações de trabalho.

O excesso de força de trabalho esteve tão elevado frente ao baixo dinamismo da produção que o presidente Fernando Henrique denominou – na época – de “inempregáveis” a parcela da mão de obra que sobrava nas filas do desemprego. Mais cínico ainda foi o conjunto de posições de especialistas e gestores de políticas de emprego orientadas a transferir para desempregados a responsabilidade por sua própria situação, por meio da mensagem que somente a qualificação geraria ocupações. Como se sabe, as ocupações não foram geradas pelo baixo dinamismo da economia nacional e pela abertura às importações. A maior qualificação de alguns serviu, fundamentalmente, para a rotatividade dos ocupados de contida capacitação, mantida a baixa remuneração.
Atualmente, a situação do mercado de trabalho encontra-se noutro patamar. O maior ritmo de expansão econômica e as orientações da Política de Desenvolvimento Produtivo e do Plano de Aceleração do Crescimento Econômico voltadas à ampliação dos investimentos em distintas regiões do país propiciaram a criação de novas vagas, geralmente às assalariadas com carteira assinada. O país tem superado recordes no saldo de geração de empregos formais.

Além disso, as perspectivas próximas da realização de grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016, associadas à pressão de mais investimentos derivados do segundo Plano de Aceleração Econômica, da exploração do pré-sal, entre outros, apontam para a continuidade da expansão econômica e, por consequência, para a elevação do nível de emprego nacional. Neste contexto, a problemática da qualificação da força de trabalho vem ganhando maior dimensão e conteúdo.

Sobre o tema da escassez de trabalhadores qualificados cabe diferenciar os aspectos gerais dos específicos. Atualmente não parece verificar-se, ainda, a escassez generalizada da mão de obra qualificada no Brasil, mas há, de forma especial, manifestação pontual e crescente em algumas situações. Em determinadas atividades produtivas que puxam o crescimento econômico nacional, como a engenharia naval, exploração de petróleo e gás, e construção civil, por exemplo, observa-se certa escassez da força de trabalho profissional, assim como em determinadas localidades municipais e regiões do país onde ocorre forte impulso de novos investimentos como, por exemplo, em infraestrutura, logística, entre outros.

Ao mesmo tempo, percebe-se também que há problemas resultantes das exigências de contratação de trabalhadores com maior experiência profissional vis à vis à oferta da mão de obra assentada nas pessoas com escassa experiência profissional anterior de emprego. Ou mesmo as dificuldades da formação profissional específica no próprio local de trabalho por parte das empresas, uma vez que os investimentos empresariais na qualificação de trabalhadores são relativamente baixos, salvo a experiência das grandes empresas que operam cada vez mais por meio das chamadas universidades corporativas.

Do ponto de vista das exigências de contratação de trabalhadores de nível superior, constatam-se inadequações também do lado da oferta. Nos dias de hoje, o sistema de ensino superior – composto por duas centenas de universidades, 127 centros universitários e 2 mil faculdades e institutos de educação tecnológica – apresenta condições de acolher 3,7 milhões de alunos de graduação e 143 mil matrículas de pós-graduação (85 mil de mestrado, 8 mil de mestrado profissionalizante e 50 mil de doutorado). Isso implica menos de 14% do total do segmento etário de 18 a 24 anos matriculado no ensino superior.

Apesar dos inegáveis avanços verificados recentemente, o Brasil precisa avançar muito mais, recuperando o atraso acumulado historicamente pelo sistema educacional, especialmente no momento em que se transita para a chamada sociedade do conhecimento. Isso parece ser percebido mais rapidamente em alguns países asiáticos, como China e Vietnã, para não citar apenas as nações desenvolvidas, que contam com planejamento de médio prazo para incorporar mais de 2/3 dos jovens no ensino superior. O desafio está lançado e o Brasil não pode mais se apequenar.

Além dos limites à ampliação das matrículas no ensino superior no Brasil, verificam-se problemas sérios de evasão, uma vez que, de 3,2 milhões de matrículas, menos de 25% torna-se egresso a cada ano. No caso das engenharias, a situação é mais grave, pois somente 15% dos alunos matriculados conseguem se formar em cinco anos. Com isso, a oferta já reduzida de engenheiros, entre outros de nível superior, torna-se ainda mais restrita. Urge constituir maior centralidade no plano educacional e formativo como forma de vencer o desafio potencial e efetivo da escassez de mão de obra qualificada no Brasil.

Este artigo faz parte da edição 97 de Fórum.

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sábado, 7 de maio de 2011

9ª SEMANA NACIONAL DE MUSEUS


Estão abertas as inscrições para escolas do município interessadas em conhecer o Museu de Sítio Arqueológico Sambaqui da Tarioba.

Rio das Ostras marca presença na 9ª Semana Nacional de Museus, que acontece entre os dias 16 e 22 de maio. Uma equipe da Fundação de Cultura da cidade vai visitar escolas da rede pública e particular para apresentar o Museu de Sítio Arqueológico Sambaqui da Tarioba, com palestra e exibição de vídeo. As inscrições para unidades de ensino interessadas em participar serão abertas a partir da próxima segunda-feira, dia 9.

Uma realização do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e Ministério da Cultura, o evento é uma comemoração ao Dia Internacional de Museus (18 de maio). O tema de 2011 será Museu e Memória e vai contar com cerca de 3 mil eventos em mais de 500 cidades de todos os estados do país.
Entre as atrações programadas estão exposições, oficinas, espetáculos, seminários, exibição de filmes e outras. As escolas que quiserem participar do evento em Rio das Ostras devem enviar e-mail para frcriodasostras@gmail.com. Informações pelos telefones 2764-7676 e 2764-7115.
 
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PELA DEFESA DE EDUCAÇÃO PÚBLICA, DA DEMOCRACIA E DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Ousamos dizer que as conquistas históricas advindas da democracia representativa só serão ampliadas e terão avanços reais para a maioria da população quando a democracia se tornar, mais e mais, uma democracia participativa.

Nessa perspectiva, cidadão, como dizia Paulo Freire, é o ser político capaz de questionar, criticar, reivindicar, participar, ser militante e engajado, contribuindo para a transformação de uma ordem social injusta e excludente.

Acreditamos que não basta votar na mudança. Exercitar a democracia participativa é ter um papel ativo, aprender a dirigir a nossa sala de aula, a nossa escola, a nossa casa e a nossa cidade. Neste sentido, a Participação é fundamental para a construção destes espaços de direito.

Recentemente os profissionais da educação da rede pública de ensino de Macaé se depararam com uma situação que consideramos extremamente grave para o processo democrático em nosso país. A Câmara de Vereadores de Macaé aprovou no último dia 26 a formação de uma Comissão de Ética que poderá resultar numa possível cassação do mandato do Vereador Danilo Funke (PT) , presidente da Comissão de Educação na Câmara.

Lamentavelmente, esta iniciativa da maioria dos vereadores de Macaé tem a ver com uma pauta histórica do movimento da educação que é a valorização e o investimento na carreira do magistério e dos funcionários de escola. Debate este realizado frequentemente e que acaba sendo tratado de maneira equivocada quando a posição do SEPE e dos profissionais da educação não é respeitada.

O Vereador Danilo Funke, desde do início da mobilização da Campanha Salarial dos Profissionais da Educação, sempre se colocou à disposição deste segmento e se comprometeu com a causa justa e digna da educação. A construção do Plano de Cargos e Salários dos profissionais da educação é uma reivindicação histórica do movimento da educação e passou a ser uma exigência do Estado.

O que nos leva a refletir qual é o temor que os vereadores de Macaé e de outros municípios tão próximos têm ao resistir em não tratar do tema Plano de Cargos e Salário e Vencimentos? A outra questão é: qual deve ser o verdadeiro papel de um (a) vereador(a) para a sua cidade ?

Para os profissionais da educação sabemos perfeitamente que este último deve ter um papel político a favor do povo e não dos interesses particulares ou escusos como normalmente acontecem.

Por tudo isso, sabemos que as mudanças não são benesses. Elas não caem do céu. É preciso correr atrás, literalmente: se informar, estudar, trabalhar e participar ativamente das questões públicas. Como exemplo: participar no Orçamento Municipal, na Defesa da Educação Municipal, uma vez que cabe ao cidadão, além da responsabilidade de cobrar pela oferta de educação universal de qualidade, exercer também funções fiscalizadoras de natureza administrativa e financeira.

Finalmente, em que pese o discurso ser da eqüidade, da universalização, da participação, a questão primeira da cidadania numa sociedade democrática é preparar qualquer cidadão para ser governante. Este é um tempo de transformar radicalmente não apenas a política da pedagogia, mas fundamentalmente a pedagogia da política. Nesse sentido, participar é muito mais do que apenas erguer o braço e concordar com os textos oficiais.

Como professora e dirigente sindical do SEPE e Sinpro reafirmo o nosso compromisso pela defesa da educação pública, da democracia e da liberdade de expressão.

Profª Guilhermina Rocha
Especialista em Educação e Historiadora
Presidente do CEPRO


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segunda-feira, 2 de maio de 2011

SEMANA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE - MAIO DE 2011


A Fundação para a Infância e Adolescência, vinculada a Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, juntamente com as demais organizações públicas e civis estão organizando a Agenda Oficial da Semana Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual Contra a Criança e o Adolescente, que marca o dia 18 de maio - Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual.

A abertura oficial da semana será a realização do II Seminário “Tecendo a Rede de Proteção”, com a Conferência Magna que será realizada pela ilustre Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, com o terma: “O Enfrentamento da Violência Sexual na Construção da Política Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente e do Plano Decenal”; conforme segue:

Data: 17 de maio de 2011
Horário: de 08h30min às 17h30min
Local: Auditório do BNDES, Av. Chile, 100, Centro, Rio de Janeiro.

As vagas são limitadas e as inscrições estarão abertas para a rede de instituições conveniadas da FIA, os Conselhos Tutelares, os Conselhos Municipais de Direitos da Criança e do Adolescente e as Secretarias Municipais da área de Assistência Social e Direitos Humanos até 30 de abril – um representante por instituição. As vagas restantes serão abertas para o público em geral no dia 09 de maio até seu limite.

As inscrições serão realizadas via e-mail seminário.fia@gmail.com, por meio do envio dos seguintes dados do representante titular e suplente da instituição (em caso da ausência do titular): nome / instituição / função na instituição / telefones / fax / e-mail.

O dia 18 de maio está sendo reservado para as ações nos municípios de todo estado. Para inclusão na Agenda Oficial da Semana Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes os municípios deverão informar até o dia 19 de abril as atividades a serem realizadas: data / local / organizadores / contatos.

Informações:
Fundação Para a Infância e Adolescência
Assessoria da Presidência
Tel.: 2334-8036 / 8596-5300


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CONAE Publicado cronograma das conferências estaduais da Conae A etapa estadual será realizada em todas as unidades da Federação. As datas estão disponíveis na página da Conae 2024

  A  maioria das  u nidades da Federação já agendou as datas para o lançamento e a realização das conferências estaduais, que antecedem a  C...